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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Juliana Schalch interpreta bipolar

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A inquietude de Juliana Schalch é indisfarçável. Com grandes e amendoados olhos esverdeados, a atriz paulistana mal consegue conter seus gestos expansivos quando analisa Marta, sua personagem em O Brado Retumbante. Na minissérie, que estreia na TV Globo no dia 17 de janeiro, ela sofre de transtorno bipolar e bate de frente com o pai, o presidente da República do Brasil Paulo Ventura, vivido por Domingos Montagner.

Mulherengo e distante da família, o político é casado com a primeira dama Antônia, papel de Maria Fernanda Cândido, que faz de tudo para proteger e compreender a filha. Quem também ajuda Marta com seu transtorno psíquico é seu marido, o apaixonado empresário Tony, interpretado por Leopoldo Pacheco.

Na construção para o papel, Juliana voltou ao passado - a atriz quase se formou em psicologia pela PUC de São Paulo, o que ajudou na busca por referências psicológicas para construir o perfil instável da personagem. "Procurei o que seria uma bipolaridade em mim para transmitir isso na Marta. Senti as emoções da personagem na última potência", avalia Juliana, que também solicitou a orientação de psicanalistas para o trabalho.

Outro álibi da atriz nesta composição contemporânea e absolutamente atual foi tentar encontrar as nuances da personagem através da música. Para se inspirar nas cenas mais tensas, Juliana ouviu muitas bandas de punk rock. Já nos momentos mais amenos e serenos, se concentrou em canções de jazz e blues, para moldar a psique de Marta.

A atriz vê a personagem como uma eterna incompreendida pelo pai, absolutamente racional, e, por isso, acaba sendo acolhida paternalmente pelo marido, Tony, seu superprotetor na história. No entanto, sua personagem também acolhe outros, como o irmão, de forma ainda mais delicada. Na história, ele é um transexual que faz uma cirurgia para mudar de sexo e virar mulher em Los Angeles. Ao chegar ao Brasil, Marta o hospeda em sua casa e enfrenta a incompreensão do pai com a decisão sexual do filho. "Ela vira uma mãe para o irmão", explica, arregalando os olhos e fazendo sutis movimentos de alongamento.

Nitidamente, Juliana ainda está assimilando um papel de tamanha densidade para a TV. Afinal, antes da minissérie de Euclydes Marinho, dirigida por Ricardo Waddington, a atriz só havia feito pequenas participações em novelas. Estreou como a determinada Juliana de Três Irmãs, em 2007, e já atuou em 2011na pele da meiga Lara, de Morde e Assopra. "Mas nada chega perto da Marta. Amo a maquiagem, os anéis, o jeito irreverente dela ser e se vestir", compara.

No cinema, a atriz também tem começado a ganhar destaque. Depois de participações em longas como VIPs e Tropa de Elite 2, a paulistana protagonizou recentemente seu primeiro filme, Os 3. Na trama de Nando Olival, em cartaz nos cinemas, ela interpreta Camila, uma mulher que se envolve simultaneamente com dois homens, que fazem de seu cotidiano um "reality show", com câmaras espalhadas pela casa.

"A Camila é independente, mas meio menina. A Marta é mais mulher, mais intensa. Ela muda minha trajetória como atriz. Mostra um lado meu que nunca foi visto na tevê", finaliza.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Presidente tem filha bipolar

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O Brado Retumbante, minissérie de oito capítulos que a Globo exibirá de 17 a 27 de janeiro, orbitará em torno de um presidente da República honesto que será acusado de corrupção. Esse presidente rejeita e esconde um filho homossexual.

Sátira crítica com um tom farsesco, mas sem ser uma comédia rasgada, O Brado Retumbante, segundo a Globo, se passa em um país "fictício", porém todas as referências a levam ao Brasil. A começar pelo "brado retumbante" do título, retirado do Hino Nacional. Na letra de Duque Estrada, brado retumbante é o estrondoso grito da Independência.

