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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Perguntas frequentes sobre Marta

Importante: Só leia este artigo se você já tiver lido o romance. A primeira metade do texto abaixo contém informações-chave para entender o transtorno bipolar da protagonista.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Transtorno Bipolar e Livre-arbítrio

TEXTO DO BLOG DO WILL, O BIPOLAR BRASIL

Relato - Acho que ele é bipolar, mas não quer se tratar...

Podem me chamar de lindinha. Vou contar minha história...

(...)


COMENTÁRIO
(Leia o relato no blog do Will para que você possa entender o comentário.)

Li o relato da Lindinha e o comentário da Calita. Pois bem! Concordo com a Calita em gênero, número e grau. Também entendo o desespero da Lindinha.

Segundo o relato da Lindinha, não me parece ter havido um diagnóstico para TBH. (O TBH seria uma suspeita dela.) O diagnóstico dado por um profissional parece ter sido para depressão psicótica (estamos falando de depressão maior e de maiores probabilidades de suicídio). Pois, como disse a Lindinha, ele foi diagnosticado com depressão unipolar tem crise de psicose como se fossem 2 deles um amigo imaginário. Seja como for, imaginemos que o noivo dela padeça de um distúrbio mental qualquer, não necessariamente TBH. Agora, sim, podemos chegar aonde eu queria.

Se ele está em crise, ou melhor, se ele põe sua própria vida ou a de outrem em risco, isso significa que ele precisa de internação. Nesse caso, não cabe a ele decidir. Porque infelizmente, nesses casos, ele não pode exercer seu livre-arbítrio. Outra pessoa terá que decidir por ele em caráter de emergência.

Podemos concordar de antemão que uma pessoa é livre para fazer o quiser com a própria vida, desde que não se disponha a cometer suicídio, por exemplo. Explico:

Se ela toma a decisão de se suicidar quando não é capaz de exercer seu livre-arbítrio plenamente, isso significa que a decisão não será inteiramente dela. Atentar contra a própria vida pode acontecer durante uma crise depressiva. Pôr a própria existência em risco, sem medir as consequências, pode acontecer durante uma crise de mania. Em ambos os casos, se a pessoa chega a falecer, não haverá o momento seguinte, aquele em que a pessoa recobra 100% de seu livre-arbítrio para avaliar claramente o que fez.

Entretanto, desde que o noivo da Lindinha possa decidir livremente, ele não deve ser obrigado a se tratar, mesmo que o tratamento seja para o bem dele. Se uma pessoa é capaz de exercer seu livre-arbítrio, ainda que momentaneamente, ela deve exercê-lo.

Sendo assim, o que a Lindinha pode fazer por seu noivo se ela não pode obrigá-lo a se tratar? Muitas coisas...

Nos melhores momentos de seu noivo, ela pode lhe mostrar o que ele perde ou deixa de ganhar sem tratamento. Uma boa alternativa é contar histórias parecidas, de pessoas que se encontravam na mesma situação, revelando o que aconteceu com elas sem tratamento, com tratamento, etc.

A Lindinha também deve conversar com a família dele, com amigos, etc., de modo que esse esforço seja levado a cabo por todos aqueles que constituam o círculo social do rapaz. Seria muito prático que ela começasse a manter contato com a família de seu noivo, por carta, MSN, telefone, etc., se acaso já não tenha tomado essa iniciativa. 

Filmes e histórias de ficção a respeito do TBH também ajudarão bastante, especialmente se o noivo da Lindinha se identificar com o protagonista, desde que este padeça do mesmo distúrbio ou de distúrbio semelhante. Este último tipo de história costuma ser mais eficiente, porque é capaz de comover. Raramente alguém toma uma decisão 100% fria, sem que seja influenciado pela emoção. Muitas de nossas decisões racionais, no fundo, são emotivas! Não será diferente com o noivo da Lindinha, seja ele bipolar, seja ele esquizofrênico, seja ele depressivo...


A Atitude da Lindinha

Sobre a suspeita da Lindinha de que seu noivo seja bipolar, direi algumas coisas.

Obviamente, ela não precisa estar certa de que ele seja bipolar para que possa encaminhá-lo a um profissional. Não é função dela fazer o diagnóstico correto! Essa função cabe aos profissionais competentes.

A função da Lindinha, devo dizer, é exatamente o que ela está fazendo, isto é, procurando se informar sobre o assunto, buscando incentivar o noivo a se tratar, etc. E isso ela está fazendo muito bem!

Sobre a depressão de seu noivo, especialmente se esse diagnóstico é antigo, poderíamos nos perguntar se houve novos episódios, novas crises, e se esses episódios continuam sendo classificados como depressão.

Segundo podemos entender do relato da Lindinha, ao menos um episódio foi classificado como depressivo por um profissional. Mas o que dizer dos episódios seguintes, se acaso eles realmente tenham existido? (Provavelmente existiram ou vão existir, porque ele está sem tratamento!)

Há elementos suficientes no relato da Lindinha para falarmos num possível episódio de mania. Entretanto, estamos nos baseando no relato dela. Se um profissional pode se equivocar, um leigo, sozinho, também pode e mais facilmente ainda! Devemos lembrar que quem interpretou e selecionou os elementos que constituem o relato da Lindinha foi ela mesma. E, como me parece um relato curto, provavelmente ele foi publicado na íntegra pelo Will; porque ele já publicou relatos bem maiores. Se a Lindinha fosse uma profissional, portanto, já teria reunido elementos suficientes para um diagnóstico. Se ela está em dúvida e pede ajuda, provavelmente é leiga. Neste último caso, o papel dela, como eu disse, é suspeitar e incentivar o noivo a procurar ajuda profissional. E isso ela já está fazendo.

