TEXTO DA JÉSSICA
Não quero minha vida igual a tudo o que se vê
Sempre fui a NERD da sala desde a 1ªsérie do primário e meus professores, pais e familiares sempre apostaram muito em mim. Porém, o que conquistei até hoje? NADA DE MAIS! Não penso em fazer faculdade, ao menos tenho um trabalho, ganho 2O reais por mês de mesada, não tenho carro e nem tenho vontade de ter um, ando com um jeans velho, all star e o ego lá embaixo".
COMENTÁRIO
Se a função da escola é preparar o aluno para a vida fora da escola, por que há bons alunos que não se adaptam à vida fora da escola, quando se tornam adultos? Tentemos entender.
Não conseguimos um emprego exatamente devido às nossas habilidades profissionais. Imagine que você seja advogado, que você é excelente nesse área, etc. Então você se dirige a um bom escritório de Advocacia para pedir emprego. O que acontece lá? No mínimo, uma boa conversa.
O mais comum é que o dono do escritório estranhe sua iniciativa e comece a perguntar:
a) Quem o mandou aqui?
b) Temos algum conhecido em comum?
c) Mas por que exatamente você procurou nosso escritório?
d) Qual é mesmo o seu sobrenome?
e) De que família mesmo você é?
f) Você pode deixar um currículo?
As últimas perguntas, que talvez não sejam feitas, serão sobre suas habilidades profissionais.
Agora, imagine que você vive numa cidade turística do Nordeste, uma que receba muitos turistas estrangeiros. Você nota que 99% dos atendentes do posto turístico local não falam outros idiomas. Então você pensa: "Sou capaz de conversar em outras línguas e por isso será muito fácil conseguir um emprego ali." Então você vai pedir o emprego como 99% dos outros funcionários fizeram, porque eles também são contratados. Mas o emprego lhe é negado. O que houve? Você não está apto para o emprego?
Se os outros funcionários, que atendem turistas americanos sem saber inglês, estão aptos, isso significa que você, por ser capaz de conversar em inglês, não está menos apto que eles! Então você pensa: "Agora o quadro de funcionários está 100% preenchido, vou esperar que surja uma vaga." E você espera durante alguns anos. Funcionários deixam o emprego e outros são contratados. A percentagem de funcionários que não sabe outro idioma continua a mesma, 99%. Mas sempre que você pede o emprego, ele lhe é negado. O que está havendo?
Obviamente, o que lhe falta não são habilidades profissionais. O que lhe falta é compadrio...
Mas até aí estivemos falando de Sociologia, de relações de compadrio, de um comportamento social ainda típico no Brasil. O título do post prometia outro assunto... Vamos a ele.
Suponhamos que você chegou a uma empresa onde há 0% de relações de compadrio (imaginemos; é tudo imaginação; não estou dizendo que tais empresas existam ou que existam aos montes por aí...). Nela, você também não consegue o emprego, apesar de ser apto para a função. O que houve?
Da mesma forma que precisamos de inteligência emocional para fazer amigos, também precisamos dela para conversar com nossos futuros chefes ou superiores, para conseguir um emprego. Não, não estou falando de puxar o saco; não entendam mal.
Imaginemos este caso:
Talvez você esteja satisfeito com seu trabalho, mas se esquece de sorrir, especialmente quando seu chefe está por perto. Seu coração está feliz, mas seu rosto diz o contrário. E aquilo que seu rosto diz é a única coisa que seu chefe verá.
Talvez você concorde com uma ideia de seu colega de trabalho, mas você se esquece de se expressar com palavras durante a reunião em que ele apresenta essa ideia. E pior: você se esquece de fazer uma cara ou um gesto de aprovação. Seu colega e os demais, obviamente, entenderão que você é contra. Então mais tarde, enquanto você estiver trabalhando a favor da ideia, os outros estarão pensando que você não está se esforçando. Talvez seu colega até sinta raiva... Afinal, você é contra.
Especialmente se seu patrão não o supervisiona o tempo todo, ele pode até pensar que você não está colaborando para a ideia.
Agora, imaginemos um funcionário que age do modo oposto. Ele demonstra que está a favor da ideia, mas, em seu íntimo, não está. E ele não se empenha. Mas, até onde seja possível enganar aos chefes e aos colegas, esse funcionário será bem sucedido... Ele não deixa de estar usando sua inteligência emocional, mas para o mal.
E é essa inteligência emocional que, às vezes, nos faz falta quando estamos em busca de um emprego, de novos amigos e até de um novo amor...
Mesmo assim, ainda há algo no texto da Jésscia que é digno de nota.
Ainda não recebi o resultado do teste de QI da Jéssica, mas imaginemos de antemão que sua pontuação seja bastante alta. Isso faz com que suas relações interpessoais se restrinjam bastante, se por acaso ela não se obrigue a ter amizade com esta ou aquela pessoa. Explico:
Quanto maior a diferença de QI entre as pessoas, mais elas tendem a se repelir naturalmente. E quanto menor essa diferença, mais elas tendem a se agrupar de maneira natural. Tenhamos em mente, portanto, as pessoas de QI 120. Essas pessoas representam 5% da população. Isso quer dizer que quanto mais elas se afastem desse grupo de 5%, menores serão as probabilidades de elas se relacionarem com alguém de maneira agradável.
Agora, outro caso. Imaginemos aquelas pessoas que têm um QI altíssimo e que, por desgraça, vivam em pequenas ou médias cidades. Provavelmente não haverá outra pessoa com QI igual em sua cidade ou haverá uma ou outra. É triste? Tristíssimo.
Mas, voltando a falar de empregos, direi que, ironicamente, todas as grandes empresas afirmam estar em busca de grandes QIs, de gênios, de pessoas aptas... Pois é! Parece que da teoria à prática vai uma pernada bem grande... ou não vai.
Moral da história: Ao menos em se tratano de nossa carreira profissional ou de um simples emprego, dependemos não só de QI, mas de QE (inteligência emocional), de relações de compadrio, da oferta atual de vagas, da geografia (as oportunidades que há onde vivemos), etc.
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sábado, 2 de abril de 2011
Inteligência Emocional
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sábado, 26 de março de 2011
Meu querido mundo virtual
TEXTO DA JÉSSICA
Meu querido mundo virtual
(...) Me envolvi tanto nesse mundo que o mundo real se tornou um mero detalhe. Eu CRIEI esse mundo, dei grande importância a ele e agora é tarde para tentar reverter. Porém, se eu pudesse voltar atrás, talvez eu fizesse tudo de novo. Sabe por que? Porque mesmo não sendo real é esse o mundo que eu queria pra mim. É como um sonho bom, no qual eu viveria pra sempre se pudesse. (...)
COMENTÁRIO
Um sujeito já disse que as mulheres imaginadas eram melhores que as reais, porque as imaginadas sempre eram como ele queria, mas as reais, às vezes, o decepcionavam.
É claro que o pensamento acima é masculino, mas existem variantes. A variante feminina-adolescente-ser-humano da Jéssica por exemplo. Às vezes as pessoas imaginam que se tornam mais populares através de um blog, que assim os outros riem mais de suas piadas, etc. Na verdade, não nos tornamos mais engraçados. O que acontece é que encontramos mais gente que ri de nossas piadas. Exemplo:
Se você tem 100 amigos e se apenas 1% deles te acha engraçado, provavelmente você se considera uma pessoa sem graça. Porque, de 100 amigos, apenas 1 ri de suas piadas. Definitivamente, você não se sente o Jô Soares. Mas chega o dia em que você começa a publicar um blog e a postar suas piadas "sem graça" nele. As visitas começam a aumentar, seu número de seguidores começa a crescer... até que um dia você tem 1000 seguidores que riem de suas piadas "sem graça". O que aconteceu? Explico:
Na Internet, não estamos limitados a um pequeno grupo de amigos. Há milhões de pessoas no mundo inteiro que têm blogs. São pessoas que riem de suas piadas "sem graça", mas que nunca te conheceriam se você jamais tivesse começado com um blog. Então façamos as contas. Cem mil pessoas passaram por seu blog e apenas 1% delas achou graça em suas piadas e se tornaram seguidores do blog. Tudo mudou? Não! Absolutamente nada mudou. Apenas 1% das pessoas, como antes, acha graça no que você diz. O que acontece é que 1% de 100 é 1. E 1% de 100.000 são 1000!
