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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Garota Interrompida

Para quem deseja saber um pouco mais sobre "transtorno borderline", há uma ótima postagem chamada Um pouco mais sobre garota borderline, no blog My Fitst, Ana.

Como os transtornos bipolar e borderline são considerados de difícil diagnóstico e, não raro, bipolares são confudidos com borderlines, temos aí um texto muito interessante para os leitores do ME.

Também existe o filme "Garota Interrompida", cuja protagonista é borderline. Quem já viu o filme?


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Qual é a diferença entre bipolar e borderline?

sábado, 30 de julho de 2011

Sou borderline e bipolar? Me explica isso direito

free image from freedigitalphotos.net
Para que admitamos o transtorno borderline como comorbidade no transtorno bipolar, devemos, antes de tudo, caracterizar o TAB como enfermidade.
 
Comecemos com um exemplo bem fácil de entender. Imaginemos um bipolar tipo I, clássico, que alterna fases depressivas com fases maníacas. Tenhamos em mente também os períodos de vida normal dele. Pronto! Temos aí três momentos para analisar. Comecemos pelos dois primeiros.
 
Se temos episódios depressivos e maníacos bem definidos, sem lugar a dúvidas de que são realmente depressão e mania, e se eles se alternam vez após vez, constituindo os famosos ciclos que caracterizam o transtorno bipolar, já é mais que suficiente para que falemos em TAB. O transtorno bipolar não vai se manisfestar mais claramente do que isso!
 
Agora, tenhamos em mente os momentos de vida normal do nosso bipolar tipo I. Com momentos de vida normal, queremos dizer aqueles em que não se manifestam nem depressão nem mania. Agora o bipolar não passa por crises ou espisódios, o humor não está nem deprimido nem elevado. Em poucas palavras, agora o TAB não se manifesta através de crises.
 
E é justamente durante esses momentos de vida normal que devemos procurar elementos que nos permitam caracterizar o transtorno borderline. Não haverá ocasião mais adequada. Durante as crises do transtorno bipolar, você não poderá reconhecer nada ou quase nada que diga respeito ao transtorno borderline, ainda que não seja impossível perceber alguma coisa. Mas, como tanto o diagnóstico de TAB como o de TPB são considerados difíceis, não é necessário que você torne as coisas ainda mais complicadas do que elas já são!
 
Desse modo, é durante os períodos de vida normal do bipolar que encontraremos aqueles sintomas que caracterizam o borderline, se realmente houver esta comorbidade.
 
Mas talvez agora você diga: OK, assim parece simples. Mas como não confundir os sintomas do transtorno borderline, durante esses períodos de vida normal do bipolar, com os sintomas do TAB propriamente dito?

Aí é que entra em campo uma postagem já antiga do Mastigando Estrelas, que está entre as mais acessadas de todos os tempos, Qual é a diferença entre bipolar e borderline?

Tanto o bipolar como o borderline têm variações de humor, mas elas se manifestam de maneiras diferentes. As variações de humor do borderline obedecem a ciclos mais curtos, geralmente durando alguns minutos, às vezes algumas horas. As do bipolar obedecem a ciclos mais longos, isto é, duram pelo menos uma semana ou meses se ainda estamos falando de um bipolar tipo I.
 
O humor do bipolar obedece a fatores internos, isto é, não importa o que aconteça no mundo à sua volta, seu humor permanecerá deprimido enquanto durar a depressão ou continuará elevado enquanto durar a fase de euforia. O humor do borderline obedece a fatores externos, isto é, ele já reage ao mundo exterior, mudando de humor segundos às circunstâncias, daí que é normal que o humor do borderline vá mudando ao longo do dia segundo as situações que ele experimenta.
 
Sob forte pressão ou diante de um conflito, o borderline escapa ou pode escapar à realidade. É como se ele simplesmente ignorasse a questão ou não a tivesse ouvido, mudando de assunto ou dizendo algo desconexo, se participa de uma conversa, por exemplo.
 
Imagine que o borderline não queira viajar de férias para a casa de parentes e que a ideia da viagem o aflija ou o pertube sobremaneira. Talvez tenhamos este diálogo: Vamos viajar, estamos fechando a casa, você vai ficar aí? pergunta a mãe de uma borderline. Tenho tanta vontade de dançar! diz a borderline, liga o rádio e começa a dançar... Ela ouviu que estão fechando a casa porque a família vai viajar de férias?
 
