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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um bipolar e sua razão para lutar

O relato abaixo foi traduzido do Blog Hispano Trastorno Bipolar. Se preferir ler este relato na íntregra e em seu idioma de origem, clique aqui.


A seguinte experiência, diz José Luís, autor do Blog Hispano Trastorno Bipolar, nos foi enviada por um amigo da Argentina. M.C. mal tem 24 anos, mas já sabe bem o que é lutar dia após dia contra a enfermidade.

Vejamos a experiência de M.C.


Faz pouco mais de um ano, diagnosticaram-me com esta enfermidade e desde esse momento minha vida mudou para sempre...

Passei-a viajando, vendo todo tipo de psiquiatras e lendo livros referentes ao tema. Adquiri certo conhecimento... mas custou-me muito assumir o transtorno. Tentei mil vezes levar uma vida normal, como qualquer pessoa, mas dei-me conta de que sozinho ninguém consegue.

Tive minhas recaídas... e inclusive estive uma época internado em um hospital psiquiátrico. Caí com um quadro psicótico devido a problemas com o álcool... Pelo que leio, tristemente é algo comum na enfermidade e algo que se deve evitar.

Depois de passar uma época internado e melhorar um pouco, tive outra recaída, mas desta vez com um quadro de depressão "profunda". Foi um momento delicado, doloroso e grave. Não queria voltar a passar por isso nunca mais.

Acordava todos os dias pensando como fazer para tirar-me a vida da maneira menos dolorosa, tanto para mim como para minha família.

Mas graças a duas pessoas importantíssimas em minha vida não cheguei a cometer tal loucura. Essas pessoazinhas queridas são meus filhos. Tenho 2, uma menina de 5 aninhos e um menino de 4.

Eles são a razão pela qual acordo todas as manhãs, e é também por isto que quero curar-me.

Eu confesso; está custando-me muito porque não tenho uma pessoa que esteja ao lado meu, como quero, para que me apoie na luta... Estou praticamente sozinho nisto... e por isso é bom conhecer pessoas como vocês...

Hoje em dia, tenho um sonho: Constituir uma família.

Não vou jogar a toalha. José Luís, quero felicitar-te de novo pela página que criou... Foi de grande ajuda ler o que pensam as pessoas que passam pelo mesmo que eu.

Saudações,

M.C.


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domingo, 7 de agosto de 2011

Bipolares são realmente violentos?

Esta matéria foi traduzida do site Noticiero Diario, da Argentina. Se preferir ler esta matéria na íntegra e em seu site de origem, clique aqui.

A matéria me pareceu tão interessante, que decidi compartilhá-la com vocês. Ei-la abaixo, em itálico.


(...)

De acordo com um estudo, as pessoas com enfermidades mentais severas como o transtrono bipolar não têm por que ser mais violentas que o resto, a menos que abusem das drogas ou do álcool.

 
Frequentemente, exagera-se a relação entre os distúrbios bipolares e a violência, assinalam os pesquisadores.

 
O transtorno bipolar causa mudanças de humor repentinas e imprevisíveis, mais bruscas que os altos-e-baixos da vida normal.

 
A pesquisa, levada a cabo pelo Departamento de Psiquiatria de Oxford, examinou as vidas de 3.700 pessoas na Suécia que haviam sido diagnosticadas com transtorno bipolar, comumente conhecido como depressão maníaca, e comparou o comportamento delas com o de seus irmãos e o de quase 40.000 pessoas "sãs".


Mudanças de humor bruscas 

(...)

A equipe, dirigida pela psiquiatra forense Seena Fazel, pretendia demonstrar o refutar a crença comum de que existe uma relação entre este transtorno e certos crimes violentos.

 
Os resultados, publicados na revista Arquivos de Psiquiatria Geral, mostram que as taxas de criminalidade entre as pessoas mentalmente enfermas que abusavam de drogas não são diferentes das da população geral com os mesmos hábitos.
 
Em ambos os grupos, o índice de delitos violentos é entre seis e sete vezes maior que a média da população geral.

 
"Na maioria das vezes, a relação entre doenças mentais e a violência pode ser explicada pelo abuso do álcool e das drogas", destacou Fazel.

 
Se eliminamos o fator álcool e drogas, apontou a especialista, a enfermidade por si só tem uma influência "mínima" ou nula na violência.