Ao menos em números relativos, portanto, nada mudou. E suas piadas também não mudaram; são as mesmas. Você inclusive é o mesmo "sem graça" de sempre.
Mas por que isso acontece? Explico:
Se você vive numa cidadezinha do interior (com 10 mil habitantes, por exemplo) e se você tenta discutir Filosofia com todo o mundo, então provavelmente você é o chato da cidade, mesmo que tenha excelentes comentários a fazer, excelentes ideias ou informações sobre o assunto. Porque simplesmente ninguém ou quase ninguém em sua cidadezinha se interessa pelo assunto. Mas ampliemos o seu mundo; alarguemo-lo para 100.000 habitantes. Como isso é possível? Também explico:
Se você escreve um blog, ele não ficará restrito à sua cidadezinha-caixa-de-fósforos. Seu blog poderá ser visto por milhões de pessoas no mundo inteiro. (Obviamente, se você escreve em português, já não poderá contar com a visita de todos os demais blogueiros do mundo. Mas, mesmo assim, você ainda poderá contar com muitos visitantes. Os que falam português, é claro!)
Continuemos refletindo. O assunto de seu blog é de pouco interesse, você fala sobre a vida secreta das baratas, por exemplo. Não importa. Haverá sempre outras pessoas como você, com os mesmos interesses. O que acontece é que elas estão espalhadas por aí, mundo afora, em vez de estarem todas reunidas em sua cidadezinha, discutindo sobre a vida secreta das baratas...
Sendo assim, não somos nós que nos tornamos mais interessantes. Nós já o éramos. (Que fique bem claro: nós já éramos interessantes, engraçados, cativantes, etc.)
O que podemos dizer é que nós nos tornamos mais populares, porque mais pessoas passam a nos ouvir e, o que é melhor, passam a nos escutar com interesse. Talvez elas mesmas, essas outras pessoas, já tenham se sentido também o chato municipal uma vez, porque se interessam por assuntos que pouca gente quer ouvir e porque também vivem isoladas em pequenas cidades.
Eu, por exemplo, não falo o que quero. Falo apenas o que os outros querem ouvir ou me calo. Não posso ter uma conversa agradável sobre Literatura com uma pessoa que não se interessa pelo assunto. Ou me calo ou falamos sobre um tema que seja do interesse dessa outra pessoa.
Um dos temas mais populares do mundo, certamente, é o futebol. Mas, por algum motivo misterioso, não há muitos blogs sobre o assunto por aí... Há exceções, é claro. E boas exceções, graças a Deus.
Mas, quando se trata de um blog, não sou eu quem se adapta. Eu simplesmente digo o que quero e as pessoas (se elas assim o querem) é que se aproximam. Obviamente, se falamos apenas o que queremos, rechaçamos muitas pessoas que não querem nos ouvir. Mas vejamos o lado bom: Só as pessoas que realmente querem nos escutar (ou melhor, nos ler) se aproximam de nós, ou seja, de nosso blog.
E assim separamos o joio do trigo: As pessoas que não se interessam pelo que dizemos, se afastam (o que é desejável) e as que se interessam, se aproximam (o que é igualmente desejável). Obviamente, não podemos agir assim no mundo real, isto é, numa cidade ou em nosso pequeno grupo de amigos. Novamente, explico:
Voltemos àquele exemplo. Se você tem 100 amigos e se apenas 1% deles se interessa realmente pelas coisas que você diz, então você só será capaz de conversar com um único amigo se você só fala o que quer o tempo todo. Quanto aos outros seus 99 amigos, provavelmente você não poderia tê-los. Porque nunca vi ninguém manter amigos se nunca conversa com eles.
Sendo assim, se estamos falando de um mundo real, temos que nos adaptar a ele em maior ou menor grau. Mas, se estamos falando de um mundo imaginário ou virtual, então esse mundo é que se adapta a nós em maior ou menor grau.
Ainda assim, eu diria que há uma diferença entre mundo virtual e imaginário.
Mundo virtual não significa um mundo que não existe. Eu, por exemplo, sou virtual para você que me lê, mas nem por isso deixo de existir. Da minha parte, posso dizer que sou bem real.
Sobre um mundo realmente imaginário, esse sim é 100% à nossa maneira. As pessoas que vivem nele, ou foram inventadas por nós ou são pessoas reais que se comportam como queremos.
A Jéssica também escreveu: "Nesse 'imaginário mundo virtual' eu criei amigos, me tornei popular [engraçada & cativante] (...)". Como eu disse acima, ela já era engraçada e cativante antes de criar seu imaginário mundo virtual. Tornar-se popular veio depois, porque através do blog ela deixou uma pequena comunidade para ganhar o mundo, literalmente.
Em poucas palavras, ela não se tornou popular ao mesmo tempo em que se tornou engraçada e cativante. Estes dois últimos adjetivos ela já possuía. E, por possuir estes dois últimos adjetivos, ela se tornou popular quando começou com o blog. Daí também podemos dizer que, em seu círculo de amigos, colegas, parentes, etc., ela não recebia o devido valor. Às vezes, Deus não nos põe nos melhores lugares e temos que ir para outra parte. Jesus é um bom exemplo, tendo deixado sua cidade no sul, indo para a capital mais ao norte, amaldiçoando um ou outro lugar no caminho (Cafarnaum que o diga!), porque se sentia atirando pérolas aos porcos...
Talvez alguém diga que a Jéssica vive em São Paulo, uma das maiores cidades do mundo. Mas, se São Paulo tem 1000 vezes mais habitantes que uma cidadezinha do interior, isso não significa que os habitantes de Sampa tenham, necessariamente, 1000 vezes mais amigos. Isso tampouco significa que um estudante de Sampa tenha 1000 vezes mais colegas de turma em sua escola paulistana!
É claro que é mais fácil encontrar semelhantes em uma cidade grande e reunir-se com eles lá, mas creio que todos tenham entendido o que procurei dizer com o parágrafo anterior. (Se não entenderam, continuem refletindo...)
Por fim (isto aqui tem que ter um fim, porque já está ficando grande), por fim eu diria que a Jéssica poderia pôr os pés para fora de seu querido mundo virtual, mas vendo bem onde põe os pés. Porque, como todos sabemos, este mundo real tem sua parte boa e sua parte má. E a parte boa, além do mais, nem sempre dura para sempre, mesmo que possa durar bastante ou muito. É como saltar de um barco: primeiro veja se há terra firme onde pôr os pés, senão não salte; espere um pouco mais...
Moral da história: Não atire pérolas aos porcos. Escreva um blog e veja no que dá!
Leia mais
Perfeita Perfeição
Modelos de Felicidade
Por que alguns blogs são mais visitados que outros
Tipos de Blogs
Meu querido mundo virtual
(...) Me envolvi tanto nesse mundo que o mundo real se tornou um mero detalhe. Eu CRIEI esse mundo, dei grande importância a ele e agora é tarde para tentar reverter. Porém, se eu pudesse voltar atrás, talvez eu fizesse tudo de novo. Sabe por que? Porque mesmo não sendo real é esse o mundo que eu queria pra mim. É como um sonho bom, no qual eu viveria pra sempre se pudesse. (...)
COMENTÁRIO
Um sujeito já disse que as mulheres imaginadas eram melhores que as reais, porque as imaginadas sempre eram como ele queria, mas as reais, às vezes, o decepcionavam.