Um bipolar, numa fase de mania, não querendo viajar, talvez ficasse irritado porque foi contrariado, dizendo mil coisas contra a viagem. Um bipolar, numa fase de depressão, talvez fiacasse parado, meio "perdido", ou fosse facilmente convencido a ir, sem mostrar grande oposição à viagem.
 
Outra boa diferença é a visão que cada um deles tem sobre as pessoas.
 
O borderline divide as pessoas em dois grupos bem distintos, ou elas são boas ou elas são más, ou elas são honestas ou elas são desonestas, ou elas só mentem ou elas só dizem a verdade, etc. Não há um bom meio-termo. É algo que nos lembra os personagens lineares dos romances antigos.
 
Há outras diferenças, certamente, mas fiquemos com essas. Já é o bastante para termos uma ideia. Note, entretanto, que o humor instável do borderline fica longe de constituir aqueles ciclos mais longos, de depressão e mania, como no caso de um bipolar tipo I.
 
Mesmo um bipolar tipo misto (o bipolar tipo misto também é tipo I, lembremos), mesmo um bipolar tipo misto não deve ser confundido com um borderline. O bipolar misto, mesmo aquele que alterna sintomas de depressão e euforia num só dia, terá episódios que duram pelo menos 7 dias e períodos de vida normal, isto é, ainda neste último caso teremos aqueles ciclos mais longos que caracterizam o TAB. Esses ciclos mais longos, como eu disse, não existem no TPB, ainda que o borderline também possa sofrer de uma depressão que já não é exatamente aquela que vemos no TAB.
 
O que acontece é que um bipolar misto pode ser confundido ainda mais facilmente com um borderline, porque os sintomas de depressão e euforia, se eles se alternam rapidamente, podem lembrar aquelas variações de humor mais curtas do boderline. Ainda assim, queria notar que esses sintomas de depressão e de euforia do bipolar misto constituem o humor misto, isto é, constituem um só estado de humor e, não, vários estados de humor.
 
Na cilcagem ultradiana, sim, temos vários episódios (e não um só) acontecendo num só dia ou ao longo de um período de horas.
 
Detalhe. Outra maneira de o episódio misto se manifestar é aquela em que os sintomas de depressão e euforia coincidem. Também há o episódio misto inespecificado, que pode não durar 7 dias.
 
Além do mais, tenhamos em mente que o TPB não é a única comorbidade possível no TAB. Há inúmeras outras. TDAH e TEPT, por exemplo, também podem fazer uma confusão dos diabos quando se busca o diagnóstico correto de TAB. Daí que o diagnóstico correto nem sempre está correto...
 
Mas, para não irmos além do que o título da postagem prometia, daqui por diante tenhamos em mente apenas os transtornos boderline e bipolar.
 
Embora TAB e TPB possam ser confundidos facilmente um com o outro num primeiro momento ou durante muitos anos, há diferenças entre eles. Você pode ser borderline, você pode ser bipolar ou você pode ser tudo junto e misturado. Em linguagem mais correta, você pode ser bipolar, boderline ou bipolar tendo como comorbidade o transtorno borderline.
 
Ainda sobre o TPB como comorbidade no TAB, não sei se todos os médicos veem o transtorno borderline como possibilidade de comorbidade, mas creio que ao menos a maioria esteja a par da questão.
 
Espero ter explicado direito. Qualquer coisa, escrevo outra postagem. Vamos ver...
 
 
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Diana BBB11 - análise psicólogia
Qual é a diferença entre bipolar e borderline?
O que os leigos deveriam saber sobre bipolares

domingo, 26 de junho de 2011

Qual é a diferença entre bipolar e borderline?

Entendamos melhor a diferença entre bipolar e borderline. Comecemos falando de instabilidade emocional e, mais adiante, você entenderá por quê.


Instabilidade emocional

No transtorno de personalidade emocionalmente instável, o humor varia dentro de um tempo menor (segundos, minutos, no máximo horas). No transtorno bipolar, o humor varia dentro de um tempo maior (dias, semanas, meses), obedecendo a ciclos.

Quem é emocionalmente  instável (ou seja, quem sofre de instabilidade emocional) tem um humor que se altera devido a fatores externos (o que acontece em volta). Quem é bipolar tem um humor que obedece a fatores internos (que independem do que acontece em volta). Veja:

O instável vai mudando de humor ao longo do dia, segundo as situações que encontra. O bipolar mantém o humor maníaco enquanto durar a fase de mania (uma semana no mínimo); e mantém o humor depressivo enquanto durar a fase depressiva (dois meses no mínimo).

