quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Todos os bipolares são iguais?

A maneira como um bipolar agirá numa fase eufórica pode variar. Nem todos os bipolares agem do mesmo modo quando atravessam uma fase de mania, por exemplo.

Mas por que nem todos os bipolares se comportam do mesmo modo?

Todos temos um temperamento, um caráter e uma personalidade, três conceitos bem diferentes um dos outros. Mas, para entendermos melhor o TAB, fiquemos especialmente com o primeiro conceito e o último, isto é, temperamento e personalidade.

Geralmente ouvimos dizer que um bipolar são três pessoas em uma, isto é, uma pessoa na fase eufórica, outra na fase depressiva e mais uma nos períodos de vida normal. Isso está correto? Se você entende que o temperamento ou o caráter é o que nos define como pessoas, a resposta é não. Se você entende que a personalidade é aquilo que nos define como pessoas, a resposta é sim. Mas a personalidade é o que temos de mais superficial...

Na fase eufórica, o bipolar tem uma personalidade e reage ao mundo externo de acordo com essa personalidade. Já numa fase depressiva, ele tem outra personalidade e reage ao mundo externo segundo essa personalidade. Há, ainda, mais uma personalidade que se manifesta nos períodos de vida normal, mas que não pode ser chamada de pré-mórbida.

Pré-mórbida é a personalidade que o paciente tinha antes de o TAB se manifestar.

Menos superficial que a personalidade, ressaltemos, é o temperamento. O paciente que tinha um temperamento sanguíneo e estável (imagine alguém extrovertido e alegre) não deixará de ter (ao menos essencialmente) esse temperamento depois de o TAB se manifestar.

Também existem aquelas pessoas que têm um temperamento instável e melancólico (o oposto do temperamento sanguíneo e estável). Essas pessoas também mantêm um temperamento de base, isto é, um temperamento que não muda, que fundamentalmente será o mesmo antes e depois do TAB.

É justamente esse temperamento de base + os sintomas de uma fase (a maníaca, por exemplo) que determinarão como um bipolar reagirá ao mundo externo, isto é, são esses elementos somados (temperamento de base + sintomas do TAB) que fazem os bipolares se comportarem de modos diferentes, apresentando esta ou aquela personalidade, ainda que estejamos falando da mesma fase. Ainda assim, tenhamos em mente que nem todos os bipolares, numa fase de mania por exemplo, apresentam os mesmos sintomas.

Os sintomas podem variar, porque nem todos os bipolares apresentam irritação numa fase maníaca por exemplo, e nem todos os bipolares apresentam exatamente o mesmo número de sintomas numa crise, seja eufórica, seja depressiva.

São todos esses elementos variados que, somados, dirão que personalidade um bipolar terá numa fase; e a cada fase podemos ter elementos diferentes que se somam (isto é, sintomas maníacos diferentes por exemplo; porque ao menos o temperamento de base será o mesmo) para produzir esta ou aquela personalidade.

Sendo assim, se o caráter e o temperamento de base continuam lá, e se o que muda é aquilo que temos de mais externo ou superficial, por que deveríamos dizer que o bipolar deixa de ser ele mesmo numa crise? Só superficialmente ele passa a ser outro.

Talvez alguns de vocês discordem de mim. Mas, se isso acontecer, sou eu quem não soube explicar direito e a culpa é toda minha. A verdade, entretanto, continua sendo a mesma, bem explicada ou não.


Leia mais
Ela tem dupla personalidade, é bipolar

5 comentários:

Preta disse...

Achei bem interessante o post, ja li algo parecido e concordo plenamente.
Está sim bem explicado,ao menos para mim não ficam dúvidas.
Parabéns pelo post.
Bjinhos

NebulosaMente disse...

Breno querido, como sempre estou muito grata pelas suas explicações. Obrigada!

byClaudioCHS disse...

é, o assunto é complicado mesmo... e a intenção não é complicar mais ainda, mas fica aqui a minha humilde contribuição: dois textos escritos durante uma crise no polo depressivo com uma pitada de pânico, para sentir-se na pele o que é ser bipolar:

byClaudioCHS disse...

QUAL DE MIM SOU EU...?

Aqui, o poeta
não é simplesmente
um gênio do conhecimento
dos sentimentos humanos
Na verdade
não há gênio
(e nem conhecimento)
o que se passa
é que não passo
a palavra
a personagens,
nem empresto a voz
a ilustres heterônimos:
dividem-se, em mim,
dois pólos
que não se comunicam
não dividem o espaço
Cada um,
a seu tempo
preenche-o completamente
assenhoream-se
dominam-no
como se não tivera
outro dono
são pólos inconciliáveis
incomunicáveis
incompatíveis de gênio
senhores de si
e as vezes de mim
me confundem
são cheios de razões
não sei o que sou
são parasitas
alimentam-se
da minha consciência
e só percebo
que não são eu
quando se vão.
Mas... alternam-se
tão rapidamente
que nem tenho tempo
de ser eu mesmo
Eu? Desculpem-me:
quem sou eu?
Não sei...
Só sei que não sou eles
(mas também não sou eu...)
pois no curto espaço
de tempo
em que se ausentam
sou apenas
o vácuo,
vazio absoluto
Deus, olha pra mim...
e cura-me
antes que julguem-me
e condenem-me
porque
ninguém
irá
exorcizar
o que não são
possessões
mas dualidades:
euforia e medo...

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

.

byClaudioCHS disse...

Medo...
Vontade de dar um grito,
ou calar-se para sempre
De ficar parado, ou correr
De não ter existido
ou deixar de existir (morrer)
Não há razão quando a mente não funciona
(redundante, não?)
Vão extinguindo-se as questões
mesmo sem respostas
Perde-se, neste estágio,
a vontade de saber.
O futuro é como o presente:
É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
Morreu a curiosidade
Morreu o sabor
Morreu o paladar
parece que a vida está vencida
Tenho medo de não ter mais medo.
Queria encontrar minhas convicções...
Deus está em um lugar firme, inabalável,
não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
Até porque, na verdade, confio nele
O problema é que já não confio em mim mesmo
Não existe equilíbrio para mentes sem governo
A química disfarça, retarda a degradação
mas não cura a mente completamente
e não existem, em Deus, obrigações:
já nos deu a vida, o que não é pouco,
a chuva, o ar, os dias e noites
Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
já que seremos vencidos pelo tempo
(este é o destino dos homens)
e seremos ceifados num dia que não sabemos
num instante que mira nossa vida
e corre rápido ao nosso encontro lentamente
(ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
Sei lá...
Mas não sei se quero estar aqui
para assistir o meu fim
Queria estar enclausurado, escondido...
As amizades que restam vão se extinguindo
e os que insistem na proximidade
são os mesmos que insistirão na distância,
o máximo de distância possível.
A vida continua o seu ciclo
É necessário bom senso
não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
Eu disse bom senso?
Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
nem princípios, nem razão, nem discernimento,
nem força alguma
Torna-se um alvo fácil
condenável pelos que estão em são juízo
E questionam: onde está sua fé?
e respondo: ela estava aqui agora mesmo...
ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim...
o problema é que, quando a mente está sem governo
(falo de um homem enfermo)
é como um caminhão que perde o freio
descendo a serra do mar...
perde-se o contato com a fé e com tudo o que há...
e por alguns instantes (angustiantes)
não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão...
ah... quem dera, quem dera...
que a mão de Deus me sustente neste instante...
em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos...
porque sou, neste momento
a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo...
tenho medo, medo...
medo de perder o medo
de sair da vida pela porta de saída...
medo de perder o medo
de apertar o botão "Desliga"...

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

.