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quarta-feira, 14 de março de 2012

Como identificar um adolescente bipolar?

Nas postagens anteriores, tivemos uma ideia de como é, tipicamente, o transtorno bipolar em adultos (TAB I e II) e em crianças.

No transtorno bipolar na adolescência, costumamos ver um meio-termo entre TAB adulto e TAB na infância. As fases de um adolescente, de modo geral, são mais definidas ou delimitadas que as de uma criança, ainda que geralmente mais curtas que as de um adulto, e a sintomatologia mista ainda é presente ou não “desapareceu” completamente.

Um adolescente bipolar, entretanto, também pode apresentar fases definidas de mania e depressão, por exemplo, de modo que ele seja diagnostico ainda na adolescência como bipolar do tipo I ou II. Nada impede que seja assim, e isso realmente acontece. Mas nesta postagem, antes de tudo, quero falar do que é típico ou generalizado.

A maioria das crianças e adolescentes, como dissemos em outra postagem, fica dentro do espectro bipolar, isto é, sofrem de TAB SOE ou ciclotimia.

O diagnóstico de ciclotimia, não raro, dá lugar ao de transtorno bipolar.

O TAB SOE, por sua vez, é uma espécie de diagnóstico de espera, ou seja, é usado enquanto não podem ser observadas fases definidas ou claras de depressão, mania, etc. Mas também há adultos que sofrem de TAB SOE, ressaltemos.

Seja como for, chegando à vida adulta, as fases menos claras do adolescente costumam dar lugar a fases mais definidas, e a sintomatologia mista costuma “abrir-se” em fases de mania e de depressão, por exemplo. Mas ainda não há estudos longos, de muitos anos, acompanhado bipolares adolescentes. Não se sabe ao certo, sequer, se é a mesma enfermidade em adultos e em crianças e adolescentes.

Geralmente o transtorno bipolar, na adolescência, começa entre 13 e 17 anos. A primeira fase de mania costuma vir entre 18 e 25, mas pode vir antes.

De modo geral, também em adultos, o transtorno bipolar começa com uma fase de depressão ou há algum evento traumático que o antecede, como o fim de um casamento ou um acidente grave. Mas lembre-se de que nem todas as pessoas se traumatizam com os mesmos eventos.


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quarta-feira, 7 de março de 2012

Como identificar uma criança bipolar?

Nas últimas 5 postagens da série, falamos, sobretudo, de bipolares adultos. Você já sabe que aquilo que é típico em adultos, é atípico em crianças e a adolescentes.

Mas também há diferenças entre crianças e adolescentes bipolares.

De modo geral, em adultos, vemos fases definidas ou claras, que fazem contraste com os períodos de vida normal. As fases em adultos, geralmente, apresentam um número mínimo de sintomas exigidos pelo CID-10 e duram, também, o tempo mínimo exigido. Estamos falando das fases de depressão, mania e hipomania que caracterizam o transtorno bipolar do tipo I ou II.

Embora as fases mistas também caracterizem um transtorno bipolar do tipo I, elas são atípicas em adultos e estão associadas a um a agravamento da enfermidade, geralmente depois de um bom período em que os sintomas se manifestaram sem que fossem tratados. Ainda assim, as fases mistas podem ser as primeiras a aparecer em adultos.

Numa criança, é típica a sintomatologia mista, isto é, sintomas de depressão e de mania que acontecem ao mesmo tempo ou que se alternam rapidamente. (Lembre-se do que você já leu sobre fases mistas estáveis e instáveis.) Mas uma criança também pode ter um “episódio maníaco”, por exemplo. As fases mistas, não sendo vistas como ciclagem ultradiana, podem durar anos.

Embora não haja uma boa diferença entre ciclagem ultradiana e fases mistas instáveis, a ciclagem ultradiana também é típica de crianças. Nela, há fases de depressão que duram poucas horas e fases de euforia que também duram poucas horas, e elas se alternam várias vezes ao longo dia, pelo menos 4 vezes. Na ciclagem ultradiana, note bem, as variações de humor constituem fases distintas e, não, uma única fase mista.

Numa criança, é mais comum o humor irritado que o humor eufórico.