Mesmo aquele bipolar misto que alterna rapidamente momentos de euforia e de depressão não é tão inconstante como quem sofre de transtorno de personalidade emocionalmente instável. A diferença, nesse caso, pode ser pequena; mas existe.

(Mencionando Perugi, poderíamos ver o estado misto como um estado de instabilidade emocional em que euforia e depressão coexistem ou flutuam dentro do mesmo quadro. Ainda assim, mesmo vendo a coisa por esse ângulo, note que ainda estamos falando de estados mistos e, num caso de TAB, haveria outros elementos a levar em conta. Mas basta; neste post estamos buscando diferenças e, não, semelhanças!)

A instabilidade emocional está dividida em dois subtipos; um deles é o borderline, que é o transtorno boderline propriamente dito.


Borderline

Além do humor borderline ser mais curto como explicado acima (porque varia dentro de um tempo menor), há outras diferenças.

A indentidade do borderline é menos definida; ele não sabe exatamente quem é ou o que quer, e isso inclui a sexualidade. Já o bipolar tem uma identidade mais sólida; ele sabe quem é e o que quer.

Falando apenas de sexualidade, ou de identidade sexual, é mais provável encontrar um bissexual entre borderlines que entre bipolares, especialmente se não estamos falando de uma única experiência sexual, mas de várias. (Decidi escrever este parágrafo pensando naquelas bipolares que relataram ao menos pensar ou já ter pensado em outra mulher ou já ter experimentado pelo menos um beijo de outra mulher. À parte isso, não deixemos de ter em mente que a identidade do bipolar já é sólida ou definida enquanto a do borderline, não.)

O borderline divide as pessoas em dois tipos bem restritos. Exemplo: ou uma pessoa  é boa, só tem qualidades, ou ela é má, só tem defeitos. Não há um bom meio-termo. Mas veja; a opinião pode mudar: Se alguém que o borderline considera bom, perfeito, o decepciona fazendo algo real ou apenas imaginado, o borderline irá considerá-lo mau, tendo uma opinião oposta à anterior, sem achar um meio-termo.

Se você já leu romances românticos do século XIX, como Escrava Isaura, sabe o que é ver as pessoas divididas em apenas dois grupos restritos; porque nessas histórias os personagens ou são só qualidades (o mocinho, a mocinha, etc.) ou são só defeitos e maldade (o vilão, etc). Na vida real, como sabemos, as pessoas têm qualidades e defeitos, e nem sempre é fácil dizer quem é bom e quem é mau. Em poucas palavras, ninguém é inteiramente bom; ninguém é inteiramente mau (a não ser para o boderline, é claro!).

Sendo assim, já podemos dizer que a identidade e o humor do bipolar são diferentes dos do borderline; e que o borderline tem aquele pensamento extremista que divide as pessoas em dois tipos bem restritos.

Sobre depressão, algo que afeta tanto o borderline como o bipolar, eu diria que mesmo a depressão do borderline, intermitente, é diferente daquela do bipolar, contínua.

Há outras diferenças, certamente, entre ambos os transtornos.

(Sobre qual relação pode haver entre transtorno bipolar e transtorno borderline, se eles são a mesma doença, se eles podem acontecer ao mesmo tempo, etc., tudo isso ainda tem pelo menos um pé no campo das discussões e, por ora, não é possível fazer muitas afirmações. Seja como for, quando essas discussões finalmente tiverem acabado daqui a 50 ou 100 anos, publico um novo post. Por enquanto, fiquemos com este aqui.)


Bipolar e borderline

(Os fragamentos abaixo foram retirados do post 12 de junho bipolar, que já tocava no assunto. Vale a pena reler.)

Imagine um bipolar tipo I, que alterna fases de mania e de depressão. A mania durará pelo menos uma semana. A depressão, pelo menos dois meses. Haverá periodos de vida normal. Isso quer dizer que o humor varia dentro de semanas ou meses. Não é a variação de humor que vemos num borderline por exemplo.

Num borderline, o humor varia dentro de um tempo muito menor. Segundos, minutos, quando muito horas. Não há fases longas, por assim dizer. É claro que há outras boas diferenças entre transtorno bipolar e transtorno borderline; e é claro que, dependendo do bipolar, as diferenças entre ambos os transtornos podem ser bem pequenas. Mas não nos alonguemos; não nos alonguemos muito.