Embora ético, o presidente dessa República lembra Fernando Collor de Mello (1990-1992). É acusado de desviar dinheiro para uma conta no Uruguai e enfrenta um impeachment.

Escrita por Euclydes Marinho e com direção-geral de Ricardo Waddington, O Brado Retumbante aposta em um elenco pouco conhecido. O protagonista é Domingos Montagner, anônimo para o grande público até interpretar um cangaceiro em Cordel Encantado.

José Wilker, Maria Fernanda Cândido, Leopoldo Pacheco, Otávio Augusto e Miele são os nomes mais badalados do elenco, que conta ainda com Sandra Corveloni (melhor atriz em Cannes-2008 pelo filme Linha de Passe), Mariana Lima, Marina Elali, Carlo Briani, Cecília Homem de Melo, Ricardo Homem de Melo, Caca Amaral e Murilo Armacolo, entre outros.


Presidente por acaso

Montagner dará vida a Paulo Ventura, descrito como "advogado boêmio e político honrado" que se torna presidente da República por acaso. Ventura é um deputado de oposição ao governo. Numa tentativa de manipulá-lo e domá-lo, um grupo de políticos corruptos, chefiados pelo Senador (Miele), o elege presidente da Câmara dos Deputados.

Ocorre que o presidente da República e seu vice morrem em um acidente aéreo. E Ventura, como presidente da Câmara, assume o comando do Poder Executivo.

Ventura, então, procura a ex-mulher, Antonia (Maria Fernanda Cândido), e a convence a fazer o papel de primeira dama. Ela aceita, porém, mais para a frente, foge para Buenos Aires com um escritor. O casal tem uma filha neurótica, Marta (Juliana Schalch), e um filho, Julio (Murilo Armacolo), homossexual rejeitado pelo pai, que se afasta da família.

Com o pai na Presidência, Julio volta ao país, agora como Julie, uma transexual. Os dois se reconciliarão. Ventura, no entanto, sofrerá um atentado após editar uma lei que pune corruptos, enfrentará uma crise com a "Bolívia do Sul" e um processo de impeachment . E entrará em campanha eleitoral com um adversário como favorito.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Transtorno Bipolar em O Brado Retumbante

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Quem nunca teve curiosidade em saber como é a vida de um presidente da República por trás do gabinete? Pensando nisso, Euclydes Marinho resolveu escrever "O Brado Retumbante", que estreia dia 17 de janeiro. Na história, exibida em oito episódios, Domingos Montagner será Paulo Ventura. Um advogado, que, depois de uma manipulação política, assume o comando do país. Boêmio e mulherengo, ele vive em conflito com a mulher, Antônia (Maria Fernanda Cândido), a quem busca apoio durante o inesperado mandato.

Além das crises conjugais, Paulo está sempre às voltas com os filhos. Não bastasse aturar as infantilidades de Marta (Juliana Schalch), ainda se vê obrigado a aceitar Júlio (Murilo Armacollo), que, depois de anos longe de casa, volta como a transexual Julie.

O autor diz que a ideia não é só expor as reviravoltas da vida do líder, mas revelar um pouco da intimidade de um chefe de estado. "Quis mostrar que, por trás de todo presidente, existe um ser humano que tem problemas, dor de barriga, pai, mãe e mulher", explica Euclydes.


Os protagonistas

Paulo Ventura (Domingos Montagner): O presidente do país. Um advogado carismático, naturalmente sedutor e boa-praça, que vai parar na Presidência da República em razão de uma manobra política que não saiu exatamente como se previa. Ele tem um casamento problemático com Antônia, com quem tem dois filhos: Marta e Júlio.

Antônia (Maria Fernanda Cândido): Doutora em história do Brasil, ela tem alma de militante. Casou-se com Paulo, mas a relação nunca foi tranquila, pois seu marido não resiste a um rabo de saia. Mas ela sempre foi a fortaleza de Paulo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Transtorno Bipolar em nova minissérie

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Além de Dercy de Verdade, a Globo vai levar ao ar outra minissérie em janeiro. Trata-se de O Brado Retumbante, que promete satirizar e alfinetar os mais altos escalões da política nacional.