Para sermos mais práticos, uma criança bipolar típica apresenta sintomas de depressão e de euforia na maior parte do tempo, e esses sintomas, salvo pelo que foi dito acima, se manifestam de modo igual ou semelhante àqueles que vemos nas fases mistas estáveis ou instáveis já descritas quando falamos de bipolares mistos. Há antes irritação que euforia nos períodos de humor elevado ou humor misto. E os sintomas geralmente se manifestam sem que possamos definir ou delimitar o início ou fim das fases claramente. Não há ou não chega a haver aquela ideia de ciclos mais longos e mais definidos, que é típica de bipolares adultos.

Pode haver hipomania em vez de mania.

Crianças constantemente mal-humoradas ou irritadiças deveriam ser melhor observadas.


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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Como identificar alguém que sofre de TAB SOE?

Já falamos em postagens anteriores sobre bipolares do tipo I e II, isto é, já falamos sobre fases de depressão, mania, hipomania e fases mistas.

Mas nem sempre essas fases são especificadas, claras ou definidas. No "transtorno bipolar SOE", as fases não apresentam o número mínimo de sintomas exigidos ou, apresentando-os, não duram o tempo mínimo exigido.

Uma fase de mania pode durar menos de uma semana, de modo que não poderia ser classificada como um “episódio de mania”. Porque o tempo mínimo exigido, para tal episódio, é de uma semana. Como a única diferença entre mania e hipomania não é a duração, tampouco poderíamos dizer que houve um “episódio de hipomania”.

Na hipomania, por exemplo, não há delírio ou alucinação. Sendo assim, uma elevação do humor acentuada, com a presença de delírio ou alucinação, não poderia caracterizar a hipomania, mesmo que durasse 4 dias.

O mesmo acontece com as fases de depressão e as fases mistas.

O transtorno bipolar SOE é mais comum em adolescentes que em adultos. A maioria dos adolescentes se encontra dentro do espectro bipolar, isto é, sofre de transtorno bipolar SOE ou ciclotimia.

Tenha em mente, agora, que tudo o que foi dito nas 5 primeiras postagens desta série se refere especialmente a bipolares adultos. No transtorno bipolar na infância e adolescência (TAB-IA), tudo pode ser muito diferente. O que é típico em bipolares adultos costuma ser atípico em crianças e adolescentes.

No TAB-IA, sintomatologia mista e ciclos rápidos são típicos. Em crianças, entretanto, não observamos ciclos (fases longas, bem definidas, que se alternam). Em adolescentes, já podemos observar esses ciclos, ainda que geralmente não sejam bem definidos e costumem apresentar sintomatologia mista.

Os adolescentes bipolares que chegam à idade adulta costumam apresentar fases mais definidas ou claras, e a sintomatologia mista não raro dá lugar a fases definidas de depressão e de mania.




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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Como identificar um bipolar do tipo misto?

O transtorno bipolar do tipo misto, também classificado como tipo I, apresenta fases mistas, com sintomas de depressão que se mesclam ou se alternam rapidamente com os de euforia.

O que poucos sabem é que as fases mistas podem se manifestar de mais de um modo.  Na fase mista estável, os sintomas de euforia e de depressão aparecem ao mesmo tempo ou praticamente ao mesmo tempo, o que é muito curioso. Já na fase mista instável, os sintomas de euforia e de depressão se alteram rapidamente, o que tampouco deixa de chamar a atenção.

Mas o que significam “euforia e depressão ao mesmo tempo ou praticamente ao mesmo tempo”?

O bipolar, neste caso, pode apresentar a agitação motora e mental de uma fase de humor elevado e, ao mesmo, tempo expressar sentimentos de falta de esperança, de culpa ou de baixa autoestima, como numa fase de humor deprimido. Ele também pode estar eufórico agora e, literalmente 5 minutos depois, estar deprimido, chorando.

Agora, o que se significam “sintomas de depressão e de euforia que se alternam rapidamente”?

O bipolar, por exemplo, pode apresentar sentimentos de culpa, baixa autoestima, apatia, vontade de se isolar ou “desaparecer”, mas, horas depois, no mesmo dia, ele está eufórico, vai a uma festa e se diverte!  Dizemos, nesse caso, que os sintomas de depressão e de euforia se alternaram rapidamente, isto é, no mesmo dia ou num período de horas.