É claro que o pensamento acima é masculino, mas existem variantes. A variante feminina-adolescente-ser-humano da Jéssica por exemplo. Às vezes as pessoas imaginam que se tornam mais populares através de um blog, que assim os outros riem mais de suas piadas, etc. Na verdade, não nos tornamos mais engraçados. O que acontece é que encontramos mais gente que ri de nossas piadas. Exemplo:
Se você tem 100 amigos e se apenas 1% deles te acha engraçado, provavelmente você se considera uma pessoa sem graça. Porque, de 100 amigos, apenas 1 ri de suas piadas. Definitivamente, você não se sente o Jô Soares. Mas chega o dia em que você começa a publicar um blog e a postar suas piadas "sem graça" nele. As visitas começam a aumentar, seu número de seguidores começa a crescer... até que um dia você tem 1000 seguidores que riem de suas piadas "sem graça". O que aconteceu? Explico:
Na Internet, não estamos limitados a um pequeno grupo de amigos. Há milhões de pessoas no mundo inteiro que têm blogs. São pessoas que riem de suas piadas "sem graça", mas que nunca te conheceriam se você jamais tivesse começado com um blog. Então façamos as contas. Cem mil pessoas passaram por seu blog e apenas 1% delas achou graça em suas piadas e se tornaram seguidores do blog. Tudo mudou? Não! Absolutamente nada mudou. Apenas 1% das pessoas, como antes, acha graça no que você diz. O que acontece é que 1% de 100 é 1. E 1% de 100.000 são 1000!
Ao menos em números relativos, portanto, nada mudou. E suas piadas também não mudaram; são as mesmas. Você inclusive é o mesmo "sem graça" de sempre.
Mas por que isso acontece? Explico:
Se você vive numa cidadezinha do interior (com 10 mil habitantes, por exemplo) e se você tenta discutir Filosofia com todo o mundo, então provavelmente você é o chato da cidade, mesmo que tenha excelentes comentários a fazer, excelentes ideias ou informações sobre o assunto. Porque simplesmente ninguém ou quase ninguém em sua cidadezinha se interessa pelo assunto. Mas ampliemos o seu mundo; alarguemo-lo para 100.000 habitantes. Como isso é possível? Também explico:
Se você escreve um blog, ele não ficará restrito à sua cidadezinha-caixa-de-fósforos. Seu blog poderá ser visto por milhões de pessoas no mundo inteiro. (Obviamente, se você escreve em português, já não poderá contar com a visita de todos os demais blogueiros do mundo. Mas, mesmo assim, você ainda poderá contar com muitos visitantes. Os que falam português, é claro!)
Continuemos refletindo. O assunto de seu blog é de pouco interesse, você fala sobre a vida secreta das baratas, por exemplo. Não importa. Haverá sempre outras pessoas como você, com os mesmos interesses. O que acontece é que elas estão espalhadas por aí, mundo afora, em vez de estarem todas reunidas em sua cidadezinha, discutindo sobre a vida secreta das baratas...
Sendo assim, não somos nós que nos tornamos mais interessantes. Nós já o éramos. (Que fique bem claro: nós já éramos interessantes, engraçados, cativantes, etc.)
O que podemos dizer é que nós nos tornamos mais populares, porque mais pessoas passam a nos ouvir e, o que é melhor, passam a nos escutar com interesse. Talvez elas mesmas, essas outras pessoas, já tenham se sentido também o chato municipal uma vez, porque se interessam por assuntos que pouca gente quer ouvir e porque também vivem isoladas em pequenas cidades.
Eu, por exemplo, não falo o que quero. Falo apenas o que os outros querem ouvir ou me calo. Não posso ter uma conversa agradável sobre Literatura com uma pessoa que não se interessa pelo assunto. Ou me calo ou falamos sobre um tema que seja do interesse dessa outra pessoa.
Um dos temas mais populares do mundo, certamente, é o futebol. Mas, por algum motivo misterioso, não há muitos blogs sobre o assunto por aí... Há exceções, é claro. E boas exceções, graças a Deus.
Mas, quando se trata de um blog, não sou eu quem se adapta. Eu simplesmente digo o que quero e as pessoas (se elas assim o querem) é que se aproximam. Obviamente, se falamos apenas o que queremos, rechaçamos muitas pessoas que não querem nos ouvir. Mas vejamos o lado bom: Só as pessoas que realmente querem nos escutar (ou melhor, nos ler) se aproximam de nós, ou seja, de nosso blog.
E assim separamos o joio do trigo: As pessoas que não se interessam pelo que dizemos, se afastam (o que é desejável) e as que se interessam, se aproximam (o que é igualmente desejável). Obviamente, não podemos agir assim no mundo real, isto é, numa cidade ou em nosso pequeno grupo de amigos. Novamente, explico:
Voltemos àquele exemplo. Se você tem 100 amigos e se apenas 1% deles se interessa realmente pelas coisas que você diz, então você só será capaz de conversar com um único amigo se você só fala o que quer o tempo todo. Quanto aos outros seus 99 amigos, provavelmente você não poderia tê-los. Porque nunca vi ninguém manter amigos se nunca conversa com eles.
Sendo assim, se estamos falando de um mundo real, temos que nos adaptar a ele em maior ou menor grau. Mas, se estamos falando de um mundo imaginário ou virtual, então esse mundo é que se adapta a nós em maior ou menor grau.
Ainda assim, eu diria que há uma diferença entre mundo virtual e imaginário.
Mundo virtual não significa um mundo que não existe. Eu, por exemplo, sou virtual para você que me lê, mas nem por isso deixo de existir. Da minha parte, posso dizer que sou bem real.
Sobre um mundo realmente imaginário, esse sim é 100% à nossa maneira. As pessoas que vivem nele, ou foram inventadas por nós ou são pessoas reais que se comportam como queremos.
A Jéssica também escreveu: "Nesse 'imaginário mundo virtual' eu criei amigos, me tornei popular [engraçada & cativante] (...)". Como eu disse acima, ela já era engraçada e cativante antes de criar seu imaginário mundo virtual. Tornar-se popular veio depois, porque através do blog ela deixou uma pequena comunidade para ganhar o mundo, literalmente.
Em poucas palavras, ela não se tornou popular ao mesmo tempo em que se tornou engraçada e cativante. Estes dois últimos adjetivos ela já possuía. E, por possuir estes dois últimos adjetivos, ela se tornou popular quando começou com o blog. Daí também podemos dizer que, em seu círculo de amigos, colegas, parentes, etc., ela não recebia o devido valor. Às vezes, Deus não nos põe nos melhores lugares e temos que ir para outra parte. Jesus é um bom exemplo, tendo deixado sua cidade no sul, indo para a capital mais ao norte, amaldiçoando um ou outro lugar no caminho (Cafarnaum que o diga!), porque se sentia atirando pérolas aos porcos...
Talvez alguém diga que a Jéssica vive em São Paulo, uma das maiores cidades do mundo. Mas, se São Paulo tem 1000 vezes mais habitantes que uma cidadezinha do interior, isso não significa que os habitantes de Sampa tenham, necessariamente, 1000 vezes mais amigos. Isso tampouco significa que um estudante de Sampa tenha 1000 vezes mais colegas de turma em sua escola paulistana!
É claro que é mais fácil encontrar semelhantes em uma cidade grande e reunir-se com eles lá, mas creio que todos tenham entendido o que procurei dizer com o parágrafo anterior. (Se não entenderam, continuem refletindo...)
Por fim (isto aqui tem que ter um fim, porque já está ficando grande), por fim eu diria que a Jéssica poderia pôr os pés para fora de seu querido mundo virtual, mas vendo bem onde põe os pés. Porque, como todos sabemos, este mundo real tem sua parte boa e sua parte má. E a parte boa, além do mais, nem sempre dura para sempre, mesmo que possa durar bastante ou muito. É como saltar de um barco: primeiro veja se há terra firme onde pôr os pés, senão não salte; espere um pouco mais...
Moral da história: Não atire pérolas aos porcos. Escreva um blog e veja no que dá!
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Perfeita Perfeição
Modelos de Felicidade
Por que alguns blogs são mais visitados que outros
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Prosa,
Unicórnio de Pano
terça-feira, 8 de março de 2011
Amigos, amores, parentes
TEXTO DA JÉSSICA
(...) Amigos? Duvido cada dia mais que essa palavra possa se tornar real em mim. Sigo agora da mesma maneira como eu entrei naquela escola. Sigo sem peso algum, sem culpa alguma. Só com a certeza de que tudo isso partiu do fato de que eu sempre quis ajudar as pessoas. E é isso que ganho em troca. E isso dói muito. Ah, como dói! Mas foi o que restou. (...)