 
Neste sentido, um dos autores do estudo assegurou que provavelmente seja mais perigoso passar diante de um bar à noite que por um hospital psiquiátrico.


Estigmas

(...)

No entanto, o estudo destacou que as pessoas que padecem de transtornos bipolares têm dez vezes mais probabilidades de abusar das drogas e da bebida que o resto da população, já que tendem a utilizar essas substâncias para contrabalançar os efeitos da medicação ou para aliviar os sintomas da doença.

 
Recentemente, um estudo elaborado por vários dos pesquisadores que participaram deste chegou a conclusões similares no caso da esquizofrenia.

 
Estes achados parecem corroborar os argumentos de certas organizações de ajuda a doentes mentais, que defendem que os estigmas associados a esse tipo de afecções não estão justificados por provas médicas.

 
"Esses vínculos se exageram com frequência quando na verdade os doentes mentais são mais frequentemente vítimas de delitos que culpados. Esse estigma estraga vidas", comentou Paul Farmer, diretor da ONG de saúde mental britânica Mind.


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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Enfrentando a vida com Transtorno Bipolar

O relato abaixo foi traduzido do Blog Hispano Trastorno Bipolar. Se preferir ler este relato na íntregra e em seu idioma de origem, clique aqui.


 

Outro relato... Quem no-lo conta, vai explicando José Luís, do Blog Hispano Trastorno Bipolar, é uma amiga diagnosticada com transtorno bipolar um pouco tarde, após ter sofrido várias crises agudas. Ela nos diz como sua vida mudou e como ela enfrenta seu dia-a-dia e suas relações com os demais... Apesar dos duros momentos que lhe coube viver, a esperança e o amor de seus amigos e família têm-lhe permitido que siga adiante.


Vejamos o relato da srta. S. Ortega.


 

Eu lhes escrevo para comentar como minha vida mudou desde quando comecei a sofrer de transtorno bipolar...


Desde quando eu era muito pequena, minha mãe diz que notava coisas diferentes em mim. Havia épocas em que me isolava de todo o mundo e só brincava com minhas bonecas. Enquanto isso, minha mãe se aporrinhava uma vez após outra procurando conseguir-me amiguinhas com quem brincar. Em outras ocasiões, pelo contrário, eu mesma me rodeava de muitíssimas amigas e parecia muito sociável.


Assim foi passando minha infância e adolescência, até que cheguei aos 18 anos e sofri minha primeira crise.


Depois do episódio, deixei o curso universitário que estava frequentando e me desesperava, com medo de que as pessoas falassem mal de mim, de que pensassem que eu estava louca. Refugiei-me nos Estados Unidos, país no qual continuo vivendo. Mas, para minha surpresa, as crises continuaram e a cada vez faziam-se mais agudas... Finalmente, recordo que fui parar no hospital e estive internada mais de uma semana por ter tentado suicídio.


Mais tarde, as coisas se complicaram com o nascimento de meu único filho... e, se não fosse pela ajuda incondicional de meus pais, eu não teria podido cuidar dele. Agora, depois de quase 11 anos, pude encontrar um bom médico que finalmente diagnosticou corretamente minha enfermidade e receitou-me a medicação adequada. Atualmente, tomo 4 comprimidos diários de Tegreto 200mg e melhorei muitíssimo... mas minha vida deu uma volta de 360 graus.

 

Já não posso sair à noite porque a menor mudança em meus hábitos de dormir me desequilibraria totalmente. Tenho que me levantar e me deitar nos horários de sempre...

 

Tampouco posso beber álcool e perdi a maioria de minhas amizades porque já não posso sair com eles. Mas graças a Deus tenho minha família e também novos amigos que têm me ajudado a continuar com minha vida normal... Hoje em dia, meu doutor considera que devo tomar um comprimido extra, porque ainda tenho depressões, mas cada vez menores.

 

Viver com o transtorno bipoar é muito difícil, e ao dizer isto meus olhos se enchem de lágrimas. Não posso evitar que minha voz se embargue ao recordar todos os momentos difíceis que passei e continuo passando.

 

Uma enfermidade como esta é um desafio muito grande para qualquer pessoa, mas sou muito grata ao trabalho dos psiquiatras e cientistas em sua interminável busca para aliviar os males que afetam nossa sociedade. No particular, ser bipolar serviu-me para explorar ao máximo a espiritualidade, adquirir conhecimentos e enriquecer minha mente.