O que eu ainda gostaria de dizer é isto: Tente se lembrar de histórias de amor interrompidas, vividas por bipolares. Obviamente, os bipolares não estão isentos de serem traídos, humilhados, maltratados, etc., como qualquer pessoa normal. Mas veja que muitas bipolares ainda pensam em seus ex-namorados e desejam reatar com eles um dia, ainda que agora vejam neles defeitos que antes elas não viam. Uma borderline veria o ex que a traiu ou a humilhou como um verdadeiro demônio, que só tem defeitos; e se ela antes o queria, agora já não o quer.

Instabilidade emocional (mudar de humor a cada segundo, a cada minuto), não saber direito o que quer (isso agora é bom, isso agora é ruim), achar alguém perfeito e depois a pior das pessoas, sem haver meio-termo, sem haver transição, essas são características que dizem respeito essencialmente ao borderline, ainda que possam nos lembrar bastante um bipolar. Veja: Se você é uma bipolar e ainda ama seu ex que a traiu ou a abandonou, isso mostra que, apesar das suas variações de humor, você ainda sabe o quer e percebe que, se ele não era perfeito, pelo menos não era tão mau assim... Dá pro gasto... Uma borderline agiria de outro modo.


Conclusão

Enfim, diferentemente do que muitos pensam, instabilidade emocional não é TAB, mas outro transtorno, que pode ser borderline, um subtipo de instabilidade emocional.


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domingo, 12 de junho de 2011

12 de junho bipolar

Já houve o tempo em que o casamento arranjado era comum. O namoro, quando havia, se resumia a algumas conversas do noivo com a noiva, sempre em ambiente familiar ou coisa que o valha. O noivo ia à casa da noiva e, ao menos teoricamente, eles ficavam a sós para uma conversa, para se conhecerem melhor. Na prática, havia alguém próximo, nos bastidores, para garantir que a conversa realmente não passasse de um colóquio...

A convivência vinha depois do casamento.

Mas, mesmo quando o casamento não era arranjado, ao menos o namoro acontecia assim, sob os cuidados ou a supervisão de alguém. Porque a mulher era um produto que pertencia ao pai. O pretendente devia comprar a noiva ou ao menos pedir autorização ao dono para levá-la. Do contrário, era o mesmo que um roubo ou tentativa de roubo. Mas às vezes era o dono (o pai) que oferecia algo para que a filha se casasse, pelo menos, com alguém à altura (no caso de ninguém à altura estar interessado, é claro!). Da década de 60 para cá é que tudo mudou bastante...

Mas uma bipolar que se casasse nessas cricunstâncias não passaria por tantas relações amorosas mal-sucedidas, como é comum entre bipolares. Ela acabaria se casando mais facilmente. Ainda assim, a convivência com o outro não deixaria de existir, pelo contrário, é aí que realmente começaria! Imagine isso numa época em que não havia divórcio ou desquite... O drama da civilização ocidental já tem milênios... As primeiras descrições do TAB também.

Mas agora imaginemos um homem bipolar. Tudo muda. Como ele poderia se casar numa época assim, em que cabia rigorosamente ao homem o sustento da família? Um bipolar que passasse boa parte do tempo desempregado e que dependesse de relações de compadrio para conseguir uma noiva, teria mais dificuldades para se casar.

Digo relações de compadrio porque é algo típico na Sociedade patriarcal, a qual predominou até décadas atrás, no Brasil e no mundo, não tendo deixado de existir em alguns países, nem desaparecido completamente no Brasil até os dias de hoje...


Van Gogh

Vejamos o caso de um bipolar famoso. Van Gogh dependia da ajuda de familiares e de terceiros para viver, e foi assim até o fim de sua vida. Até mesmo a arma com que ele pôs fim a seus dias lhe foi emprestada por seu irmão... Ao menos ele efetuou o disparo quando estava num lugar bonito, no campo de trigo que ele havia retratado dias antes...

Pois bem! Agora que já dissemos que Van Gogh não era capaz de se sustentar sozinho, falemos de sua prima, por quem ele se apaixonou. Ele chegou a dizer que gostaria de se casar com ela. A resposta foi um categórico eu nunca me casaria com você...

