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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Depressão e Transtorno Bipolar num mundo de aparências

Saiu um post meu no Bipolar Brasil, chamado Depressão e Transtorno Bipolar num mundo de aparências. Para conferir, CLIQUE AQUI.

Mas o que o Labão está fazendo aqui? É o que você descobrirá lá, lendo...




Outras postagens minhas no BB
O que os leigos deveriam saber sobre bipolares (a mais compartilhada no facebook)
Transtorno Bipolar: Difícil diagnosticar, fácil tratar
Marta, a garota bipolar, está em duas promoções

sábado, 7 de maio de 2011

Bipolar Brasil - Campanha 2011



Gostou? Disponibilize este vídeo nas redes sociais de que você faz parte, em seu blog ou site! Você pode encontrar este vídeo facilmente no youtube e, a partir daí, compartilhá-lo com seus amigos!

Divulgue o vídeo.

O Transtorno Bipolar do Humor é coisa séria!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Comentando o post da Maga, do Bipolar Brasil, sobre a tragédia de Realengo

Olá, Maga! Concordo com você em gênero, número e grau. É muito triste que tudo aconteça da maneira como você explicou em seu post...

O que acontece é que as pessoas leigas em geral tendem a aceitar explicações mais simples, ou pior, tendem a aceitar simplificações que não explicam nada. Por mais que psiquiatras competentes consigam explicar o que houve, as pessoas em geral continuam dizendo que Wellington fez o que fez porque era louco, que nada poderia ser feito, etc.

Eu discordo. A tragédia de Realengo começou quando Wellington abandonou o tratamento psicológico que fazia... Mas parece que ninguém entende isso, isto é, ninguém entende que um bom modo de diminuir futuros casos como esse é investir em saúde mental... Se há uma campanha para que as pessoas não abandonem o tratamento da tuberculose, por que não há campanha parecida para que as pessoas não abandonem tratamentos psicológicos? A saúde mental merece menos atenção que a saúde física? Por que os familiares de Wellington agora têm medo da reação do povo, mas não tiveram medo do que poderia acontecer quando Wellington abandonou o tratamento?

O que aconteceu em 7 de abril é consequência de anos de negligência, porque foram 7 anos em que Wellington ficou sem tratamento... A irmã dele dizia que ele era "estranho", mas por que, eu pergunto, os familiares não fizeram mais por ele do que dizer que ele era "estranho"?

Não seria surpresa se Wellington tivesse se matado (sozinho, sem envolver outras pessoas) devido à esquizofrenia, porque estava sem tratamento há 7 anos. Mas por que ninguém se importou com essa possibilidade?

Se ele tivesse tuberculose, provavelmente a família dele não o teria deixado abandonar o tratamento, simplesmente porque teriam medo de que ele morresse. Mas ora! Não foi exatamente isso o que aconteceu, justamente porque ele abandonou o tratamento? para não falar na morte das 12 crianças? Talvez eles próprios, os familiares de Wellington, não entendessem que ele era "estranho" devido a uma doença... uma doença perfeitamente tratável, o que equivale a dizer uma tragédia de Realengo perfeitamente evitável... Há milhões de esquizofrênicos em todo o Brasil, mas até hoje só houve um Wellington...

Mas ninguém quer entender o que aconteceu ou adotar certas medidas para evitar novas tragédias. É muito mais simples dizer que ele era louco e cruzar os braços. Em outros países, entretanto, eles adotaram certas medidas para diminuir o número de tais tragédias, já que evitar 100% delas é impossível...

Sobre os meios de comunicação e as explicações dadas por psiquiatras, é preciso lembrar que:

1) Os psiquiatras têm um compromisso com a ciência, com a Psiquiatria, com a verdade científica; e

2) a TV tem um compromisso com os telespectadores, com o público em geral, público este que é leigo e geralmente não assimila, não entende ou não aceita as explicações de um psiquiatra. É para esse público que a TV fala, motivo pelo qual a verdade da TV é diferente daquela verdade científica dos psiquiatras, simplesmente porque jornalistas e psiquiatras são profissionais diferentes, se dirigem a públicos diferentes, etc.