COMENTÁRIO
Muitas vezes o que chamamos amizade ou amor tem mais partes de interesse, conveniência, comodismo ou dependência que de outra coisa.
Se você tinha amigos na escola que "desapareceram" de sua vida quando a convivência escolar acabou, isso significa que essa amizade tinha mais partes de conveniência ou comodismo que propriamente de amizade. Já disseram que o mais triste não é quando os amigos se tornam inimigos, mas desconhecidos... Estamos falando de indiferença.
A vida em Sociedade não é diferente, salvo que essas relações acontecem em maior escala. Vejamos o exemplo de um cidade pequena. Seus habitantes vivem em harmonia, as pessoas se respeitam, são amáveis ou amigáveis, evitam discussões ou contendas, etc. Para um observador ingênuo, essa é a vida perfeita que não vemos nas grandes cidades. Mas um observador crítico diria que essas pessoas não se desentendem porque se trata de uma pequena comunidade. É difícil se desentender com uma pessoa que você vê todos os dias na rua, porque se trata de um lugar pequeno. É difícil brigar com alguém cujo parente é seu patrão ou patrão de parentes seus, etc. A vida harmoniosa numa cidade pequena tem mais partes de hipocrisia que de verdadeira harmonia.
A vida em família tampouco é diferente, salvo que essas relações acontecem em menor escala. É fácil respeitar ou amar a uma pessoa com quem você tem relações de dependência. Não se trata de respeito ou amor puramente. Só podemos dizer que respeitamos ou amamos alguém de verdade se essas relações de dependência ou conveniência estão ausentes, mas elas nunca ou quase nunca estão.
São nossos amigos de verdade, ou nos amam verdadeiramente, aquelas pessoas que não dependem de nós, mas ainda assim nos ajudam. A amizade ou o amor é uma coisa prática, ao contrário do que muitos pensam. Quem não é amigo atráves de ações não é amigo. Quem não ama através de ações não é amante. (Entendamos aqui "amante" como "aquele que ama".)
Exemplo: Quando Jesus pregava e lhe disseram que sua família se aproximava, ele explicou: "Minha família é quem acredita em mim." Com isso ele pôs à parte aquelas relações de conveniência, dependência, gratidão, etc. Com isso ele não deixou que a sorte ou a mera convivência determinasse quem era sua família. E olha que ele estava falando de Maria! O que ele quis dizer com sua fala acima é que as ações das pessoas determinariam quem eram os seus familiares. E, se ele agia assim com sua família, provavelmente agia de igual maneira com seus amigos...
Curiosamente, deixamos que a mera convivência ou o mero comodismo determinem quem são nossos amigos. De modo geral, nossos amigos estão naqueles grupos que frenquentamos: escola, bairro onde moramos, trabalho, etc. De igual modo, nossos amigos costumam pertencer a mesma classe social, religião ou partido político que nós. Tudo isso resulta muito conveniente, até mesmo prático se buscamos algo que vai além da amizade ou afinidade. É fácil conviver com pessoas da mesma classe social, religião, partido político, etc. se esperamos algo deles. Um pai que queira casar sua filha com pessoas ricas terá prazer em conviver com gente de dinheiro e lhes falar da filha, mas provavelmente terá desprazer ao lidar com pessoas pobres e, nesse momento, provavelmente não citará a filha. Igualmente, estreitar os laços de "amizade" com o chefe do partido político não seria nada mau para quem quer subir no partido ou na política. Seria conveniente. Sendo assim, essa amizade teria boas partes de interesse...
Em poucas palavras, ausência de conflitos ou de discussões não significa que há amizade. Significa apenas que não há motivos para brigas. Então, quando surge alguma pequena contenda, ainda que minúscula, descobrimos que as amizades se desmancham como pó...
Na verdade, não é que havia amizade, mas ausência de conflitos, de motivos para discordar ou brigar.
Obviamente, há amizade, há amor, há relações em que a simpatia é sincera. O que acontece é que, como há pessoas falsas ou interesseiras, só descobrimos quem são nossos amigos quando surge um problema. Só descobrimos quem nos ama quando aparece alguma dificuldade. A parte mais triste é que às vezes um "grande amor" chega ao fim devido a uma pequena dificuldade. Essa pequena dificuldade pode ser a mudança de um dos amantes para a cidade vizinha, a perda de emprego de um deles ou sua admissão noutro emprego menos rentável, fato que o rebaixará a outra classe social, etc. Nesses casos, há mais partes de conveniência ou vaidade que de amor puramente.
Pensar em Romeu e Julieta, portanto, é pensar que eles deixaram de lado até mesmo as diferenças entre suas famílias em nome do amor que sentiam. Havia mais partes de amor em sua história que de outras coisas, ou melhor, só havia partes de amor... Muitas relações amorosas que vemos hoje em dia, comparadas com a de Romeu e Julieta, chegam a ser ridículas, infantis, para não dizer falsas...
As pessoas costumam lamentar mais a perda de um carro, de uma casa, de um imóvel que a perda de seus amigos, parentes e afins. Vemos "amores eternos" que acabam em um ano, vemos "grandes amores" que não suportam uma pequena discussão... Tudo isso é muito corriqueiro, acontece todos os dias em quase todos os lugares... E, porque é comum ou corriqueiro, vai deixando de ser ridículo para "fazer parte da paisagem"...
As amizades sinceras, assim como os grandes amores, são raros. Mas ao mesmo tempo todos dizemos ter amigos sinceros e viver grandes amores... Ou estamos certos ao afirmar tal coisa, ou estamos iludidos... geralmente iludidos... Às vezes, nos iludimos por ingenuidade; às vezes, porque queremos nos enganar um pouco para sermos felizes ao menos um pouco, o que não deixa de ser igualmente humano...
Seja como for, somos nós que temos que mudar se há pessoas falsas, interesseiras ou comodistas a nosso lado. Porque somos nós quem as escolhemos como amigos, namorados, cônjuges, parceiros comerciais, etc. Somos nós que temos que separar o joio do trigo em vez de lamentar que o trigo tem suas partes de joio ou palha...
Se alguém nos prejudica ou toma nosso tempo porque acreditamos que essa pessoa é nosso amigo, parente ou amante, somos nós que lhe damos tal poder. Sendo assim, somos nós que temos que mudar. Jesus tinha aquela atitude com a família dele. Devíamos ter uma atitude igual ao menos com nossos amigos, na falta de coragem para termos uma atitude igual com relação a nossos parentes...
Devemos mudar de atitude ou lamentar enquanto não mudamos...
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Perfeita Perfeição
Inteligência Emocional
(...) Amigos? Duvido cada dia mais que essa palavra possa se tornar real em mim. Sigo agora da mesma maneira como eu entrei naquela escola. Sigo sem peso algum, sem culpa alguma. Só com a certeza de que tudo isso partiu do fato de que eu sempre quis ajudar as pessoas. E é isso que ganho em troca. E isso dói muito. Ah, como dói! Mas foi o que restou. (...)
COMENTÁRIO
Muitas vezes o que chamamos amizade ou amor tem mais partes de interesse, conveniência, comodismo ou dependência que de outra coisa.
Se você tinha amigos na escola que "desapareceram" de sua vida quando a convivência escolar acabou, isso significa que essa amizade tinha mais partes de conveniência ou comodismo que propriamente de amizade. Já disseram que o mais triste não é quando os amigos se tornam inimigos, mas desconhecidos... Estamos falando de indiferença.
A vida em Sociedade não é diferente, salvo que essas relações acontecem em maior escala. Vejamos o exemplo de um cidade pequena. Seus habitantes vivem em harmonia, as pessoas se respeitam, são amáveis ou amigáveis, evitam discussões ou contendas, etc. Para um observador ingênuo, essa é a vida perfeita que não vemos nas grandes cidades. Mas um observador crítico diria que essas pessoas não se desentendem porque se trata de uma pequena comunidade. É difícil se desentender com uma pessoa que você vê todos os dias na rua, porque se trata de um lugar pequeno. É difícil brigar com alguém cujo parente é seu patrão ou patrão de parentes seus, etc. A vida harmoniosa numa cidade pequena tem mais partes de hipocrisia que de verdadeira harmonia.