Um bom profissional ouviria a Lindinha perguntando-lhe muitos outros pormenores que não aparecem em seu relato, a duração desses prováveis episódios, etc. Seria necessário, obviamente, analisar o noivo dela. Mas o testemunho da Lindinha, certamente, seria de grande ajuda.


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Transtorno Bipolar

quarta-feira, 23 de março de 2011

Transtorno Bipolar

TEXTO DO BLOG DA ANA

Mais da metade dos bipolares não recebe tratamento

Mapeamento mundial sobre transtorno bipolar mostra que menos da metade dos doentes recebe tratamento.

(...)


COMENTÁRIO

O que é mais impressionante? O bipolar que não sabe que tem o transtorno e por isso não se trata, ou o bipolar que é diagnosticado e decide não se tratar? Antes de opinar, devemos tentar entender o que acontece, penetrar a causa secreta das coisas...

Agora que existe esse excelente estudo para pôr em números quantos bipolares diagnosticados não se tratam, as perguntas a serem respondidas são: 1) por que eles não se tratam quando têm acesso ao tratamento? 2) por que abandonam o tratamento quando podem prosseguir com ele? 3) como fazer com que os bipolares diagnosticados continuem com o tratamento mesmo quando decidem abandoná-lo?

A curto prazo, um bipolar pode se sentir muito bem sem o tratamento, porque não está em crise, mas a longo prazo ele sofrerá bastante porque cedo ou tarde virá uma crise... Do contrário, ou ele não era bipolar e tinha recebido um diagnóstico errado (o que não é impossível nem raro), ou ele curou-se espontaneamente (o que é improvável ou é milagre; mas continuemos falando de Medicina; deixemos os temas religiosos para outro post... Pois bem!).

Sem tratamento, é de esperar que as crises comecem a vir com intervalos cada vez menores entre si, que venham mais fortes, etc. Enfim, que o transtorno "evolua" se um bipolar passa a ter clicagem rápida, se um paciente tipo II recebe o diagnóstico de tipo I, etc.

A grande questão é que não se interna um bipolar a não ser que ele esteja numa crise de mania, por exemplo. A internação é uma medida extrema, mas fundamental para salvar a vida do paciente em certos casos. Todavia, entre uma crise e outra, não se pode nem se deve obrigar o bipolar a se tratar. A decisão deve ser dele. Inteiramente dele. Nesse caso, resta informá-lo e, mais eficiente que informar, "emocioná-lo" com histórias comoventes de pacientes que decidiram não se tratar. Ao final de tudo, a decisão ainda será dele.

Das opções possíveis, "emocionar" é psicologicamente mais eficiente que "informar". Exemplos, na campanha eleitoral política, não faltam. Os políticos, nessa área, têm grande experiência!

Por incrível que pareça, a maioria das pessoas (incluindo não-bipolares) age desta maneira: toma uma decisão emotiva e, só depois, pensa de maneira racional a fim de encontrar uma justificativa para as decisões tomadas de maneira emotiva!

Como mania e depressão são modos de escapar da realidade (por dois caminhos bem diversos, é claro!) um bipolar não pode decidir durante suas crises; mas isso não é tudo. Mesmo não estando em crise, há "sintomas leves", resquícios ou restos que ficam "pairando" entre uma crise e outra. Isso costuma acontecer em 50% do tempo. Sendo assim, mesmo fora das crises, o bipolar pode não estar inteiramente apto a decidir, a não ser que esses resquícios não existam. É complicado? Nem tanto. Se nos lembrarmos que o TAB também já foi chamado de insanidade cíclica, então podemos dizer que ao menos em parte do tempo o bipolar pode decidir o que fazer. E, se ele pode decidir nesses "bons momentos", então ele também pode amenizar ou até evitar aqueles "maus momentos", porque estes costumam nascer daqueles, ou são melhor enfrentados quando o bipolar se prepara de antemão.

Sei que há uma parte do trasntorno que é inevitável, imprevisível, implacável... Mas sei também que há uma parte que só depende do bipolar. Do mesmo modo que as formigas se preparam para o inverno quando a época do ano ainda o permite, os bipolares podem se preparar para as crises quando estão naqueles bons momentos de que falei. A crise pode ser tão implacável ou inevitável para o bipolar como a neve é para uma colônia de formigas durante o inverno, mas tudo o que foi feito durante o tempo bom ajudará a amenizar ou a enfrentar o que vem durante o tempo mau...

Outro bom exemplo é o dos pescadores. Em alto-mar, eles podem ser surpreendidos por grandes ondas caso surja uma tempestade de repente (a previsão do tempo nem sempre acerta!). As ondas podem chegar a vários metros de altura e é impossível fugir delas em alto-mar. É claro que os pescadores não controlam as forças da Natureza, nem podem evitar tais ondas; mas eles passam por esse perigo da melhor maneira possível porque, antes de saírem para o mar, preparam-se em terra, quando geralmente o sol ainda brilha acima deles.


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