A verdade da TV tem que estar associada ao IBOPE, ao que público leigo aceita ou rejeita. Do contrário, o canal de TV não sobrevive. Enfim, os psiquiatras falam a outros psiquiatras, a um círculo menor; mas a TV fala a um grande número de pessoas, a um círculo maior e mais leigo... Um psiquiatra, quando fala a outro que Wellington era esquizofrênico, não tem que explicar o que é esquizofrenia... Um jornalista, quando fala a milhões de telespectadores, não pode explicar sem convencer, ou a matéria não terá aceitação...

Os psiquiatras e os jornalistas têm objetivos diferentes, falam a públicos diferentes; e é curioso quando eles são colocados lado a lado num programa de TV... Como você mesma disse, no programa da Globo News os dois especialistas queriam dizer uma coisa, mas a jornalista queria ou esperava que eles dissessem outra... Não vi o programa, mas confio em seu post... Acredito que você seja uma boa observadora!

A explicação que mais parece agradar às pessoas em geral é a de que Wellington era louco (uma simplificação). E a explicação que mais parece agradar às autoridades é a de que nada podia ser feito, isto é, as autoridades não têm que fazer nada para evitar futuros casos, fica tudo como está... Mas essas duas explicações simplificadas não sairão da boca de um bom psiquiatra, isto é, a verdade complexa, a única que explica o que houve, ficará restrita a um pequeno círculo de especialistas...

Graças a Deus a imprensa também é capaz de passar excelentes informações; e eu gosto de ver esses pequenos deslizes como exceções ou casos à parte, especialmente quando algo inusitado acontece e tudo é dito de improviso... A tragédia de Realengo foi a maior surpresa da imprensa nacional nos últimos tempos, e as notícias sobre o caso foram também um grande improviso, sem matérias anteriores que servissem de base para essa... Os casos anteriores que aconteceram no Brasil nem de longe se comparam a esse...

Talvez alguém diga que todas as notícias são inusitadas e que todas as matérias jornalísticas são escritas de improviso. Explico: Notícias de assassinatos, roubos, etc. são corriqueiras; já há, mais ou menos esboçado, um formato para tais matérias. Mas o caso de Realengo foi bem diferente...

Ah, sim! Uma última coisa que quase ninguém parece entender. Ele não era psicopata, mas psicótico, o que já é outra coisa bem diferente. Mas quem quer saber? Wellington era louco e isso explica tudo... Continuemos com nossas vidas como sempre o fizemos... Afinal, é um assunto tão desagradável; não pensemos mais nele...


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Para não dizerem que não falei de Realengo
Jorge - Conto

quarta-feira, 30 de março de 2011

Transtorno Bipolar e Livre-arbítrio

TEXTO DO BLOG DO WILL, O BIPOLAR BRASIL

Relato - Acho que ele é bipolar, mas não quer se tratar...

Podem me chamar de lindinha. Vou contar minha história...

(...)


COMENTÁRIO
(Leia o relato no blog do Will para que você possa entender o comentário.)

Li o relato da Lindinha e o comentário da Calita. Pois bem! Concordo com a Calita em gênero, número e grau. Também entendo o desespero da Lindinha.

Segundo o relato da Lindinha, não me parece ter havido um diagnóstico para TBH. (O TBH seria uma suspeita dela.) O diagnóstico dado por um profissional parece ter sido para depressão psicótica (estamos falando de depressão maior e de maiores probabilidades de suicídio). Pois, como disse a Lindinha, ele foi diagnosticado com depressão unipolar tem crise de psicose como se fossem 2 deles um amigo imaginário. Seja como for, imaginemos que o noivo dela padeça de um distúrbio mental qualquer, não necessariamente TBH. Agora, sim, podemos chegar aonde eu queria.

Se ele está em crise, ou melhor, se ele põe sua própria vida ou a de outrem em risco, isso significa que ele precisa de internação. Nesse caso, não cabe a ele decidir. Porque infelizmente, nesses casos, ele não pode exercer seu livre-arbítrio. Outra pessoa terá que decidir por ele em caráter de emergência.