Na história, que se passa em um país fictício, Paulo Ventura (Domingos Montagner) é um deputado de oposição ao governo que preza pela honestidade. É então que, em uma tentativa de coagi-lo, um grupo de políticos corruptos, chefiados pelo Senador (Miele), o elege presidente da Câmara dos Deputados.

Só que eles não poderiam adivinhar que o presidente da República e seu vice morreriam em um acidente aéreo, fazendo com que Ventura assumisse o posto máximo da política do país. Até que ele decide criar uma lei anti-corrupção e, por ter desagradado a muitos, acaba sendo vítima de acusações e um processo de impeachment.

Ele possui, ainda, um casal de filhos com a ex-mulher, Antonia (Maria Fernanda Cândido), a quem convence a fazer o papel de primeira dama. Marta (Juliana Schalch), uma filha neurótica, e Julio (Murilo Armacollo), um homossexual que fora rejeitado pelo pai há tempos.

As conseqüências da nova empreitada política de Ventura e os seus envolvimentos familiares é que movem a trama da minissérie, que tem ainda no elenco José Wilker, Leopoldo Pacheco, Otávio Augusto, Sandra Corveloni, Mariana Lima, Cecília Homem de Melo, Carlo Briani, a cantora Marina Elali, dentre outros.

O Brado Retumbante é de autoria de Euclydes Marinho e conta com direção-geral de Ricardo Waddington. A atração estreia no dia 17 de janeiro e vai até o dia 27 do mesmo mês.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O Brado Retumbante: Globo divulga resumo dos capítulos

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Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 001, terça-feira, 17 de janeiro – uma reunião decide o novo presidente da Câmara dos Deputados. O nome de Paulo Ventura é indicado pelo Senador. Um acidente de helicóptero mata o presidente e o vice-presidente do Brasil. Saldanha avisa a Paulo Ventura que ele, automaticamente, é o novo presidente da República. Antonia aceita reatar com Paulo com a condição de que ele traga seu filho Júlio de volta ao país. Antonia vê a deputada Fernanda com Paulo e age ironicamente. Paulo é aplaudido em seu discurso de posse. Julio liga para Antonia, mas se recusa a falar com Paulo. O presidente e a primeira-dama são recepcionados por Laurinha no Palácio. Julieta tenta tirar proveito da posição de Paulo. A repórter Lúcia Wolf comenta sobre os assessores de Paulo. Alessandra revela para Paulo que está esperando um filho seu.

Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 002, quarta-feira, 18 de janeiro – O Senador faz uma ameaça velada ao presidente, que não se intimida. Marta se enfurece com uma obra no apartamento. Tony tenta acalmá-la. Paulo recebe do Senador fotos comprometedoras com Alessandra. Paula pede a Saldanha que grampeie o telefone de Antonia na tentativa de localizar Julio. Junior intercepta uma mensagem entre Floriano e Josivan. Paulo manda Werneck investigar. Alessandra termina seu caso com Paulo ao ver as fotos do Senador. Beijo pede a Paulo um cargo em um órgão público. Marta é filmada agredindo a esposa do dono do apartamento em obras. A Polícia Federal ouve uma conversa entre Josivan e Floriano. O vídeo do escândalo de Marta é colocado na internet. Floriano é preso. Julieta acusa Paulo de não ajudar Beijo a conseguir o cargo no governo.

Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 003, quinta-feira, 19 de janeiro – Paulo pede que a população o ajude em uma emenda constitucional. Saldanha tenta convencer um deputado a aderir ao projeto. Floriano é apontado no aeroporto, mas não se intimida. Fernanda e Saldanha listam os deputados que podem aderir ao projeto de lei. Floriano, Pachequinho, Josivan e o Senador conspiram contra o presidente. Lúcia Wolf comenta a eleição de Floriano como presidente da Câmara dos Deputados. Paulo é atingido em um atentado e levado às pressas para o hospital. O Senador visita o presidente. Antonia fica indignada. O Senador culpa Josivan pelo fracasso no atentado. Werneck descobre o paradeiro de Julio. Josivan é sequestrado. Paulo sai do hospital. Djalma morre.

Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 004, sexta-feira, 20 de janeiro – Julieta reclama da acompanhante de Beijo. Werneck conta ao presidente que uma pessoa tem provas do atentado que ele sofreu. Antonia pede para cuidar dos livros didáticos para as escolas. Paulo fica satisfeito. Saldanha e Fernanda conversam sobre o poder que o Senador possui. Guilherme conta para Antônia que Neide aumentou seu patrimônio depois que escreveu diversos livros didáticos. Paulo se envolve com a doutora Telma. Antonia faz uma denúncia anônima sobre os livros didáticos. Saldanha não esconde a desaprovação quando Telma procura Paulo em seu gabinete. Antonia discute com o ministro da educação. A imprensa fica sabendo que Josivan encomendou o atentado ao presidente. Telma se enfurece quando Paulo termina seu romance com ela. Antonia recebe um buquê de flores com um cartão avisando sobre a traição do marido.

Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 005, terça-feira, 24 de janeiro – Paulo recorre ao presidente Navarro para evitar o confronto das tropas na fronteira com a Bolívia. Marta busca Julio no aeroporto. Durante uma coletiva, uma jornalista pergunta a Paulo sobre seu filho, Julio. Saldanha descobre fraudes cometidas por Tony. Julio não suporta as ofensas de Beijo e o expulsa da casa de Marta. Antonia se revolta com a recusa de um juiz em conceder a seu filho a mudança dos documentos. Paulo descobre que Navarro apoia os rebeldes que provocam o conflito entre as tropas. Julie é agredida pelo namorado de uma amiga. Tony revela para o senador que seu sogro subornou um juiz para conseguir que a filha mudasse de sexo na documentação. Paulo pede perdão à Julie publicamente.

Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 006, quarta-feira, 25 de janeiro – O presidente demite o ministro da Saúde. Paulo se interessa pela intérprete da comitiva dos Emirados Árabes. Antonia confidencia a Regina que se apaixonou por outro homem. Paulo fica perplexo ao ver uma manchete vexatória contra ele no jornal. Julieta decide se mudar para o Palácio Copacabana. Marta estranha o comportamento de Tony. Antonia comenta com Regina que quer se separar. Lúcia Wolf confirma que Paulo assinou uma procuração para que fosse aberta uma conta em seu nome no Uruguai. Marta encontra registros de ligação para o Uruguai na conta telefônica de Tony. Fernanda é solidária ao sofrimento de Paulo. Júnior vasculha o computador de Tony. Floriano anuncia que foi aberto o processo de impeachment para o presidente da República.

Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 007, quinta-feira, 25 de janeiro – Werneck revela o esquema da operação feita por Tony para forjar os dossiês contra o presidente e o ministro-chefe da Casa Civil. Tony é levado ao gabinete presidencial e obrigado a divulgar, em rede nacional, todo o esquema contra Paulo. Antonia confessa para Paulo que se apaixonou por outro homem e pede a separação. O presidente pede para Saldanha antecipar sua ida à Argentina. Floriano tenta beneficiar sua campanha quando assume o cargo de presidente interino. Fernanda entrega a Paulo um relatório que destrói o projeto de Floriano. Fernanda e Paulo se beijam e ela declara sua paixão. Marta arruma objetos pessoais de Antonia e é solidária ao sofrimento do pai. O presidente envia uma mensagem de congratulações ao novo Papa. Paulo observa, com tristeza, quando Marta entrega os pertences de Antonia ao motorista.
  