A fase mista deve durar pelo menos uma semana, acontecendo todos os dias ou quase todos os dias, na maior parte do tempo.

Um bipolar do tipo misto nem sempre teve ou terá, necessariamente, apenas fases mistas. Provavelmente um bipolar adulto do tipo misto já teve fases anteriores de depressão ou de mania.

O mais comum, em bipolares adultos, é que uma fase de mania evolua para uma mista, e que uma mista evolua para uma depressiva.


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Como identificar um ciclotímico?

Talvez você se pergunte por que falaríamos de ciclotimia se, a rigor, queremos identificar um bipolar. A resposta é simples. A ciclotimia, embora classificada como doença à parte, está dentro do espectro bipolar, ou seja, na prática é um tipo de transtorno bipolar mais leve.

Na postagem anterior, falamos sobre hipomania, que é uma espécie de mania mais branda, menos visível, geralmente percebida apenas por pessoas próximas, que já conheçam o humor normal do indivíduo.

Na ciclotimia, não chega a haver uma fase de hipomania como no transtorno bipolar do tipo II. As fases de hipomania e de depressão, na ciclotimia, tendem a durar 4 dias ou menos; não são tão prolongadas ou tão graves. Os períodos de vida normal são curtos; não duram mais que 2 meses aproximadamente. O humor varia mais, isto é, espere ver várias fases de hipomania e de depressão.

A depressão na ciclotimia é leve ou moderada; não chega a ser o tipo mais grave, chamado “depressão maior”.

No transtorno bipolar, os períodos de vida normal podem durar muito mais, meses ou até mesmo anos, ainda que nem sempre haja um período de vida normal entre as fases.

Entre o transtorno bipolar e a ciclotimia há uma linha tênue, especialmente se estamos falando de bipolares do tipo II.

Além do mais, não raro, o diagnóstico de ciclotimia pode mudar para o de transtorno bipolar, ou sintomas de transtorno bipolar podem vir antes que se possa confirmar o diagnóstico de ciclotimia. Não é raro que um ciclotímico tenha algum familiar com transtorno bipolar do tipo I. Daí, vemos melhor a relação entre ambos os transtornos.

Na ciclotimia, façamos esta ressalva, não há necessariamente hipomania e depressão, porque também pode haver hipomania e distimia, que é uma espécie de depressão mais leve. Também é possível que não haja mais que uma ou outra fase de hipomania. Seja como for, para que tenhamos o exemplo de ciclotimia mais notável possível, tenha em mente várias fases de “humor elevado” e de “humor deprimido”, que duram geralmente poucos dias ou não são graves, com períodos curtos de vida normal, verificadas ao longo de pelo menos dois anos.

Obviamente, você perceberá mais facilmente as fases de humor deprimido se elas forem de depressão em vez de distimia.


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Como identificar um bipolar do tipo II?

Já falamos em outra postagem sobre como reconhecer um bipolar do tipo I. Hoje falaremos sobre como reconhecer um do tipo II, que deve apresentar, necessariamente, pelo menos uma fase de hipomania e uma de depressão.

Mas por que exatamente um bipolar do tipo II seria mais difícil de identificar? A resposta consiste, basicamente, em que as fases de hipomania são menos notáveis que as de mania.

A hipomania é um tipo de mania mais leve, menos notável. Uma pessoa que, geralmente, já seja bem-humorada e bem-disposta, ativa ou enérgica, faladora e impulsiva, poderia passar por uma crise de hipomania sem chamar muita atenção. Por outro lado, alguém que geralmente seja tímido ou retraído, pouco falante e apático, mudaria de comportamento de um modo mais perceptível aos demais numa fase de hipomania. De modo geral, quem percebe a hipomania são pessoas muito próximas, como amigos e familiares. Uma pessoa estranha provavelmente não notaria nada de excepcional, já que não teria um ponto de referência. É preciso comparar a hipomania com períodos de vida normal do paciente para que vejamos algo mais claramente.

E aqui chegamos a um ponto importante. É a fase de hipomania que confirma o diagnóstico de transtorno bipolar do tipo II. Daí que um bipolar do tipo II, de modo geral, é menos “visível” aos olhos de seus amigos e familiares e praticamente invisível aos olhos de estranhos. Além do mais, uma fase hipomaníaca deve durar pelo menos 4 dias, ainda que possa se estender por semanas ou meses.