 

Quero olhar para trás e lembrar os momentos felizes que vivi, mas é inevitável sentir a angustiante sensação que me produziu recordar as penúrias que passei. Agora tenho 30 anos e não sei quais são as probabilidades de que me case e tenha mais filhos...

 

O doutor não recomenda que eu tenha mais filhos por duas razões: A primeira é que teria que deixar de tomar o Tegreto durante o período de gestação, o que implica que eu teria crises na ordem do dia. A segunda é que o bebê teria probabilidades de herdar o transtorno bipolar.


Por outro lado... conhecer um homem que te aceite com esta enfermidade tampouco é fácil.


Este é meu testemunho sobre a bipolaridade. Obrigada.


S. Ortega



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domingo, 24 de julho de 2011

Transtorno Bipolar e Razões Para o Otimismo, de José Luís

Este texto foi traduzido do Blog Hispano Trastorno Bipolar. Se preferir ler este post na íntegra e em seu idioma de origem, clique aqui.
 
 
Não se trata apenas de uma convicção pessoal, que, a cada dia que passa, se faz mais forte em meu coração... e no coração de milhares de pessoas no mundo. Não é só o produto de uma esperança cega, nem de uma fé extrema nos avanços médicos... Nem, muito menos, eu baseio esta afirmação em minha ferrenha crença de que com valor, esforço e amor tudo é possível.

Assim José Luís, autor do Blog Hispano Trastorno Bipolar, vai escrevendo este post para seu blog.
 
Existem objetivamente vários motivos pelos quais se pode e se deve ser otimista.
 
O primeiro e mais importante é a compreensão física e biológica da enfermidade. Nos últimos 15 anos, o investimento tanto público como privado provocou um salto importantíssimo nas pesquisas em comparação com o período anterior. Os médicos não só entendem melhor o mecanismo a que obedece a enfermidade, mas também se experimentou o suficiente para cortar os sintomas mais incômodos de maneira efetiva.
 
Hoje em dia, um diagnóstico rápido faz com que a enfermidade cause muito menos sofrimento graças ao fato de que os tratamentos atuais conseguem uma altíssima porcentagem de sucesso, fazendo com que o paciente viva a maior parte do tempo sem sintomas.
 
Inclusive nos casos mais difíceis de tratar, nos quais o paciente tolera mais dificilmente a medicação ou esta lhe proporciona menos benefícios aparentes, a combinação de novos fármacos (desenvolvidos nos últimos anos), demonstrou que pode mitigar o suficiente os sintomas para que o bipolar possa levar uma vida normal e ser feliz, com todas as letras que tem a palavra felicidade.
 
Outra razão pelas quais hoje é mais provável ter uma vida estável, plena e feliz apesar do transtorno bipolar é que os cônjuges, amigos e familiares dos pacientes têm começado a compreender a necessidade e os benefícios de conhecer a fundo a enfermidade...


(...)
 
Para que não nos enganemos: o transtorno no qual vive o bipolar, em que se desenvolvem seus ciclos e mudanças de ânimo, em que ele ri, chora, se irrita, ama e odeia... é o responsável muitas vezes pelo fato de que este não possa enfrentar com sucesso a condição bipolar.
 
Graças a este enorme passo adiante dado por muitas famílias, tem-se conseguido (com dados, números e rigorosos estudos na mão) que se reduzam as temidas recaídas do paciente. Uma adequada observação e identificação dos sintomas, assim como dos fatores que os desencadeiam, é muitas vezes decisivo na hora de conseguir melhorias radicais.
 
Só nos casos em que o paciente não consegue o tratamento adequado, consome drogas ou álcool ou se nega sistematicamente a si mesmo como bipolar, o prognóstico é grave... mas ainda assim, com o apoio adequado de seus entes queridos, existe uma luz ao fim do túnel.


(...)
 
É um dever não só ético e moral, mas também emocional, de compromisso e de amor. Os familiares e os cônjuges devem ir em ajuda do enfermo. E devem fazê-lo com todas as armas e conhecimentos a seu alcance... Porque realmente existem modos de ajudar a um bipolar e guiá-lo pelo caminho da recuperação.
 