A vida em família tampouco é diferente, salvo que essas relações acontecem em menor escala. É fácil respeitar ou amar a uma pessoa com quem você tem relações de dependência. Não se trata de respeito ou amor puramente. Só podemos dizer que respeitamos ou amamos alguém de verdade se essas relações de dependência ou conveniência estão ausentes, mas elas nunca ou quase nunca estão.
São nossos amigos de verdade, ou nos amam verdadeiramente, aquelas pessoas que não dependem de nós, mas ainda assim nos ajudam. A amizade ou o amor é uma coisa prática, ao contrário do que muitos pensam. Quem não é amigo atráves de ações não é amigo. Quem não ama através de ações não é amante. (Entendamos aqui "amante" como "aquele que ama".)
Exemplo: Quando Jesus pregava e lhe disseram que sua família se aproximava, ele explicou: "Minha família é quem acredita em mim." Com isso ele pôs à parte aquelas relações de conveniência, dependência, gratidão, etc. Com isso ele não deixou que a sorte ou a mera convivência determinasse quem era sua família. E olha que ele estava falando de Maria! O que ele quis dizer com sua fala acima é que as ações das pessoas determinariam quem eram os seus familiares. E, se ele agia assim com sua família, provavelmente agia de igual maneira com seus amigos...
Curiosamente, deixamos que a mera convivência ou o mero comodismo determinem quem são nossos amigos. De modo geral, nossos amigos estão naqueles grupos que frenquentamos: escola, bairro onde moramos, trabalho, etc. De igual modo, nossos amigos costumam pertencer a mesma classe social, religião ou partido político que nós. Tudo isso resulta muito conveniente, até mesmo prático se buscamos algo que vai além da amizade ou afinidade. É fácil conviver com pessoas da mesma classe social, religião, partido político, etc. se esperamos algo deles. Um pai que queira casar sua filha com pessoas ricas terá prazer em conviver com gente de dinheiro e lhes falar da filha, mas provavelmente terá desprazer ao lidar com pessoas pobres e, nesse momento, provavelmente não citará a filha. Igualmente, estreitar os laços de "amizade" com o chefe do partido político não seria nada mau para quem quer subir no partido ou na política. Seria conveniente. Sendo assim, essa amizade teria boas partes de interesse...
Em poucas palavras, ausência de conflitos ou de discussões não significa que há amizade. Significa apenas que não há motivos para brigas. Então, quando surge alguma pequena contenda, ainda que minúscula, descobrimos que as amizades se desmancham como pó...
Na verdade, não é que havia amizade, mas ausência de conflitos, de motivos para discordar ou brigar.
Obviamente, há amizade, há amor, há relações em que a simpatia é sincera. O que acontece é que, como há pessoas falsas ou interesseiras, só descobrimos quem são nossos amigos quando surge um problema. Só descobrimos quem nos ama quando aparece alguma dificuldade. A parte mais triste é que às vezes um "grande amor" chega ao fim devido a uma pequena dificuldade. Essa pequena dificuldade pode ser a mudança de um dos amantes para a cidade vizinha, a perda de emprego de um deles ou sua admissão noutro emprego menos rentável, fato que o rebaixará a outra classe social, etc. Nesses casos, há mais partes de conveniência ou vaidade que de amor puramente.
Pensar em Romeu e Julieta, portanto, é pensar que eles deixaram de lado até mesmo as diferenças entre suas famílias em nome do amor que sentiam. Havia mais partes de amor em sua história que de outras coisas, ou melhor, só havia partes de amor... Muitas relações amorosas que vemos hoje em dia, comparadas com a de Romeu e Julieta, chegam a ser ridículas, infantis, para não dizer falsas...
As pessoas costumam lamentar mais a perda de um carro, de uma casa, de um imóvel que a perda de seus amigos, parentes e afins. Vemos "amores eternos" que acabam em um ano, vemos "grandes amores" que não suportam uma pequena discussão... Tudo isso é muito corriqueiro, acontece todos os dias em quase todos os lugares... E, porque é comum ou corriqueiro, vai deixando de ser ridículo para "fazer parte da paisagem"...
As amizades sinceras, assim como os grandes amores, são raros. Mas ao mesmo tempo todos dizemos ter amigos sinceros e viver grandes amores... Ou estamos certos ao afirmar tal coisa, ou estamos iludidos... geralmente iludidos... Às vezes, nos iludimos por ingenuidade; às vezes, porque queremos nos enganar um pouco para sermos felizes ao menos um pouco, o que não deixa de ser igualmente humano...
Seja como for, somos nós que temos que mudar se há pessoas falsas, interesseiras ou comodistas a nosso lado. Porque somos nós quem as escolhemos como amigos, namorados, cônjuges, parceiros comerciais, etc. Somos nós que temos que separar o joio do trigo em vez de lamentar que o trigo tem suas partes de joio ou palha...
Se alguém nos prejudica ou toma nosso tempo porque acreditamos que essa pessoa é nosso amigo, parente ou amante, somos nós que lhe damos tal poder. Sendo assim, somos nós que temos que mudar. Jesus tinha aquela atitude com a família dele. Devíamos ter uma atitude igual ao menos com nossos amigos, na falta de coragem para termos uma atitude igual com relação a nossos parentes...
Devemos mudar de atitude ou lamentar enquanto não mudamos...
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sexta-feira, 4 de março de 2011
Modelos de Felicidade
TEXTO DA JÉSSICA
(...) "Se minha vida terminasse amanhã, o que eu teria aproveitado?". Eu te respondo. No meu caso: NADA! Não tomei banho de chuva, nunca fugi, não me lembro de quebrar nenhuma regra, nunca discuti feio com ninguém, nunca fui num parque de diversões, nunca fui na praia [verdade ¬¬], nunca fui no zoológico, fui apenas duas vezes no cinema, só fui em um show na minha vida [com O6 anos, e quase morri pisoteada], não me divirto muito, não tenho nenhum AMIGO-SUPER-GRUDADO-BEST-FRIEND-FOREVER [se é que me entende]. (...)
COMENTÁRIO
Talvez a melhor maneira de ser infeliz seja seguir um modelo de felicidade inventado por outras pessoas. Exemplo: Alguém se sente muito feliz tomando banhos de chuva, quebrando regras, discutindo com alguém para descarregar a raiva, indo a parques de diversão, indo à praia, etc. Então você vê essa pessoa feliz e decide imitá-la para ser igualmente feliz. Você a imita e espera. O tempo passa e a felicidade não vem. Você seguiu um modelo de felicidade e ele não funcionou. Então você pensa: "O que eu fiz de errado?"
Há um modelo de felicidade que todos procuram seguir, mas ele não serve para todos. Talvez você não se sinta feliz tomando banhos de chuva, quebrando regras. Talvez você odeie ir à praia. Mas você prova essas coisas porque outras pessoas as experimentaram e foram felizes. Elas são a propaganda... Você, o consumidor de um estilo de vida, de uma maneira de pensar...
Talvez você seja feliz evitando a chuva, respeitando regras, sendo gentil, etc. Talvez você seja feliz fazendo o que gosta em vez de procurar fazer aquilo que os outros gostam. Há um modelo de felicidade para a maioria? Não se preocupe. Pode ser que o seu modelo seja aquele da minoria ou até mesmo um modelo único, que só serve para você. Isso é ruim? De modo algum. A felicidade não é a mesma para todos...
Quer um exemplo? Aqui está.
Jéssica vai a um restaurante. Ela se senta à mesa e pede salmão (suponhamos que ela goste de peixe, ainda que more em São Paulo, longe do mar). É o que ela gosta e ela se sente contente com o prato que pediu. Mas, no auge de sua satisfação, ela olha em volta para ver o que as outras pessoas estão comendo. Curiosamente, todos os demais estão comendo carne. Jéssica então se pergunta o que estaria errado. Por que só ela está comendo peixe? Não é a carne vermelha que deixa os outros felizes? E ela conclui: a felicidade está na carne de boi, só na carne de boi e no purê de batatas...