Ainda assim, suponhamos que ela tivesse aceitado. O que teria acontecido? Naturalmente ela teria engravidado e ele seria responsável pelo sustento de... 3? 4? 10? Bem... isso depende do número de filhos que eles teriam... Lembre-se de que estamos na Holanda do século XIX...

Van Gogh não chegou a viver para ver a fama e o dinheiro oriundos de suas telas. Seria o bastante para que ele tivesse uma modesta vida de milionário...  


Napoleão

Talvez alguém queira falar das relações amorosas de um bipolar bem-sucedido ainda em vida. É claro que tudo mudou depois que Napoleão se tornou imperador. Mas estamos falando de como as variações de humor tornam as relações amorosas mais difíceis e, não, de como o Poder pode facilitar essas relações. Sendo assim, nos lembremos da vida ainda humilde de Napoleão, antes de começar a subir na carreira militar. Nessa época, consta que ele requisitou o amor de várias mulheres, pedindo-as em casamento e sendo rejeitado até mesmo pelas mais improváveis mulheres...

Para ele, foi mais fácil conquistar a Europa do que consquistar o amor de uma mulher. Ou pelo menos as coisas parecem ter vindo nessa ordem (boa parte da Europa primeiro, amor de uma mulher depois) se temos em mente Marie Velawska, Maintenant que Marie l'ame (Agora que Marie o ama), como diz Castelot numa biografia de Napoleão que eu li muito tempo atrás e que meu cérebro fez o favor de guardar para esta ocasião...

Mas o que eu quero dizer com isto tudo? Resposta:

As variações de humor fazem com que os relacionamentos amorosos se tornem mais difíceis. Não digo impossíveis, mas digo que, de outro modo, eles seriam mais fáceis.

Talvez alguém diga que a hipomania faz do bipolar um irresistível Don Juan, o que me lembra um ditado que diz que O vinho faz do príncipe um poeta, e do poeta um príncipe. Mas o efeito da euforia, assim como o do vinho, passa. Além do mais, a euforia e o vinho também podem ter o seu lado nada romântico... Por fim, lembre-se de que estamos falando de relações amorosas de longo prazo e, não, da conquista de uma noite...

O bipolar, para ter maiores chances de viver uma história de amor longa, deve reagir em função do outro e, não, em função de seu próprio humor, que obedece a fatores internos.

O mais sensato, para viver um grande amor, é estabilizar o humor em vez de deixá-lo sem rédeas. O TAB não deveria ser um cavalo selvagem ou arisco, mas domado. Quanto mais o humor estiver estabilizado, melhor. Um bipolar pode se sentir muito bem numa fase de euforia, mas e a outra pessoa? o namorado? o noivo? o marido? Podemos nos esquecer do outro numa relação a dois?

Voltemos aos nossos dias e vejamos estes números. De 60 a 70% dos esquizofrênicos não se casam. Mas o que dizer de bipolares? Os números que tenho se referem a divórcios. De cada 10 casamentos, 9 acabam em divórcio quando um dos cônjuges é bipolar...

Não falarei de preconceito aqui, mas em outro post. Hoje eu só queria falar das variações de humor, que tornam um relacionamento menos fácil... Mas a instabilidade de humor não acontece só com bipolares. Antes de tudo, entendamos melhor como o humor do bipolar varia.

Imagine um bipolar tipo I, que alterna fases de mania e de depressão. A mania durará pelo menos uma semana. A depressão, pelo menos dois meses. Haverá periodos de vida normal. Isso quer dizer que o humor varia dentro de semanas ou meses. Não é a variação de humor que vemos num borderline por exemplo.

Num borderline, o humor varia dentro de um tempo muito menor. Segundos, minutos, quando muito horas. Não há fases longas, por assim dizer. É claro que há outras boas diferenças entre transtorno bipolar e transtorno borderline; e é claro que, dependendo do bipolar, as diferenças entre ambos os transtornos podem ser bem pequenas. Mas não nos alonguemos; não nos alonguemos muito. Afinal, isto aqui é o 12 de junho bipolar e, não, o 12 de junho borderline!

O que eu ainda gostaria de dizer é isto: Tente se lembrar de histórias de amor interrompidas, vividas por bipolares. Obviamente, os bipolares não estão isentos de serem traídos, humilhados, maltratados, etc., como qualquer pessoa normal. Mas veja que muitas bipolares ainda pensam em seus ex-namorados e desejam reatar com eles um dia, ainda que agora vejam neles defeitos que antes elas não viam. Uma borderline veria o ex que a traiu ou a humilhou como um verdadeiro demônio, que só tem defeitos; e se ela antes o queria, agora já não o quer.

