Como os transtornos bipolar e borderline são considerados de difícil diagnóstico e, não raro, bipolares são confudidos com borderlines, temos aí um texto muito interessante para os leitores do ME.
Também existe o filme "Garota Interrompida", cuja protagonista é borderline. Quem já viu o filme?
Leia mais
Qual é a diferença entre bipolar e borderline?
Muitos de vocês já devem ter ouvido falar em Espectro Bipolar, que são aquelas formas mais brandas do transtorno bipolar, entre elas a ciclotimia e o TAB-SOE.
A ciclotimia, embora classificada como uma doença à parte pelo CID-10, não deixa de ser uma forma mais leve de transtorno bipolar. Já o TAB-SOE são aqueles episódios de depressão, mania, etc., que não atendem a todas as exigências do CID-10 e, por isso, são chamados de inespecificados. Há sintomas, mas não suficientes ou claros o bastante para caracterizar um episódio maníaco, misto, etc.
Pois bem! Do mesmo modo que há o Espectro Bipolar, com suas formas mais brandas do TAB, existe o Espectro Esquizofrênico, do qual faz parte o transtorno esquizoafetivo.
O transtorno esquizoafetivo não é simplesmente a soma da esquizofrenia e do transtorno bipolar, porque, na prática, temos aí algo mais brando que a esquizofrenia. Do contrário, o transtorno esquizoafetivo não estaria dentro do espectro esquizofrênico tal como a ciclotimia está dentro do espectro bipolar...
Grosso modo, essa é a melhor comparação que posso fazer.
No transtorno esquizoafetivo, temos crises como as do transtorno bipolar e, no restante do tempo, podemos perceber sintomas esquizofrênicos.
Talvez agora alguém diga: "Mas na esquizofrenia também há essas crises, às vezes muito semelhantes às do TAB, sem que possamos distingui-las à primeira vista. Como saber se é transtorno esquizoafetivo ou transtorno esquizofrênico? Além do mais, como saber se não é TAB?"
No TAB, entre uma crise e outra, há ou costuma haver períodos de vida normal. Esses períodos não são iguais àqueles que vemos entre uma crise e outra do esquizofrênico. Estabilizado o humor, o bipolar volta a ser o que era, ainda que, entre uma crise e outra, possa haver "resquícios", sintomas leves e flutuantes. Já na esquizofrenia, há os sintomas negativos, que não existem no TAB. Entre uma crise e outra, o esquizofrênico já não volta a ser extamente o que era.
A esquizofrenia afeta algo mais profundo que o humor ou o afeto. Tratá-la não é só uma questão de estabilizar o humor, como no transtorno bipolar...
"Mas OK", talvez você diga agora, "já temos uma ideia da diferença entre transtorno bipolar e esquizofrenia. Mas qual a diferença entre os transtornos bipolar e esquizoafetivo?"
Como eu disse, o transtorno esquizoafetivo está dentro do espectro esquizofrênico; é mais brando, por assim dizer, do que a esquizofrenia. Para termos uma ideia melhor, basta lembrar que pacientes esquizoafetivos costumam obter melhores resultados com o tratamento do que pacientes esquizofrênicos, desde que recebam, obviamente, tratamento adequado para transtorno esquizoafetivo.
Na prática, neste último transtorno, veremos crises ou fases como aquelas que vemos no TAB, mas também veremos, entre uma crise e outra, características que nos lembram a esquizofrenia, sem que chegue a ser um caso clássico de esquizofrenia ou a causar exatamente os mesmos prejuízos na vida social do indivíduo. Comparado com a esquizofrenia, o transtorno esquizoafetivo limita menos a vida social do paciente.
O diagnóstico de transtorno esquizoafetivo poder ser ainda controverso, mas os resultados obtidos com o tratamento adequado já nos dizem algo. Aliás, já nos dizem muito...