Se um amigo ou familiar parece estar passando por um período de humor elevado, procure anotar numa caderneta os dias em que você percebe alguma elevação do humor e procure anotar resumidamente o que ele faz de atípico durante esse período, isto é, o que ele não costumava fazer ou nunca havia feito. Procure assinalar os horários também. Não se preocupe se você, no momento, não puder refletir sobre o que você observa. O importante é que, guardada essa caderneta com essas anotações, você tenha material para refletir mais tarde, quando adquirir mais conhecimento sobre o tema. Também é um modo de se lembrar desses fatos depois, se você tiver que relatá-los a um profissional da área. Lembre-se, entretanto, de anotar antes de tudo os fatos e, não, suas impressões dos fatos! Isso fará uma grande diferença. Um profissional da área desejará, antes de tudo, fatos para analisar.

Mas o que seria atípico? Irritação ou bom-humor excessivo, falar demais, mudar de um assunto para outro numa conversa sem concluir o anterior ou não se fixar em nenhum, libido alta, distrair-se facilmente com o que está ao redor, etc. são comportamentos observáveis num humor elevado, seja mania, seja hipomania.

Mas, na prática, qual é a diferença entre mania e hipomania? Antigamente, poderíamos dizer que a presença de delírio e alucinação era o que fazia uma boa diferença entre elas. Mas hoje, porque podemos falar em “mania com psicose” e em “mania sem psicose”, esse já não é um bom “critério de desempate”. Grosso modo, hoje podemos dizer que a hipomania é mais leve, menos intensa ou menos perceptível e não apresenta delírio ou alucinação.

Seja como for, sua primeira dúvida deve ser a presença ou não de “humor elevado”. O simples fato de você ser o primeiro a perceber os sintomas de um transtorno bipolar já será uma façanha!

Cuidado, entretanto, para não atribuir o humor elevado ao uso de álcool ou drogas, por exemplo. Ninguém fica bêbado ou drogado tanto tempo assim, na maior parte do tempo, durante dias, semanas ou meses.

O que poderia excluir a possibilidade de o humor elevado ou deprimido ter sido causado por transtorno bipolar seria o uso de algum remédio, substância ou a presença de alguma lesão física que causasse efeitos iguais, certas enfermidades semelhantes que excluem o diagnóstico de TAB, etc.

Um bipolar do tipo II, obviamente, pode vir a ser um bipolar do tipo I se vier a apresentar fases de mania, por exemplo.

Um bipolar do tipo II, porque a hipomania é menos perceptível que a mania, pode receber mais facilmente o diagnóstico de "transtorno depressivo" se apenas as fases de depressão forem "vistas". Além do mais, a hipomania nem sempre é relatada ou vista como algo errado pelo paciente ou por pessoas próximas, já que nela o paciente costuma se sentir bem. Muitos depressivos, na verdade, são bipolares.

Por fim, vale lembrar, também há aqueles bipolares que só passam por fases de hipomania. Mas neste último caso, mais facilmente, o transtorno bipolar pode ser confundido com personalidade querelante ou hipertimia.


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Como identificar um bipolar?

Comecemos com um bipolar do tipo I, mas aquele que passa necessariamente por fases de mania e de depressão e períodos de vida normal.

Imagine que alguém experimente: 1) uma fase de humor elevado que dure pelo menos uma semana, podendo durar meses; 2) uma fase de humor deprimido que dure ao menos duas semanas, podendo durar vários meses; e 3) um período de vida normal entre essas fases, isto é, um período em que o humor não esteja elevado ou deprimido.

Basta que 1 e 2 aconteçam uma única vez, mesmo que entre 1 e 2 haja um período de vida normal de muitos anos, para caracterizar um transtorno bipolar. Mas quem notaria essas fases? Quem, percebendo-as, não buscaria justificativas para elas, como o fim de um casamento ou uma promoção no emprego? Quem ligaria uma à outra, especialmente se houvesse um bom intervalo de meses ou anos entre elas?

Além do mais, o humor elevado ou deprimido precisa de uma referência para que seja melhor apreciado. Os períodos de vida normal entre uma fase e outra são uma boa referência. O período de vida anterior ao aparecimento dos primeiros sintomas é ainda melhor, porque entre uma fase e outra pode haver alguns sintomas leves ou flutuantes.