Instabilidade emocional (mudar de humor a cada segundo, a cada minuto), não saber direito o que quer (isso agora é bom, isso agora é ruim), achar alguém perfeito e depois a pior das pessoas, sem haver meio-termo, sem haver transição, essas são características que dizem respeito essencialmente ao borderline, ainda que possam nos lembrar bastante um bipolar. Veja: Se você é uma bipolar e ainda ama seu ex que a traiu ou a abandonou, isso mostra que, apesar das suas variações de humor, você ainda sabe o quer e percebe que, se ele não era perfeito, pelo menos não era tão mau assim... Dá pro gasto... Uma borderline agiria de outro modo.

Enfim, diferentemente do que muitos pensam, instabilidade emocional não é TAB, mas outro transtorno, que pode ser borderline, um subtipo de instabilidade emocional. Mas esse aí já é assunto para outro post... (Pelas minhas contas, já estou devendo três posts a vocês, só porque escrevi este aqui!).


Conclusão? Invista na estabilização do humor e na psicoterapia. A longo prazo, isso fará toda a diferença se você está pensando em relacionamentos duradouros. Desse modo, você terá praticamente as mesmas chances de um não-bipolar no amor... Pode não ser muito; mas, como dizem os espanhóis, algo es algo (pouco é melhor que nada; já está bom para começar ou recomeçar)...


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terça-feira, 5 de abril de 2011

Diana BBB11 - análise psicológica

Não estou fazendo nenhuma afirmação, nem deveria, e ai de mim se fizesse! Mas, como todo tolo tem direito a fazer ao menos algumas perguntas tolas, eu farei esta: A Diana sofre de TEPT? Talvez Borderline? Os bons psiquiatras e psicólogos sabem do que estou falando...

Antes de mais nada, tentemos encontrar, na Diana, estas características:

a) transtorno de personalidade;
b) comportamento antissocial ou agressivo;
c) retraimento ou timidez;
d) visão distorcida de si mesma, inferiorizada.


Transtorno de personalidade

Comecemos com o que é mais fácil. Sobre trasntorno de personalidade, ela mesma já falou sobre isso, além da confirmação por parte de sua família, de modo que, sobre isso, não haveria dúvidas. (Ah,sim! Estamos no século XXI, mas minha gramática é antiga; não por preconceito, mas porque ainda não assimilei completamente a nova!)


Comportamento antissocial ou agressivo

- Me masturbei na casa nove vezes. Ia fazer 11, mas saí antes. Não deu – diz rindo. (Diana, jornal Extra)

Sobre comportamento antissocial, o que poderia ser visto como tal? De modo geral, estas atitudes ou hábitos não são aceitos ou não são aceitos facilmente pela Sociedade: uso frequente de palavrões; masturbação (várias vezes durante o BBB); fumo; nudez parcial; etc.
A virtude ou a coragem de falar tudo pela frente, se temos a ideia de que isso pode ofender, também pode ser entendida como agressividade. Obviamente, ela pode fazer isso sem se dar conta, claramente, de que o faz.


Retraimento (como parte de TEPT)

Sobre retraimento ou timidez, talvez um observador mais desatento diga que ela é ousada, "pra frente", extrovertida. Pode ser... Mas, sobre isso, eu diria que ser ousada, "pra frente" ou extrovertida parece fazer mais parte de sua personalidade que de seu temperamento, talvez tendo a ver com um possível TEPT, que é a pergunta fundamental deste post.

Ela, no fundo, no fundo, parece se retrair ou ser tímida. A sua agressividade parece uma barreira levantada entre o mundo externo e seu temperamento, isto é, tem mais a ver com algo adquirido por ela ou provocado nela. E é entre as brechas ou pequenos furos que há nessa barreira ou muro de defesa, que eu tento enxergar, procurando ver o que há do outro lado...

Além do mais, quando essa barreira foi levantada?


Visão distorcida de si mesma

- Nua não sei, acho que não tenho corpo perfeito para isso – diz, mas quando perguntada se faria um ensaio sensual com Natalia, ela parece mais inclinada a aceitar: - Ah. Acho que sim, talvez. (Diana, jornal Extra)

Sobre visão distorcida de si mesma, antes de tudo, eu diria isto: Ela faria um ensaio sensual com outra mulher, mas não faria um ensaio completamente nu com outra mulher. (Quem assistiu ao Faustão domingo, sabe do que estou falando; o progama do Faustão é mais recente que a matéria do Extra.) Sendo assim, o que podemos dizer sobre isso?