Em O Brado Retumbante, novela da Rede Globo, resumo do próximo capítulo 008, sexta-feira, 26 de janeiro – Antonia ouve a mensagem de uma mulher cobrando a visita de Martín. Fernanda se irrita com Paulo por não querer se reeleger. O presidente se envolve na campanha de Alaor. Paulo visita o ex-presidente Mourão. Paulo se declara para Fernanda e os dois dormem juntos. Antonia conta para Marta que terminou seu romance com Martín. Alaor é internado às pressas no hospital. Saldanha avisa ao presidente que não há candidato para as próximas eleições. Mourão implora para que Paulo se candidate novamente à presidência. Beijo revela para Saldanha que possui informações contra Floriano. Antonia se oferece para ajudar o ex-marido em sua candidatura. Fernanda, Saldanha e Paulo discutem os temas para o debate com Floriano. Lúcia Wolf é a mediadora do debate, que inicia com Paulo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TV Globo: bipolar chamada Marta em minissérie

A inquietude de Juliana Schalch é indisfarçável. Com grandes e amendoados olhos esverdeados, a atriz paulistana mal consegue conter seus gestos expansivos quando analisa Marta, sua personagem em O Brado Retumbante. Na minissérie, que estreia na TV Globo no dia 17 de janeiro, ela sofre de transtorno bipolar e bate de frente com o pai, o presidente da República do Brasil Paulo Ventura, vivido por Domingos Montagner. (Clique aqui para continuar lendo o texto de Mariana Trigo no Terra.com.br.)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Tá parecendo bipolar que nem a Raquel. Uma hora tá apaixonadinho, outra hora tá com raiva."

Quem viu Malhação dia 8 de junho, ouviu um dos personagens dizer Tá parecendo bipolar que nem a Raquel. Uma hora tá apaixonadinho, outra hora tá com raiva.

Eis aí um exemplo de como a palavra bipolar vem sendo usada em linguagem popular. Tornou-se sinônimo de inconstante, de instável emocionalmente. O curioso, nesse caso, é que usaram a palavra bipolar (com o sentido popular que ela tem) para se referir a uma bipolar de verdade!

Tenhamos em mente que bipolar (no popular) não corresponde à bipolar (na linguagem dos médicos). A palavra é a mesma, mas o que ela significa, em uma e outra linguagem, difere... Em resumo, se você diz bipolar para um médico, ele imaginará X; mas, se você diz bipolar para um leigo, ele imaginará Y!

Palavras são símbolos.

Sendo assim, o que um médico, um psiquiatra imagina quando dizemos que a Raquel é bipolar? Certamente, ele imagina que ela deve recorrer a medicamentos para estabilizar o humor, que ela não deve beber álcool nem café, que deve evitar estressores, que a psicoterapia seria muito bem-vinda, etc. Um leigo, entretanto, não imagina nada disso. De modo geral, os leigos que sabem o que é TAB ou são bipolares ou convivem com bipolares. Ou pelo menos viram um bom documentário na TV, dividido em 390 episódios.... Pois é! A mesma TV que deseduca, também educa...

Ainda assim, estamos falando de um número pequeno de leigos que conhecem o TAB de verdade, porque nem todos eles se interessam pelo assunto ainda que sejam bipolares ou tenham parentes bipolares... Isso mesmo, há bipolares que não procuram se informar, ao menos não a fundo. É um Dá-me cá a receita e não falemos mais no assunto, doutor... No caso de parentes, às vezes é um Já não te paguei a consulta e os remédios? será que você ainda tá com isso?! Ou Você vai tomar esses remédios até quando? Você já tá melhor, pode parar com os remédios... E a palavra bipolar vai entrando meio torta, meio deformada no nosso dia-a-dia, através da TV, de alguns bipolares, de alguns parentes de bipolares, dos que já a ouviram pelo menos uma vez ou outra...

Sobre bipolares que não querem se informar a fundo sobre o TAB, é compreensível. Ninguém quer se aproximar de algo que o faz sofrer, mas talvez a desinformação sobre o assunto traga mais sofrimentos ainda... O bipolar que conhece o TAB a fundo, conhece melhor a si mesmo. Quanto mais complicada é uma coisa, mais você deve conhecê-la bem para lidar com ela da melhor maneira possível. Seja como for, à parte o bom-senso e a necessidade, é um direito das pessoas se informarem ou não.