Nos dias seguintes, Jéssica continua indo a esse restaurante. Mas agora ela só pede carne. O prato não lhe agrada, mas ela come. E continua comendo nos próximos dias, nos próximos meses, nos próximos anos.... Para sempre. É o prato que deixa todo o mundo feliz, então também ela será feliz com esse prato. Mas... o que há de errado? Ela não está feliz como os outros... O que há de errado com ela?
Com ela, nada. Mas olhar para os lados tem feito um bocado de gente feliz se tornar infeliz... E olhar para os lados pode ser observar a vida do vizinho ou ligar a TV...
Algumas pessoas não acompanham a novela das oito, isto é, não acompanham a cena, a trama, o que acontece, os diálogos... Elas se fixam nos móveis da mansão do personagem rico, nas roupas da personagem bem-sucedida, etc. É o que elas provavelmente vão comprar para que sejam felizes e serão infelizes até que possam comprar tais produtos...
Mas... há algum mal em querer essas coisas? Mal nenhum. Tudo o que há no mundo está aí para a nossa satisfação. Entretanto, em que medida esses produtos preenchem um vazio ou uma necessidade na vida dessas pessoas?
Curiosamente, algumas pessoas comem carne quando preferem peixe. Vão passar férias na praia quando preferem estar nas montanhas. Tomam banho de banheira quando preferem uma ducha. Vestem a roupa X quando se sentem melhor com a roupa Y. Procuram namorar alguém que se pareça com o mocinho ou a mocinha da novela ou daquele filme, porque também há um modelo para namorados, casamentos, lares, etc.
A verdade é que você vai encontrar os mesmos tipos de pessoas/influências se você só frequenta os mesmos meios: a academia, o museu ou as festas de rock... E estas pessoas de algum modo serão o seu mundo se você só percorre essa órbita acanhada no seu dia-a-dia... Talvez você precise variar de ambiente para variar de pessoas...
Igualmente, talvez o seu "par perfeito" ideal seja diferente do da maioria. Não se sinta obrigada a ter um namorado como o mocinho do filme, porque daqui a um ano ou dois haverá outro filme de sucesso e o mocinho pode ser bem diferente... Além do mais, não vivemos num filme...
Em poucas palavras, não deixe o meio ou a propaganda influenciar você... Tudo o que vemos são opções; não escolhas...
Como disse, a felicidade não é a mesma para todos, ou cada um de nós a alcança por meios diversos... Desse modo, não é errado não gostar de banhos de chuva. O que é errado (para não dizer curioso) é tomar um banho de chuva quando você não se sente bem com isso...
A TV, os artistas, as pessoas famosas que aparecem na mídia costumam ditar modelos de felicidade. Devemos segui-los? Nem sempre. Não somos nós que devemos nos adaptar a esses modelos, mas os modelos, sim, é que devem se adaptar a nossos gostos. Você, por acaso, compraria uma calça que não lhe serve? Provavelmente você só compra calças que se adaptam a seu corpo. Com os modelos de felicidade é (ou deveria ser) a mesma coisa.
Seguir um modelo de felicidade que não nos faz felizes, é como usar uma calça que nos tolhe os movimentos ou nos tira o fôlego...
De modo geral, as pessoas não sabem exatamente como agir para se sentirem felizes. Então elas buscam um modelo, uma fórmula mágica. Em poucas palavras, imitam alguém... Obviamente, essas pessoas não estão satisfeitas com algo em suas vidas, querem satisfação e, como não podem experimentar todas as coisas do mundo para descobrir o que lhes agrada de verdade, procuram experimentar o que outras pessoas já experimentaram... Não querem perder tempo, mas, às vezes, gastam nisso uma vida inteira...
É como se você deixasse de ir ao médico e tomasse o remédio que o seu vizinho tomou. E você pensa: "O remédio lhe fez bem, então também fará a mim." Mas você não tem a mesma enfermidade e o remédio lhe faz mal ou não faz o efeito desejado. Isso acontece porque você pulou uma etapa, isto é, você não deixou que o médico analisasse o seu caso...
Para ser feliz, também é necessária uma análise. E quem faz essa análise é você mesmo. Seguir modelos de felicidade de terceiros é como tomar remédios que o médico não prescreveu para você. Pode dar certo, pode não dar... E você pode se iludir um bom tempo até perceber que não está sendo feliz... Nesse momento, você pode voltar atrás, pode continuar se enganando, pode nem perceber claramente que está infeliz... Quem dita as regras da sua felicidade são os outros? Bem... isso não deixa de ser uma forma de escravidão. E nunca vi ninguém feliz que não fosse realmente livre...
É, Jéssica, eu te entendo...
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(...) "Se minha vida terminasse amanhã, o que eu teria aproveitado?". Eu te respondo. No meu caso: NADA! Não tomei banho de chuva, nunca fugi, não me lembro de quebrar nenhuma regra, nunca discuti feio com ninguém, nunca fui num parque de diversões, nunca fui na praia [verdade ¬¬], nunca fui no zoológico, fui apenas duas vezes no cinema, só fui em um show na minha vida [com O6 anos, e quase morri pisoteada], não me divirto muito, não tenho nenhum AMIGO-SUPER-GRUDADO-BEST-FRIEND-FOREVER [se é que me entende]. (...)
COMENTÁRIO
Talvez a melhor maneira de ser infeliz seja seguir um modelo de felicidade inventado por outras pessoas. Exemplo: Alguém se sente muito feliz tomando banhos de chuva, quebrando regras, discutindo com alguém para descarregar a raiva, indo a parques de diversão, indo à praia, etc. Então você vê essa pessoa feliz e decide imitá-la para ser igualmente feliz. Você a imita e espera. O tempo passa e a felicidade não vem. Você seguiu um modelo de felicidade e ele não funcionou. Então você pensa: "O que eu fiz de errado?"
Há um modelo de felicidade que todos procuram seguir, mas ele não serve para todos. Talvez você não se sinta feliz tomando banhos de chuva, quebrando regras. Talvez você odeie ir à praia. Mas você prova essas coisas porque outras pessoas as experimentaram e foram felizes. Elas são a propaganda... Você, o consumidor de um estilo de vida, de uma maneira de pensar...
Talvez você seja feliz evitando a chuva, respeitando regras, sendo gentil, etc. Talvez você seja feliz fazendo o que gosta em vez de procurar fazer aquilo que os outros gostam. Há um modelo de felicidade para a maioria? Não se preocupe. Pode ser que o seu modelo seja aquele da minoria ou até mesmo um modelo único, que só serve para você. Isso é ruim? De modo algum. A felicidade não é a mesma para todos...
Quer um exemplo? Aqui está.
Jéssica vai a um restaurante. Ela se senta à mesa e pede salmão (suponhamos que ela goste de peixe, ainda que more em São Paulo, longe do mar). É o que ela gosta e ela se sente contente com o prato que pediu. Mas, no auge de sua satisfação, ela olha em volta para ver o que as outras pessoas estão comendo. Curiosamente, todos os demais estão comendo carne. Jéssica então se pergunta o que estaria errado. Por que só ela está comendo peixe? Não é a carne vermelha que deixa os outros felizes? E ela conclui: a felicidade está na carne de boi, só na carne de boi e no purê de batatas...
Nos dias seguintes, Jéssica continua indo a esse restaurante. Mas agora ela só pede carne. O prato não lhe agrada, mas ela come. E continua comendo nos próximos dias, nos próximos meses, nos próximos anos.... Para sempre. É o prato que deixa todo o mundo feliz, então também ela será feliz com esse prato. Mas... o que há de errado? Ela não está feliz como os outros... O que há de errado com ela?
Com ela, nada. Mas olhar para os lados tem feito um bocado de gente feliz se tornar infeliz... E olhar para os lados pode ser observar a vida do vizinho ou ligar a TV...