Poderíamos falar em retraimento ou em visão inferiorizada de si mesma quando ela tem de se expor completamente, fazendo um ensaio inteiramente nu; mas, do contrário, quando há apenas um ensaio sensual com outra mulher, isto é, quando há antes de tudo uma atitude que poderia chocar ou chocar os outros mais que expô-la , tal retraimento devido a uma visão distorcida de si mesma parece não existir. Daí que, de tudo, a ideia que nos resta mais fortemente é a de comportamento antissocial.

Mas veja bem. Antissocial para as pessoas em geral. De minha parte, digo que eu não ficaria chocado nem um pouco com seus comportamentos antissociais. Me chocam de verdade certas notícias sobre Política ou Economia... além de me afetarem.

Ainda sobre visão distorcida, eu diria que outras mulheres procuravam expor o corpo o máximo possível, ou pelo menos mais que a Diana, estando a maior parte do tempo com pouca roupa; e que ao menos algumas vezes elas mostravam uma nudez parcial, sem querer, é claro, como é tão comum... E não vejo no que a Diana seria menos bonita que elas, para não recorrer ao mesmo artifício ou recurso a fim de chamar a atenção dos telespectadores.

Me parece que só uma vez lhe veio à cabeça a ideia de mostrar os seios, isto é, a ideia de seminudez como artifício ou recurso, quando estava perto de enfrentar um paredão. (E digo que me parece que só uma vez porque não acompanhei o BBB todos os dias, como deveria tê-lo feito para entender melhor a Diana; mas vá lá, continuemos... Perdoem-me essa mancada, e aceitem, em compensação, minha sinceridade em confessar meus pecados televisivos...)

Ainda a respeito da nudez parcial da Diana, há algo que um telespectador parece ter notado bem, porque ele comentou na Net: "Diana meio que timidamente cumpriu a palavra e pulou [semi]nua na piscina."

Daí que seu comportamento antissocial parece não ser maior apenas que seu retraimento ou visão distorcida de si mesma. Talvez ela se ache feia ou já tenha se achado feia em algum momento de sua vida, não deixando de levar essa ideia adiante, ainda que em menor grau, ao longo do tempo...

Obviamente, pode haver vários outros motivos para ela não ter exposto mais o corpo no BBB, ainda que estejamos falando de seminudez, ou para não expô-lo completamente agora, totalmente nu, numa revista.


Atos falhos e associação de ideias

Meu bom amigo psicólogo e meu bom amigo psicanalista devem ter notado ao menos um ou outro ato falho; e também devem ter notado a que tipo de evento ela associa esta ou aquela ideia.

Meu bom amigo psicanalista deve ter procurado descobrir por que a Diana não tem tatuagens. Obviamente, a resposta de que ela não gosta de agulhas não é uma resposta, porque nos obriga a uma nova pergunta: por que ela não gosta de agulhas? Tendo vários comportamentos antissociais, por que justamente este lhe escapa?

No quarto do Líder, com Natalia e Cristiano, o que houve? Tentemos entender. Se Cristiano tem mãos de polvo, isso faz com que venha à mente da Diana a ideia de quê? Opções: 

a) alguém que a incomoda, a faz se aborrecer, ter raiva;
b) alguém que a incomoda, a deixa constrangida, a leva a retrair-se;
c) alguém que tenta ou tentará violá-la (lembremo-nos das palavras do diálogo com a Paula);
d) alguém que a faz voltar-se para outra pessoa, a Natalia (tenhamos em mente a reação da Diana, que disse ter dormido de conchinha com a Natalia. Obviamente, ela dormiu assim depois das mãos de polvo do Cristiano).

Também tentemos responder a esta pergunta: a reação ou a frase dita pela Diana é proporcional ao que aconteceu no quarto do Líder? Durante o diálogo com a Paula, a Diana estava brincando ou estava séria? Que expressão ela tinha?

Se ela realmente se sentiu quase violada, por que não abandonou o quarto do Líder ou pelo menos a cama? Racionalmente, ela deve ter entendido que as mãos de polvo de Cristiano não representavam um perigo de quase ser violada, mas, inconscientemente, a ideia que lhe veio à cabeça (e, mais que à cabela, aos lábios; porque não podemos ler pensamentos) foi a de violação.