Enfim, como dizia a sábia inscrição na entrada do templo de Delfos, conhece-te a ti mesmo.

Mas... onde estou com a cabeça? Comecei falando de Malhação e acabei falando do Mundo Antigo; fui do Projac no Rio a Delfos na Grécia sem ter concluído o post! Vamos à conclusão...

Veja: Um mulher leiga não diz que está meio grávida, a não ser de brincadeira; mas muitas pessoas já dizem, seriamente, que são meio bipolares...

Meio?... Metade?... É, pode ser...

Mas e você, bipolar de verdade que me visita neste blog e acabou de ler este post, o que você acha disto? Você consegue usar a palavra bipolar com o sentido que ela tem na linguagem popular? Você consegue dizer que está meio bipolar?...

terça-feira, 15 de março de 2011

Angra I, II, III, IV...

Ouço tantas bobagens a respeito de Angra I e II depois que houve o acidente com a usina japonesa, que também me sinto no direito de dizer algumas besteiras. Vamos lá!

Acidente nuclear é tudo igual? Não, não é. Há uma escala que vai de 0 a 7, usada para medir a gravidade dos acidentes nucleares. O acidente na usina japonesa de Fukushima alcançou a classificação 4 nessa escala e eles evacuaram uma área de 20km em torno da usina. As 80 mil pessoas que viviam nessa área tiveram que deixar suas casas.

Agora, pensemos naquelas pessoas que, vivendo em Angra, dizem que matariam, que roubariam barcos, etc., tudo para que sejam os primeiros a fugir caso haja um acidente. Eles fariam isso até mesmo se tivéssemos um acidente de gravidade 0 ou 1 na escala? Seria, no mínimo, patético.

Daí podemos chegar a esta triste conclusão: Se no Japão houve um acidente de classificação 4, sem que houvesse pânico, assassinatos ou roubos de embarcações para escapar, o que haveria em Angra caso houvesse ali um acidente igual, de número 4 na escala? Provavelmente muito barulho, como não houve no Japão, porque aqui parece haver a ideia generalizada de fuga a todo custo, tanto maior na medida em que as pessoas são desinformadas.

Como disse Goethe (vejamos se ainda me lembro bem da frase), nada mais horrendo que a ignorância em ação.

As usinas de Angra não são como aquela de Fukushima. As daqui são um modelo alemão da década de 70. Sendo assim, deveríamos observar mais atentamente o que acontece com as usinas da Alemanha, onde deve  haver modelos até mais antigos que esse que temos no Brasil, porque nossa entrada na era nuclear se deu mais tardiamente que em outros países.

Ainda assim, suponhamos que houvesse um acidente de classificação 4 em alguma das usinas de Angra. Ora! As usinas não são iguais. As daqui, comparadas com as de Fukushima, são até mais seguras. Mas suponhamos que as nossas fossem iguais. Ainda assim, o terreno em que as nossas se localizam não é o mesmo, isto é, Angra I e II se localizam em Itaorna, que é uma enseada cercada pela serra. As pequenas montanhas ou morros que cercam as usinas funcionam como uma espécie de barreira ou muralha que ajudaria a conter o material radioativo em caso de vazamento. E a enseada à frente faz com que as usinas estejam "encravadas" no litoral, ou seja, as estremidades da enseada são como muros que contornam as usinas pelos lados. À frente, há o quebra-mar e o mar...

Quem já viu imagens da usina de Fukushima na TV, pode notar que a área em que ela se localiza é relativamente plana, ainda que vejamos montanhas ao longe, ao fundo.