Certamente há outras diferenças entre esses três transtornos, mas, por enquanto, fiquemos com essas aí. Já são suficientes para que tenhamos uma noção sobre o assunto. Seja como for, não se surpreenda se, não prática, não for tão claro para os profissionais distinguir os três transtornos. Porque de fato não é. Você já ouviu falar numa coisa chamada diagnóstico errado? De vez em quando eu ouço...
Mas ânimo! Os profissionais da área ainda são as pessoas mais adequadas para enxergar diferenças ente esta e aquela enfermidade parecida... São eles também que costumam dar o diagnóstico correto, é claro! Quem mais poderia ser? Enfim, eles ainda são o que temos de melhor, especialmente para os casos mais complexos.
Procure os profissionais da área desde o início.
Leia mais
Qual é a diferença entre bipolar e borderline?
Sabemos que um Punk de verdade não se resume às roupas rasgadas ou surradas que ele usa. Ser Punk é um modo de ser, pensar e respirar. Dizem até que Punk de verdade não toma banho, o que eu duvido. Ao menos uma vez na semana ele deve se banhar...
Mas o que eu quero dizer é que ninguém é Punk porque vestiu uma calça de couro, subiu numa moto e arrepiou os cabelos com gel. Punk que é Punk tem as calças surradas porque as usou até a exaustão, porque senta-se no chão, em qualquer lugar, não tem cuidado. Quem compra uma calça já surrada na boutique, não é Punk, porque não teve a atitude de usá-la até estragá-la. Quem compra calça surrada para parecer Punk, não é Punk de verdade, ou melhor, é Punk de boutique...
A atitude de desgastar a calça com o uso, até que ela se rasgue ou fique surrada, é uma atitude que caracteriza o verdadeiro Punk. Mas há pessoas que podem usar uma calça durante anos, que ela nunca vai se rasgar ou se estragar, simplesmente porque o estilo de vida dessa pessoa não permite isso. A calça não vai estragar se você só se senta em poltronas macias ou se você só a usa em ambientes aconchegantes.
De igual maneira, Cowboy de verdade é aquele que monta a cavalo ou, num rodeio, sobe num touro sem medo de cair, porque ele sabe que vai ser arremessado ao chão no fim das contas. É aquele que usa o chapéu para proteger o rosto do sol.
Quem usa um chapéu de Cowboy na cidade, dentro de um ambiente refrigerado ou numa noite sem sereno, por pura vaidade, não é Cowboy de verdade. O Cowboy vai à cidade de cahpéu porque saiu do campo de chapéu. O cowboy usa chapéu à noite porque já estava com ele na cabeça durante o dia. Se o Cowboy entra num ambiente refrigerado usando chapéu, é porque ele vem de um lugar ao ar livre e esqueceu o chapéu na cabeça. Ou não teve onde deixá-lo.
Cowboy de verdade não usa o chapéu por vaidade ou para fazer tipo, ainda que possa cuidar de seu chapéu com zelo e ter orgulho dele.
Quem se fantasia de Cowboy, não é Cowboy de verdade. A atitude faz o Cowboy; não a roupa.
Do mesmo modo, quem não passa por crises de depressão e de euforia, não é bipolar de verdade. Quem se diz bipolar porque é moda e não porque apresenta sintomas de TAB, é como o Punk de boutique ou o Cowboy de apartamento.
É curioso como muitas pessoas se autodenominam bipolares enquanto os bipolares de verdade estão buscando tratamento para anular os sintomas do TAB. É por causa dessas e outras atitudes, praticadas por pessoas normais, que podemos dizer que vivemos num mundo louco. Mas assim são as pessoas normais. Completamente loucas...
Mas, depois dos Punks de boutique e dos Cowboys de apartamento, os bipolares de fancaria já não me surpreendem. É a última moda. É a última loucura das pessoas normais. Aguardemos a próxima moda quando esta (a de ser bipolar) finalmente tiver passado...