Quem assistiu ao BBB com mais frequência ou 24h por dia, em tempo real, obviamente deve ter mais elementos para analisar.


Conclusão

Como se trata de uma mulher, meu bom amigo psiquiatra ou psicólogo associaria o transtorno de personalidade da Diana a determinado evento localizado em sua adolescência. Seria o evento mais óbvio para justificar o seu transtorno de personalidade. Esse evento explicaria o retraimento e visão distorcida de si mesma.

Sobre o comportamento antissocial, meu bom amigo psiquiatra ou psicólogo lembraria que ele está mais associado a pessoas que sofreram agressão ou violência física, ou que tiveram relação íntima com tais eventos de algum modo. Isso poderia estar associado àquele outro evento de que falamos no parágrafo acima, ou ser o mesmo evento.

Já teríamos aí um evento que justicasse um possível TEPT. Obviamente, não podemos afirmar tal coisa, nem poderíamos, e ai de nós se o fizéssemos! Estamos comendo pelas beiradas, tentando chegar ao TEPT correndo por fora, tentando emparelhar... Tudo o que foi dito acima é mais uma pergunta sem resposta que uma resposta propriamente. Não temos elementos suficientes para chegar a um diagnóstico, nem poderíamos ter. Este post se contenta em perguntar.

Tudo o que foi dito acima, para fins de diagnóstico, são apenas migalhas, retalhos... meia dúzia de peças de um quebra-cabeças que teria, no mínimo, 100 peças... Enfim, meia dúzia de peças que poderia nos dar uma visão bem diferente da real imagem desse quebra-cabeças.


Poeticamente falando...

Com bastante licença poética, eu diria que a Diana é uma menina, uma criança que, para estar entre adultos, adotou algumas atitudes ou defesas. É como se ela usasse uma armadura que, de vez em quando, solta uma parte ou outra; e então vemos algo mais que essa armadura...


A favor

A favor da Diana, eu poderia ter dito muitas coisas, se não tivesse me preocupado em entender isto ou aquilo... Mas o faço aqui.

Ela foi uma das participantes mais interessantes (senão a mais interessante) do BBB. É claro que alguns daqueles comportamentos antissociais chocam ao menos uma parte das pessoas, mas, do contrário, não seriam vistos como antissociais... O que eu quero dizer é que, para quem busca encontrar uma pessoa de carne e osso ao assistir ao BBB, ela foi talvez o que houve de melhor.

Tendo em mente todas as edições do BBB, eu diria que até o Mickey Mouse tem mais profundidade psicológica que certos participantes! Não digo todos os participantes, mas ao menos uma parte deles... E não, não mencionemos nomes para não acender certos ódios... Ao menos com respeito a isso, não ajamos como a Diana... Ela que nos perdoe.


BBB

Novamente, não mencionemos nomes. Mas alguns participantes são tão infantilizados, que ou eles fingem ou eles realmente têm uma idade mental baixíssima. Se um desses participantes, agindo assim, consegue ser popular ou até mesmo vencer o BBB, já nos dá uma boa ideia de nossa idade mental média ou de nossa falta de senso crítico...

Obviamente, ainda que a idade mental média das pessoas seja realmente baixa, devemos lembrar que conseguir a simpatia dos telespectadores que estão abaixo dessa média é igualmente importante. Daí a necessidade de ter ou representar uma idade mental abaixo da média, além de adotar outras características, a fim de gerar empatia. Afinal, voto é voto; e vence quem é mais popular e, não, quem é mentalmente mais desenvolvido...

Na Política, na campanha eleitoral, é tal e qual. E é por isso que eu dizia, acima, que aquilo que realmente me choca são certas notícias sobre Política ou Economia...

Basta.


Provavelmente

Provavelmente a Diana não lerá isto que escrevo, mas, às vezes, encontramos pessoas de carne e osso entre os personagens de desenho animado que costumam participar do BBB. Se Fernando Pessoa participasse do programa, provavelmente diria (perdoem-me a paráfrase!): Arre, estou farto de desenhos animados! / Onde é que há gente no BBB? // Então sou só eu que é vil e errôneo neste programa? Felizmente o BBB costuma contar com ao menos algumas pessoas de carne e osso, e uma delas, no BBB11, foi a Diana.


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