Mas o que significa “humor elevado”? Vejamos um bom exemplo prático. Imagine uma garota tímida, medrosa ou que nunca se excede com homens ou bebida. Não seria estranho se ela começasse a ser muito desinibida, “corajosa” ou atrevida em situações em que, antes, não agia assim? Tampouco não seria estranho se este comportamento durasse uma semana ou mais, acabando depois? Provavelmente você encontraria justificativas corriqueiras para esse comportamento dela, mas realmente haveria essas justificativas? Como eu disse, ao “avaliar” alguém procure se lembrar de seus períodos de “humor elevado”, que talvez estejam afastados, no tempo, de seus períodos de “humor deprimido”.

Tenha em mente, além do mais, que “humor elevado” pode envolver não só bom-humor exagerado e excesso de energia, mas também irritação, dificuldade de concentração, distração fácil com o que acontece em volta, etc.

Mas como identificar o “humor deprimido” nessa garota tímida, medrosa, que nunca se excede? Como eu disse, leve em conta períodos de “vida normal” para que você tenha um ponto de referência. Ser tímida, para uma garota tímida, é normal. Fugir disso para muito mais ou para muito menos, durante um período considerável de tempo e depois voltar “ao normal”, já seria digno de nota. Por que o humor elevado ou deprimido duraria semanas ou meses, manifestando-se todos os dias ou quase, na maior parte do tempo, sumindo depois?

No humor deprimido, não procure apenas tristeza, mas também isolamento social; ideias relacionadas à morte, não necessariamente suicídio; ansiedade; sintomas físicos, como dores ou doenças, dos quais a pessoa observada não se queixava antes; etc.

Tanto no humor elevado como no deprimido, procure observar alterações no apetite, no sono. Pergunte-se o que muda na vida afetiva, social e sexual dessa pessoa quando você nota o humor elevado e o humor deprimido. A autoestima aumenta? Diminui?

Se identificarmos esses três períodos (de “humor elevado”, de “humor deprimido” e de “vida normal”), poderíamos nos perguntar sobre um diagnóstico de transtorno bipolar. Mesmo assim, ainda haveria muito para levar em conta. Duração e intensidade das fases, consequências na vida do paciente, ausência de certas outras enfermidades, etc. são pontos chave para dizermos se essas alterações de humor podem ser transtorno bipolar ou não. Porque nem toda variação de humor é enfermidade, e nem toda enfermidade caracterizada por variações de humor é transtorno bipolar.

Ainda assim, entre uma fase e outra, não há necessariamente períodos de vida normal. Para não falar de bipolares do tipo I que só experimentam fases de euforia. Neste último caso, já não veríamos períodos de humor deprimido. Nem todos os bipolares passam por crises de depressão.

Para terminar, devo ressaltar que neste exemplo estivemos falando de “humor elevado” ou “euforia” como sendo, necessariamente, uma fase de mania, para que este exemplo de bipolar fosse o mais fácil possível de identificar.

Ainda assim, mesmo escolhendo um exemplo mais “fácil”, devemos lembrar que as comorbidades não são nenhuma raridade no transtorno bipolar, e a realidade costuma ser bem mais complexa que este exemplo simples.

As comorbidades, para entendermos isto melhor, são doenças que aparecem ao mesmo tempo que outras, sem que um diagnóstico exclua o outro. Daí que, se um bipolar também sofre de TDAH, sobram poucos sintomas que só dizem respeito ao transtorno bipolar propriamente. Porque muitos sintomas de ambas as doenças são iguais. Em outras palavras, não seria impossível “enxergarmos” só o TDAH ao olharmos “distraidamente” para um bipolar que tivesse o TDAH como comorbidade.

No caso de bipolares do tipo II (agora estamos falando de fases de hipomania e de depressão), os períodos de “humor elevado” seriam menos notáveis, menos “visíveis”. E nem começamos a falar de TAB SOE, aquele em que os episódios são inespecificados, isto é, não se manifestam tão claramente, seja com respeito à duração, seja com respeito à presença de todos os sintomas.

Ainda que nem todas as variações de humor caracterizem uma doença, há variações de humor sutis capazes de caracterizar o transtorno bipolar ou outra enfermidade.

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