Outro detalhe é que Angra, de modo geral, não é tão densamente povoada, ainda que o centro da cidade seja mais populoso que qualquer bairro próximo das usinas. Provavelmente a população total num raio de 20km em torno das usinas brasileiras não chegue a 80 mil como em Fukushima. Seja como for, 60 ou 70 mil já seria um número grande. Sob esse ponto de vista, os habitantes de Fukushima levam vantagem. O centro da cidade deles fica a 60km da usina...

O centro de Angra fica mais perto,  a 14,5  ou 15km das usinas. Essa distância é medida em linha reta, porque a radiação, viajando pelo ar, não obedece às curvas de uma estrada de asfalto. Isso significa que o centro de Angra estaria dentro daquela área japonesa de 20km de raio se Fukushima fosse aqui...

Pela estrada, entretanto, leva-se aproxidamente 70 minutos entre o centro e Itaorna. Porque, pela estrada, a distância percorrida é de 45 ou 50 km, devido ao fato de a estrada acompanhar o contorno do litoral, que é muito sinuoso. Essa é uma desvantagem se pensamos em evacuar a população por terra. Outra desvantagem é o estado de conservação da BR 101 ou os deslizamentos que, às vezes, acontecem nas margens da rodovia, impedindo o trânsito. Obviamente, as estradas japonesas costumam estar mais bem conservadas, ainda que também possam ser obstruídas pela neve durante o inverno no norte do Japão. Seja como for, pode-se chegar ao Rio ou a Minas por outra rota, se a viagem começar por uma estrada que liga Angra a Barra Mansa, caso trechos da BR 101 localizados próximos a Angra estejam obstruídos ou com trânsito lento.

O mar, obviamente, não deixa de ser uma grande estrada sem curvas se pensamos no litoral, no porto da cidade e na ajuda da Marinha... Não, não estou falando de uma retirada de Dunquerque, de uma corrida dramática contra o tempo, a não ser que todas as estradas ou vias terrestres estejam realmente obstruídas no momento do acidente...

Mas continuemos imaginando e comparando Angra a Fukushima sem maiores devaneios. Suponhamos que o modelo das usinas fosse o mesmo, o terreno igual, a quantidade de habitantes a mesma, a gravidade do acidente idem, etc. Mesmo assim, se uma área de 20km em torno das usinas tivesse que ser evacuada à japonesa, ao menos a parte leste da cidade ainda estaria além dos limites dessa área. Na parte leste, encontramos o Estaleiro, o terminal da Petrobras, etc.

É claro que as condições do tempo no momento do acidente influenciam ou até determinam a propagação do material radioativo. Ventos fortes podem levar o material radiotivo em qualquer direção: Mangaratiba a leste, Paraty a oeste, oceano Atlântico ao sul ou Cunha/SP ao norte.

É claro que todas essas cidades acima não estão livres de ser atingidas, mas aí teríamos que imaginar toda uma situação diferente, o que não farei neste post, talvez em nenhum. Provavelmente assim que o Japão sair das manchetes dos jornais, este assunto será esquecido. Você duvida? Vejamos abaixo outros exemplos....

Alguém ainda está falando dos deslizamentos na serra do Rio? Do terremoto do Haiti que matou mais de 100 mil pessoas? Do vulcão da Islândia cujas cinzas impediram o tráfego aéreo na Europa? Todos esses assuntos são relativamente recentes, mas já não andam na mídia nem nas rodas de bate-papo. Pois é! Parece que a medida de nossa memória é a mídia. Também parece que só ela determina a matéria de nossas conversas, salvo, é claro, o que acontece na vizinhança... as fofocas de bairro.

Já notou como os temas das redações escolares costumam acompanhar os assuntos da novela das oito? Não? Pois veja. É incrível como as crianças pesquisaram sobre leucemia quando uma novela das oito (que começa às 9!) abordou o tema. Há muitos outros casos assim. Não digo que esses temas não devam ser pesquisados, porque devem, mas daí a deixar que a TV determine o que as crianças devem pesquisar...

