Coitado! que em um tempo choro e rio;
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
De uma cousa confio e desconfio.
Avoo sem asas; estou cego e guio;
E, no que valho mais, menos mereço;
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.
Qu'ria, se ser pudesse, o impossível;
Qu'ria poder mudar-me, e estar quedo;
Usar de liberdade e ser cativo;
Queria que visto fosse, e invisível;
Qu'ria desenredar-me, e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!
Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Donde voy, yo me pierdo por amor
Donde voy, yo me pierdo por amor,
Pensando en claros ojos ya pasados,
Sin que pasen los días disgustados
Que tengo yo vivido con rigor.
Ya no socorre Amor con su vigor
Sino para nutrir lloros salados,
Tristes los dulces tiempos, ya amargados,
Si no pueden volver en mi favor.
Pero, si tras el fuego aguas le vienen,
No tengo qué esperar de amor ardiente
Sino lágrimas malas que lo apaguen.
Y, si más estas penas se mantienen
Cuanto menos yo llore vivamente,
— "Que por amor mojados ojos paguen."
Pensando en claros ojos ya pasados,
Sin que pasen los días disgustados
Que tengo yo vivido con rigor.
Ya no socorre Amor con su vigor
Sino para nutrir lloros salados,
Tristes los dulces tiempos, ya amargados,
Si no pueden volver en mi favor.
Pero, si tras el fuego aguas le vienen,
No tengo qué esperar de amor ardiente
Sino lágrimas malas que lo apaguen.
Y, si más estas penas se mantienen
Cuanto menos yo llore vivamente,
— "Que por amor mojados ojos paguen."
Marcadores:
Breno Melo,
Donde me voy,
espanhol,
Poesia,
soneto
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Con mis propios cuidados yo me herí
Con mis propios cuidados yo me herí;
Allá empecé cuidando yo de amores
Para que me perdiese en sus rigores,
Nunca perdida en mi alma la que vi.
Yo mucho y mucho tiempo a amor serví,
Si servirle podía con errores
Que a mí tan bien me ataban con ardores,
Viendo ahora esto, que antes no preví.
No creáis vos que yo pueda sufrir más.
Pues, si sufriese poco, lloraría;
Pero llorar sería poco ahora.
Si queréis medir cuánto sufro asaz,
Recordad la medida en que os quería;
Y sabréis así cuánto mi alma llora.
Allá empecé cuidando yo de amores
Para que me perdiese en sus rigores,
Nunca perdida en mi alma la que vi.
Yo mucho y mucho tiempo a amor serví,
Si servirle podía con errores
Que a mí tan bien me ataban con ardores,
Viendo ahora esto, que antes no preví.
No creáis vos que yo pueda sufrir más.
Pues, si sufriese poco, lloraría;
Pero llorar sería poco ahora.
Si queréis medir cuánto sufro asaz,
Recordad la medida en que os quería;
Y sabréis así cuánto mi alma llora.
Marcadores:
Breno Melo,
Con mis propios cuidados yo me herí,
espanhol,
Poesia,
soneto
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Tudo muda
Tudo muda, já como não devia,
E no mundo não há assentar-me firme,
Pois não sei, sempre ledo, conduzir-me;
E assim vivo mudado, a cada dia.
Põe-se o Sol (que a brilhar nos aturdia),
Mas, perdido eu em dias, lá reunir-me
Não sei como convinha, já a ruir-me
Se hoje não me vi como ontem me via.
Manhãs vindas, diversos sentimentos;
O Sol vai e retorna, sempre igual,
Mas não para brilhar sobre igual rosto.
Não há risos eternos, ou tormentos;
E venha o Sol por meu bem, ou meu mal,
Cá um dia não me encontrará em meu posto.
E no mundo não há assentar-me firme,
Pois não sei, sempre ledo, conduzir-me;
E assim vivo mudado, a cada dia.
Põe-se o Sol (que a brilhar nos aturdia),
Mas, perdido eu em dias, lá reunir-me
Não sei como convinha, já a ruir-me
Se hoje não me vi como ontem me via.
Manhãs vindas, diversos sentimentos;
O Sol vai e retorna, sempre igual,
Mas não para brilhar sobre igual rosto.
Não há risos eternos, ou tormentos;
E venha o Sol por meu bem, ou meu mal,
Cá um dia não me encontrará em meu posto.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Tanto de meu estado me acho incerto, de Camões
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Marcadores:
Camões,
Poesia,
soneto,
Tanto de meu estado me acho incerto
quinta-feira, 24 de março de 2011
Mudam-se os tempos, de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Marcadores:
Camões,
Mudam-se os tempos,
Poesia,
soneto
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Amor é fogo que arde sem ver, de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Marcadores:
Amor,
Amor é fogo que arde sem se ver,
Camões,
Poesia,
soneto
Assinar:
Postagens (Atom)