Por outro lado, também está havendo progressos de consciência por parte da sociedade, o que faz com que a integração social e laboral das pessoas que padecem de transtorno bipolar seja cada vez mais possível. Atualmente, milhares de pessoas diagnosticadas com esta enfermidade desenvolvem carreiras profissionais de sucesso, tanto no mundo das finanças como das letras, da ciência ou da arte... E também, no âmbito privado, elas conseguiram melhorar a relação com seus cônjuges e logram dia após dias viver o sonho de uma vida sem medo da sua própria condição.
 
De verdade, espero que estas palavras possam te servir de alento.


(...)
 
José L. González



PS - Como, depois de ter lido o texto acima, eu poderia não compartihar ao menos uma parte dele com vocês, leitores do Mastigando Estrelas?


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Transtorno Bipolar
Marta - Romance

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Donde voy, yo me pierdo por amor

Donde voy, yo me pierdo por amor,
Pensando en claros ojos ya pasados,
Sin que pasen los días disgustados
Que tengo yo vivido con rigor.

Ya no socorre Amor con su vigor
Sino para nutrir lloros salados,
Tristes los dulces tiempos, ya amargados,
Si no pueden volver en mi favor.

Pero, si tras el fuego aguas le vienen,
No tengo qué esperar de amor ardiente
Sino lágrimas malas que lo apaguen.

Y, si más estas penas se mantienen
Cuanto menos yo llore vivamente,
— "Que por amor mojados ojos paguen."

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Con mis propios cuidados yo me herí

Con mis propios cuidados yo me herí;
Allá empecé cuidando yo de amores
Para que me perdiese en sus rigores,
Nunca perdida en mi alma la que vi.

Yo mucho y mucho tiempo a amor serví,
Si servirle podía con errores
Que a mí tan bien me ataban con ardores,
Viendo ahora esto, que antes no preví.

No creáis vos que yo pueda sufrir más.
Pues, si sufriese poco, lloraría;
Pero llorar sería poco ahora.

Si queréis medir cuánto sufro asaz,
Recordad la medida en que os quería;
Y sabréis así cuánto mi alma llora.

domingo, 20 de março de 2011

Los Amantes, de Cortázar

Encontrei um texto do Cortázar no blog da Mayara Constantino e decidi traduzi-lo especialmente para os leitores do Mastigando Estrelas.


Os Amantes

Quem os vê andar pela cidade se todos estão cegos?

Eles pegam na mão um do outro: algo fala entre seus dedos, línguas doces lambem a úmida palma, correm pelas falanges, e acima está a noite cheia de olhos.

São os amantes, sua ilha flutua à deriva em direção de mortes de grama, na direção de portos que se abrem entre lençóis.

Tudo se desordena através deles, tudo encontra sua cifra escamoteada; porém eles nem sequer sabem que enquanto rodam em sua amarga arena* há uma pausa na peça de teatro do nada, o tigre é um jardim que brinca.

Amanhece nas carroças de lixo, começam a sair os cegos, o ministério abre suas portas. Os amantes rendidos se olham e se tocam uma vez mais antes de cheirar o dia.


Já estão vestidos, já andam pelas ruas. E é só então quando estão mortos, quando estão vestidos, que a cidade os recupera hipócrita e lhes impõe os deveres cotidianos.


Los Amantes

¿Quién los ve andar por la ciudad si todos están ciegos ?


Ellos se toman de la mano: algo habla entre sus dedos, lenguas dulces lamen la húmeda palma, corren por las falanges, y arriba está la noche llena de ojos.

Son los amantes, su isla flota a la deriva hacia muertes de césped, hacia puertos que se abren entre sábanas.


Todo se desordena a través de ellos, todo encuentra su cifra escamoteada; pero ellos ni siquiera saben que mientras ruedan en su amarga arena* hay una pausa en la obra de la nada, el tigre es un jardín que juega.

Amanece en los carros de basura, empiezan a salir los ciegos, el ministerio abre sus puertas. Los amantes rendidos se miran y se tocan una vez más antes de oler el día.

Ya están vestidos, ya se van por la calle. Y es sólo entonces cuando están muertos, cuando están vestidos, que la ciudad los recupera hipócrita y les impone los deberes cotidianos.


____________________________

(*) Me lembra a arena da praça de touros. Ruedo, rodar, arena, etc.