Podemos concordar de antemão que uma pessoa é livre para fazer o quiser com a própria vida, desde que não se disponha a cometer suicídio, por exemplo. Explico:

Se ela toma a decisão de se suicidar quando não é capaz de exercer seu livre-arbítrio plenamente, isso significa que a decisão não será inteiramente dela. Atentar contra a própria vida pode acontecer durante uma crise depressiva. Pôr a própria existência em risco, sem medir as consequências, pode acontecer durante uma crise de mania. Em ambos os casos, se a pessoa chega a falecer, não haverá o momento seguinte, aquele em que a pessoa recobra 100% de seu livre-arbítrio para avaliar claramente o que fez.

Entretanto, desde que o noivo da Lindinha possa decidir livremente, ele não deve ser obrigado a se tratar, mesmo que o tratamento seja para o bem dele. Se uma pessoa é capaz de exercer seu livre-arbítrio, ainda que momentaneamente, ela deve exercê-lo.

Sendo assim, o que a Lindinha pode fazer por seu noivo se ela não pode obrigá-lo a se tratar? Muitas coisas...

Nos melhores momentos de seu noivo, ela pode lhe mostrar o que ele perde ou deixa de ganhar sem tratamento. Uma boa alternativa é contar histórias parecidas, de pessoas que se encontravam na mesma situação, revelando o que aconteceu com elas sem tratamento, com tratamento, etc.

A Lindinha também deve conversar com a família dele, com amigos, etc., de modo que esse esforço seja levado a cabo por todos aqueles que constituam o círculo social do rapaz. Seria muito prático que ela começasse a manter contato com a família de seu noivo, por carta, MSN, telefone, etc., se acaso já não tenha tomado essa iniciativa. 

Filmes e histórias de ficção a respeito do TBH também ajudarão bastante, especialmente se o noivo da Lindinha se identificar com o protagonista, desde que este padeça do mesmo distúrbio ou de distúrbio semelhante. Este último tipo de história costuma ser mais eficiente, porque é capaz de comover. Raramente alguém toma uma decisão 100% fria, sem que seja influenciado pela emoção. Muitas de nossas decisões racionais, no fundo, são emotivas! Não será diferente com o noivo da Lindinha, seja ele bipolar, seja ele esquizofrênico, seja ele depressivo...


A Atitude da Lindinha

Sobre a suspeita da Lindinha de que seu noivo seja bipolar, direi algumas coisas.

Obviamente, ela não precisa estar certa de que ele seja bipolar para que possa encaminhá-lo a um profissional. Não é função dela fazer o diagnóstico correto! Essa função cabe aos profissionais competentes.

A função da Lindinha, devo dizer, é exatamente o que ela está fazendo, isto é, procurando se informar sobre o assunto, buscando incentivar o noivo a se tratar, etc. E isso ela está fazendo muito bem!

Sobre a depressão de seu noivo, especialmente se esse diagnóstico é antigo, poderíamos nos perguntar se houve novos episódios, novas crises, e se esses episódios continuam sendo classificados como depressão.

Segundo podemos entender do relato da Lindinha, ao menos um episódio foi classificado como depressivo por um profissional. Mas o que dizer dos episódios seguintes, se acaso eles realmente tenham existido? (Provavelmente existiram ou vão existir, porque ele está sem tratamento!)

Há elementos suficientes no relato da Lindinha para falarmos num possível episódio de mania. Entretanto, estamos nos baseando no relato dela. Se um profissional pode se equivocar, um leigo, sozinho, também pode e mais facilmente ainda! Devemos lembrar que quem interpretou e selecionou os elementos que constituem o relato da Lindinha foi ela mesma. E, como me parece um relato curto, provavelmente ele foi publicado na íntegra pelo Will; porque ele já publicou relatos bem maiores. Se a Lindinha fosse uma profissional, portanto, já teria reunido elementos suficientes para um diagnóstico. Se ela está em dúvida e pede ajuda, provavelmente é leiga. Neste último caso, o papel dela, como eu disse, é suspeitar e incentivar o noivo a procurar ajuda profissional. E isso ela já está fazendo.

Um bom profissional ouviria a Lindinha perguntando-lhe muitos outros pormenores que não aparecem em seu relato, a duração desses prováveis episódios, etc. Seria necessário, obviamente, analisar o noivo dela. Mas o testemunho da Lindinha, certamente, seria de grande ajuda.


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Transtorno Bipolar