Haveria um lado bom (aliás, um lado ótimo) se as pessoas se informassem a respeito do que elas afirmam ser. Mas quem é Punk de boutique não quer descobrir o que é ser Punk de verdade, tem até receio dos verdadeiros Punks, ou do contrário se aproximaria destes. Afinal, qual é o impedimento? Quem é Cowboy de apartamento geralmente odeia terra e sol na cara, e bebe leite de caixinha como qualquer pessoa da cidade, de modo que, para o Cowboy de apartamento, a vida do Cowboy de verdade é completamente ignorada. Ao menos na prática.
Se o Cowboy de verdade tivesse que se mudar para um apartamento na cidade, ele fugiria para o campo sempre que possível. De preferênica, a galope, montado num cavalo. Mas o Cowboy de mentira, o Cowboy de apartamento, só "foge" de casa para o clube social ou para o shopping. Nunca a cavalo.
Do mesmo modo, os bipolares de fancaria não procuram saber o que é TAB e ficam sendo uma coisa que eles mal sabem o que é... Isso diminuiu o preconceito? Ao que parece, não. Mostre a um bipolar de mentira um bipolar de verdade e ele não vai se reconhecer, não vai se identificar.
Em poucas palavras, você pode dizer que é bipolar, desde que não o seja de fato. Afinal, quando a próxima moda chegar e você tiver que deixar de ser bipolar para ser outra coisa, será preciso saber "curar-se" a tempo de estar em dia com o último grito, a última moda... Você não vai querer ficar para trás quando esse momento chegar, vai?
Leia mais
O futuro da palavra bipolar
Espectro Bipolar - Entrevista com Akiskal
Bate-Papo Sobre Transtorno Bipolar, com o Dr. Joseph Biederman
Encontrei esta ótima postagem de José Luís, no Blog Hispano Trastorno Bipolar, e não pude deixar de traduzi-la para vocês. Leia o texto original espanhol clicando aqui.
Mitos e Verdades Sobre o Transtorno Bipolar
Enfrentemos antes de mais nada uma verdade incontestável: a grande maioria das pessoas desconhece por completo a enfermidade. O Transtorno Bipolar continua sendo um grande desconhecido e se usa injustamente para definir, às vezes, pessoas que se entediam, pessoas que estão deprimidas ou pessoas que por natureza não são muito dadas a se relacionar com os demais. Não é raro tampouco escutar alguém dizer que alguém é “bipolar” só porque mudou de opinião sobre algo ou porque não se encaixa em nenhuma outra categoria.
Infelizmente, também basta uma pesquisa rápida em qualquer site de buscas da Internet para ler em mil e um fóruns comentários de adolescentes que se alcunham a si mesmos de bipolares sem terem recebido nenhum diagnóstico médico. O Transtorno Bipolar NÃO é um estado de espírito ou uma forma de ser. É uma enfermidade que pode chegar a ser terrível e que às vezes leva quem dela padece ao limite de sua capacidade física e psicológica.
Felizmente, também se pode lutar contra ela e ganhar. O primeiro passo é separar os mitos das verdades...
Falso Mito 1: “Todos os bipolares oscilam constantemente e sem remédio entre a mania e a depressão.”
Falso, falso, falso! Bem, quase sempre. A verdade é que algumas pessoas sim alternam entre mania e depressão rapidamente (cicladores rápidos), mas a grande maioria sofre de depressão muito mais frequentemente que de episódios maníacos. De fato, a maia em muitos bipolares pode ser tão suave, que costuma passar despercebida.
Certamente, também há bipolares que passam dias, semanas e inclusive meses sem padecer de nenhum sintoma. Às vezes essa situação de “paz” emocional (chamada Eutimia) se deve a uma medicação correta, a um ambiente estável ou a um grupo de apoio eficiente... mas outras simplesmente acontecem, falando claro, de forma espontânea. Sim, a evolução de um Transtorno Bipolar ainda é um mistério às vezes, mas felizmente cada vez se estuda e se conhece mais. Não seria de estranhar que esta fosse a década em que se consiga dar um passo de gigante na luta.