Algumas pessoas não acompanham a novela das oito, isto é, não acompanham a cena, a trama, o que acontece, os diálogos... Elas se fixam nos móveis da mansão do personagem rico, nas roupas da personagem bem-sucedida, etc. É o que elas provavelmente vão comprar para que sejam felizes e serão infelizes até que possam comprar tais produtos...
Mas... há algum mal em querer essas coisas? Mal nenhum. Tudo o que há no mundo está aí para a nossa satisfação. Entretanto, em que medida esses produtos preenchem um vazio ou uma necessidade na vida dessas pessoas?
Curiosamente, algumas pessoas comem carne quando preferem peixe. Vão passar férias na praia quando preferem estar nas montanhas. Tomam banho de banheira quando preferem uma ducha. Vestem a roupa X quando se sentem melhor com a roupa Y. Procuram namorar alguém que se pareça com o mocinho ou a mocinha da novela ou daquele filme, porque também há um modelo para namorados, casamentos, lares, etc.
A verdade é que você vai encontrar os mesmos tipos de pessoas/influências se você só frequenta os mesmos meios: a academia, o museu ou as festas de rock... E estas pessoas de algum modo serão o seu mundo se você só percorre essa órbita acanhada no seu dia-a-dia... Talvez você precise variar de ambiente para variar de pessoas...
Igualmente, talvez o seu "par perfeito" ideal seja diferente do da maioria. Não se sinta obrigada a ter um namorado como o mocinho do filme, porque daqui a um ano ou dois haverá outro filme de sucesso e o mocinho pode ser bem diferente... Além do mais, não vivemos num filme...
Em poucas palavras, não deixe o meio ou a propaganda influenciar você... Tudo o que vemos são opções; não escolhas...
Como disse, a felicidade não é a mesma para todos, ou cada um de nós a alcança por meios diversos... Desse modo, não é errado não gostar de banhos de chuva. O que é errado (para não dizer curioso) é tomar um banho de chuva quando você não se sente bem com isso...
A TV, os artistas, as pessoas famosas que aparecem na mídia costumam ditar modelos de felicidade. Devemos segui-los? Nem sempre. Não somos nós que devemos nos adaptar a esses modelos, mas os modelos, sim, é que devem se adaptar a nossos gostos. Você, por acaso, compraria uma calça que não lhe serve? Provavelmente você só compra calças que se adaptam a seu corpo. Com os modelos de felicidade é (ou deveria ser) a mesma coisa.
Seguir um modelo de felicidade que não nos faz felizes, é como usar uma calça que nos tolhe os movimentos ou nos tira o fôlego...
De modo geral, as pessoas não sabem exatamente como agir para se sentirem felizes. Então elas buscam um modelo, uma fórmula mágica. Em poucas palavras, imitam alguém... Obviamente, essas pessoas não estão satisfeitas com algo em suas vidas, querem satisfação e, como não podem experimentar todas as coisas do mundo para descobrir o que lhes agrada de verdade, procuram experimentar o que outras pessoas já experimentaram... Não querem perder tempo, mas, às vezes, gastam nisso uma vida inteira...
É como se você deixasse de ir ao médico e tomasse o remédio que o seu vizinho tomou. E você pensa: "O remédio lhe fez bem, então também fará a mim." Mas você não tem a mesma enfermidade e o remédio lhe faz mal ou não faz o efeito desejado. Isso acontece porque você pulou uma etapa, isto é, você não deixou que o médico analisasse o seu caso...
Para ser feliz, também é necessária uma análise. E quem faz essa análise é você mesmo. Seguir modelos de felicidade de terceiros é como tomar remédios que o médico não prescreveu para você. Pode dar certo, pode não dar... E você pode se iludir um bom tempo até perceber que não está sendo feliz... Nesse momento, você pode voltar atrás, pode continuar se enganando, pode nem perceber claramente que está infeliz... Quem dita as regras da sua felicidade são os outros? Bem... isso não deixa de ser uma forma de escravidão. E nunca vi ninguém feliz que não fosse realmente livre...
É, Jéssica, eu te entendo...
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Perfeita Perfeição
TEXTO DA JÉSSICA
Eu sei que não sou perfeito, mas no final do dia quem é?
Você queria alguém perfeito. Bom, tudo bem.
Mas você pode me dizer quem é? ♪
Bruno Mars - Who is
Ninguém é tão feio como na foto da identidade, tão bonito como na foto do Orkut, tão feliz quanto no Facebook, tão simpático e popular como no Twitter e nem tão ocupado como no MSN. E muito menos tão otimista quanto no blog. Então não quero fingir. Não quero esconder. Essa SOU EU. Talvez a parte mais sombria, mais escura, mais pessimista, mais escondida. Porém não deixa de fazer parte de mim. Afinal, ninguém é tão perfeito quanto parece. Comigo não seria diferente!
COMENTÁRIO
(Comento o texto da Jéssica abaixo, por motivos óbvios.)
Imagine alguém imperfeito. Imagine que essa pessoa imperfeita tem 99% de defeitos e 1% de qualidades. Imagine que essa pessoa é real, que ela anda por aí. Imagine que ela se tornou um ator, um político, um empresário... Imagine que ela se tornou a pessoa em quem você confia, a pessoa com quem você divide segredos... Para você, essa pessoa imperfeita é completamente perfeita, simplesmente porque ela não se mostra por inteiro. Para o mundo, ela revela apenas 1% de sua verdadeira natureza, justamente aquele 1% que é só qualidades.... Essa é a "pessoa perfeita" possível...
É claro que podemos encontrar uma "pessoa perfeita" que é 50% defeitos e 50% qualidades... Para Lênin, bastava que alguém tivesse pelo menos 10% de qualidades... Pois é! Parece que Lênin era bastante prático ou bastante realista. É muitíssimo fácil imaginar uma pessoa perfeita e sonhar com ela o tempo todo, desde que não a busquemos na realidade, no dia-a-dia...
Alguém pode ser perfeito um segundo, um minuto, um final de semana inteiro. Um namorado pode ser perfeito um mês, um semestre, um ano... Mas ele não pode ser perfeito para sempre. As pessoas ideais (ou perfeitas) não duram para sempre se convivemos com elas todos os dias... As pessoas ideais são sempre aquelas que não conhecemos bem.... Aquelas que estiveram em nossas vidas apenas por breve tempo... Aquelas que estiveram a nosso lado nos dias de alegria e que agora, nos tempos de dor, não vemos a nosso lado....
Em poucas palavras, as pessoas perfeitas são aquelas que imaginamos, ou aquelas que "nos enganam" daquela maneira como expliquei no primeiro parágrafo deste meu comentário. Mas moralmente temos esta questão: Mostrar-se por inteiro é ser sincero? Certamente. Mas é conveniente fazê-lo? Geralmente não. Vejamos abaixo um exemplo...
Pensemos na maneira como agimos para sermos educados. Ser agradável (ou educado) significa que não devemos dizer tudo o que pensamos, ou seja, que devemos selecionar nossos melhores pensamentos ou aqueles que possam ser os mais agradáveis, deixando à parte os demais. Essa maneira de agir também é um modo de não nos mostrarmos 100%. Pode ser que nossos pensamentos bons sejam 90% do total, mas também pode ser que sejam apenas 1%... Não somos políticos em busca de votos, nem atores em busca de fama, nem nada disso... mas somos pessoas que temos os nossos amigos, parentes, namorados ou namoradas, etc. Geralmente começamos mostrando o melhor de nós, talvez imaginando que conseguiremos fazer isso o tempo todo e pelo resto da vida. Puro engano. O dia-a-dia, a convivência, o trato diário obrigatório é como luz sobre os recantos de nossa alma: acabamos nos revelando por inteiro, especialmente nos piores momentos, nas épocas de crise, nas brigas, nos litígios, nos lapsos...
Dizem que o amor de Romeu e Julieta foi perfeito, simplesmente porque eles não tiveram tempo de brigar... Pois é! Pode ser uma piada, mas essa piada tem os pés na realidade. Eles morreram, não tiveram uma convivência longa, o trato diário não existiu para eles...
Os contos de fadas são parecidos. Quando os amantes finalmente conseguem ficar juntos, a história acaba. Eles viveram felizes para sempre? Provavelmente sim, mas não da maneira como viveram antes, nos primeiros tempos do romance. Com o tempo nos revelamos por completo, ainda que sejamos 99% qualidades e 1% defeitos...