A verdade é que os alunos mal têm tempo para estudar todos os assuntos fundamentais, básicos, que cairão no Vestibular. E eles ainda pesquisam sobre assuntos que sequer são a base do currículo escolar. Talvez o motivo para esse fato tão curioso (salvo as explicações sociológicas, é claro!) tenha a ver com aquela frase de Oscar Wilde: Que Deus me dê o supérfluo [para viver], porque o básico todo o mundo tem. Consertando a frase ou levando-a para outro contexto: Que Deus me dê o supérfluo [para pesquisar], porque o básico todo o mundo tem [que pesquisar e não pesquisa].

Seja como for, não acredito que o MEC tenha alguma relação secreta com a Rede Globo... Também excluo os bons professores dessa papagaiada acima.

Mas não, não vou falar de Chernobyl. Deus me livre falar desse caso. Mas, se digo Deus me livre, não estou me referindo à gravidade do acidente, mas ao lugar-comum que ele se tornou. Todos falam. E pior: todos falam a mesma coisa. A única novidade sobre o acidente foi a nova pronúncia para o nome da usina. Quem viu o Jornal Nacional ontem, sabe do que estou falando. Pelo menos alguém inovou alguma coisa ao falar de Chernobyl, ou melhor, de Chernóbyl, como dizem os ucranianos com sua pronúncia.

Chernóbyl é a primeira palavra que aprendo a falar em Ucraniano. E provavelmente será a última. Mas vá lá. Já posso dizer que sei falar uma palavra ou outra nesse idioma. Literalmente.

A nova pronúncia me causou mais interesse que as velhas notícias sobre... Chernobyl ou Chernóbyl? Bem... agora tenho que decidir.

Decido depois.


Outras besteiras minhas...

Se ainda posso continuar dizendo bobagens, quero dizer mais esta:

Muitas pessoas, ingenuamente, criticam o fato de termos usinas nucleares. A justificativa que eles apresentam é que as nossas usinas só respondem por 2,5% (alguns dizem 3,3%) do total da energia elétrica produzida no País. Ora! Quem acredita que temos usinas unicamente para a produção de energia elétrica é ingênuo ou não conhece História do Brasil...

As usinas fazem parte de um projeto maior que inclui a produção de armas atômicas. A ONU tem uma lista de paises suspeitos de ter a bomba atômica, mas que não admitem possuí-la. O Brasil faz parte dessa lista.

Como se vê, nossos objetivos não eram, essencialmente, produzir energia elétrica.

Ao todo seriam construídas cerca de 10 usinas nuclerares, mas aí veio a crise do petróleo de 79, a década perdida (a de 80), 15 anos de recessão e outras desgraças nacionais... E os militares mal puderam se manter no poder. No meio de tudo isso, o projeto nuclear brasileiro minguou ou adormeceu. Só nos últimos 17 anos o Brasil voltou a se recuparar daqueles 15 anos de estagnação. E só ultimamente se tem falado novamente em Angra III...

Não falarei sobre a necessidade de um país ter armas nucleares, porque procuro não falar o óbvio. Basta dizer que a Argentina também faz parte daquela lista da ONU, e que o projeto argentino, na década de 70, estava até mais adiantado que o brasileiro. Até pouco tempo atrás, nossas maiores preocupações militares estavam na fronteira sul. É onde o grosso do exercito brasileiro se mantinha posicionado. Agora nossas maiores preocupações estão na fronteira norte...

Mas não, meu caro leitor, não dê demasiada atenção às bobagens que digo. Tudo isto é uma bobagem tão grande, que mal costuma ser assunto para as pesquisas escolares. Há, certamente, outros temas mais fundamentais, necessários ou importantes do que as bobagenzinhas que eu disse acima. Só as digo por falta de assunto.  


PS - Este post não foi financiado pela Eletronuclear nem pelos militares. O único subsídio com o qual este post procurou ser escrito foi a verdade, nada mais que a verdade, este artigo de luxo quando falamos sobre certos assuntos...


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Fukushima é aqui, Fukushima não é aqui