Falso Mito 2: “O Transtorno Bipolar só afeta o estado de espírito.”
O quê? Como? Falso, falso e mais que falso! Mesmo que pareça mentira a esta altura do século XXI, muitas pessoas ainda consideram os bipolares “deprimidos”, “instáveis” ou inclusive os alcunham de “paranoicos”. Mas o Transtorno Bipolar não é estar sempre triste, nem tampouco é uma maneira diferente de se sentir, nem certamente é um mero ataque emocional. Os bipolares sofrem de uma enfermidade com consequências que, sem tratamento adequado, podem ser terríveis para o paciente e para as pessoas à sua volta.
O Transtorno Bipolar “brinca” com o estado de espírito e o humor, mas também afeta à nível de energia, pensamento crítico, memória, concentração, apetite e inclusive desejo sexual. Por quê? Porque é uma enfermidade originada no cérebro e que afeta as conexões entre neurônios. Essas conexões afetam TUDO o que fazemos, TUDO o que pensamos e TUDO o que em definitivo acreditamos que somos. Por isso, é importante atender de forma especial às “quedas” na autoestima dos pacientes, o que pode levá-los a estados de ansiedade ou inclusive a cair nas drogas ou no álcool.
Por último, também se demonstrou que os afetados por Transtorno Bipolar correm um maior risco de sofrer hipertensão, enxaqueca e inclusive diabetes.
Falso Mito 3: “Um bipolar diagnosticado não pode melhorar porque não se descobriu nenhuma cura confiável, nem ele pode levar uma vida normal.”
Se não fosse má educação, juro que eu começaria a rir. É uma mentira das grandes! É completamente falso! E o pior de tudo é que isto mesmo é o que costumam garantir as pessoas mais ignorantes do mundo sobre o assunto. Mas no fundo não é só culpa deles, mas também dos próprios bipolares que em não poucas ocasiões exteriorizam seu sentimento de estigma.
Seja como for – e apoiam minhas palavras milhares de histórias de sucesso e superação no mundo –, é falso que um bipolar não possa levar uma vida normal e inclusive sobressair-se. Muitos bipolares têm carreiras profissionais brilhantes, relações familiares e amorosas felizes.
Não é minha intenção enganar a ninguém. Viver e enfrentar o transtorno bipolar não é fácil, mas com o tratamento correto, as técnicas adequadas para controlar os sintomas e um sistema de apoio bem desenhado, pode-se alcançar uma vida plena e FELIZ. É um fato, uma realidade e uma esperança que ninguém jamais deveria tirar de um bipolar.
Falso Mito 4: “Além da medicação, não há nada no mundo que se possa fazer para controlar um Transtorno Bipolar.”
Até há uns poucos anos, esta era uma das grandes verdades científicas sobre a enfermidade. Mas atualmente nenhum especialista se atreve a questionar que é falso. Falso, falso, falso!
Sim, a medicação é o alicerce irrenunciável para o tratamento efetivo do Transtorno Bipolar, mas já se demonstrou que, sem aliados mais mundanos, seu índice de sucesso é muito menor. A terapia emocional e as técnicas de autoajuda têm um papel essencial para a vida de um bipolar.
Pode-se aprender a controlar o aparecimento de sintomas, a “vê-los vir” antes que aconteçam. Também se pode atenuar os efeitos do Transtorno Bipolar seguindo rotinas diárias específicas, monitorando os ciclos da enfermidade e criando um círculo próximo de “aliados” para lutar contra a enfermidade. Dormir bem, consumir alimentos saudáveis e evitar o estresse são só três hábitos que por si sós podem fazer a diferença entre um bipolar estável e um que sofre.
A todos os amigos que fiz ao longo dos anos, faço a mesma pergunta: Vale a pena não tentar?
Tome hoje, por fim, as rédeas de sua vida.
José L. González
http://www.TrastornoBipolarWeb.com
Leia mais
O que os leigos deveriam saber sobre bipolares