E geralmente basta que tenhamos 1% de defeitos para que os outros ignorem os nossos 99% de qualidades... Porque "os outros" imaginam um ser perfeito tão utópico que só pode existir fora da realidade... Até que um dia "os outros" se cansam de procurar por alguém "perfeito" e aceitam (a contragosto) alguém possível... Esse "alguém possível" pode ser um namorado, um marido, uma sociedade com outra pessoa, etc.
A verdade, a triste verdade, é que não vivemos um segundo sequer fora do mundo real.... E as pessoas possíveis ou são as pessoas perfeitas que procuramos ou não são nada...
Mas, se por acaso formos 99% qualidades e 1% defeitos, de que isso nos vale? A outra pessoa (amigo, namorado, familiar...) espera de nós alguém 100% perfeito. A longo prazo, nunca somos o que a outra pessoa espera.
Além do mais, cada um de nós imagina uma pessoa perfeita à sua maneira. E essas pessoas "impecavelmente perfeitas" que imaginamos são todas diferentes umas das outras. Porque cada um de nós tem a sua ideia de perfeição. Em poucas palavras, a perfeição não é a mesma para todos. Se cada um de nós fosse Deus e tivesse que criar o mundo em seis dias (porque o sétimo foi de descanso!), cada um de nós teria criado um mundo perfeito à sua maneira, que seria, ao menos, ligeiramente diferente ou particular.
Nem Deus, que é perfeito, é o mesmo em todas as religiões ou na cabeça de cada um de nós... Pois é! Se nem Deus corresponde à ideia de Perfeição de cada religião ou pessoa, isso quer dizer que até Deus decepciona... E olha que Ele é perfeito... Mas o que dizer de nós, seres humanos, criados à Sua imagem e semelhança, xérox d'Ele?
As xérox, como sabemos, não costumam ter a qualidade dos originais...
Talvez perfeita mesmo seja aquela pessoa capaz de conviver com nossos defeitos e, mais do que isso, saber lidar com os seus. Passar por maus momentos e superá-los, ainda que não sejamos 100% perfeitos, não nos aproximaria da Perfeição de algum modo? Se agimos de maneira perfeita diante de um problema, ainda que sejamos imperfeitos, isso não nos aproximaria da Perfeição de alguma maneira?
Exemplo: Numa certa batalha, Napoleão tremia de medo com o barulho das explosões. E olha que era Napoleão! Um soldado notou e disse: "Olha como ele treme!" E Napoleão respondeu: "Posso tremer, mas estou aqui. Se você sentisse ao menos metade do medo que sinto, já teria fugido."
Essa é a perfeição possível. Esse foi o homem perfeito apesar de suas imperfeições. As pessoas poderiam ser assim no dia-a-dia, no trato com os amigos, os namorados, os parentes...
E, se você for 99% defeitos e 1% qualidades, não se contente em esconder esses 99% de defeitos, deixando-os por "detrás das cortinas", porque mais cedo ou mais tarde esses defeitos se revelarão ou a cortina cairá. Procure vencê-los.
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Eu sei que não sou perfeito, mas no final do dia quem é?
Você queria alguém perfeito. Bom, tudo bem.
Mas você pode me dizer quem é? ♪
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Ninguém é tão feio como na foto da identidade, tão bonito como na foto do Orkut, tão feliz quanto no Facebook, tão simpático e popular como no Twitter e nem tão ocupado como no MSN. E muito menos tão otimista quanto no blog. Então não quero fingir. Não quero esconder. Essa SOU EU. Talvez a parte mais sombria, mais escura, mais pessimista, mais escondida. Porém não deixa de fazer parte de mim. Afinal, ninguém é tão perfeito quanto parece. Comigo não seria diferente!
COMENTÁRIO
(Comento o texto da Jéssica abaixo, por motivos óbvios.)
Imagine alguém imperfeito. Imagine que essa pessoa imperfeita tem 99% de defeitos e 1% de qualidades. Imagine que essa pessoa é real, que ela anda por aí. Imagine que ela se tornou um ator, um político, um empresário... Imagine que ela se tornou a pessoa em quem você confia, a pessoa com quem você divide segredos... Para você, essa pessoa imperfeita é completamente perfeita, simplesmente porque ela não se mostra por inteiro. Para o mundo, ela revela apenas 1% de sua verdadeira natureza, justamente aquele 1% que é só qualidades.... Essa é a "pessoa perfeita" possível...
É claro que podemos encontrar uma "pessoa perfeita" que é 50% defeitos e 50% qualidades... Para Lênin, bastava que alguém tivesse pelo menos 10% de qualidades... Pois é! Parece que Lênin era bastante prático ou bastante realista. É muitíssimo fácil imaginar uma pessoa perfeita e sonhar com ela o tempo todo, desde que não a busquemos na realidade, no dia-a-dia...
Alguém pode ser perfeito um segundo, um minuto, um final de semana inteiro. Um namorado pode ser perfeito um mês, um semestre, um ano... Mas ele não pode ser perfeito para sempre. As pessoas ideais (ou perfeitas) não duram para sempre se convivemos com elas todos os dias... As pessoas ideais são sempre aquelas que não conhecemos bem.... Aquelas que estiveram em nossas vidas apenas por breve tempo... Aquelas que estiveram a nosso lado nos dias de alegria e que agora, nos tempos de dor, não vemos a nosso lado....
Em poucas palavras, as pessoas perfeitas são aquelas que imaginamos, ou aquelas que "nos enganam" daquela maneira como expliquei no primeiro parágrafo deste meu comentário. Mas moralmente temos esta questão: Mostrar-se por inteiro é ser sincero? Certamente. Mas é conveniente fazê-lo? Geralmente não. Vejamos abaixo um exemplo...
Pensemos na maneira como agimos para sermos educados. Ser agradável (ou educado) significa que não devemos dizer tudo o que pensamos, ou seja, que devemos selecionar nossos melhores pensamentos ou aqueles que possam ser os mais agradáveis, deixando à parte os demais. Essa maneira de agir também é um modo de não nos mostrarmos 100%. Pode ser que nossos pensamentos bons sejam 90% do total, mas também pode ser que sejam apenas 1%... Não somos políticos em busca de votos, nem atores em busca de fama, nem nada disso... mas somos pessoas que temos os nossos amigos, parentes, namorados ou namoradas, etc. Geralmente começamos mostrando o melhor de nós, talvez imaginando que conseguiremos fazer isso o tempo todo e pelo resto da vida. Puro engano. O dia-a-dia, a convivência, o trato diário obrigatório é como luz sobre os recantos de nossa alma: acabamos nos revelando por inteiro, especialmente nos piores momentos, nas épocas de crise, nas brigas, nos litígios, nos lapsos...
Dizem que o amor de Romeu e Julieta foi perfeito, simplesmente porque eles não tiveram tempo de brigar... Pois é! Pode ser uma piada, mas essa piada tem os pés na realidade. Eles morreram, não tiveram uma convivência longa, o trato diário não existiu para eles...
Os contos de fadas são parecidos. Quando os amantes finalmente conseguem ficar juntos, a história acaba. Eles viveram felizes para sempre? Provavelmente sim, mas não da maneira como viveram antes, nos primeiros tempos do romance. Com o tempo nos revelamos por completo, ainda que sejamos 99% qualidades e 1% defeitos...
E geralmente basta que tenhamos 1% de defeitos para que os outros ignorem os nossos 99% de qualidades... Porque "os outros" imaginam um ser perfeito tão utópico que só pode existir fora da realidade... Até que um dia "os outros" se cansam de procurar por alguém "perfeito" e aceitam (a contragosto) alguém possível... Esse "alguém possível" pode ser um namorado, um marido, uma sociedade com outra pessoa, etc.
A verdade, a triste verdade, é que não vivemos um segundo sequer fora do mundo real.... E as pessoas possíveis ou são as pessoas perfeitas que procuramos ou não são nada...
Mas, se por acaso formos 99% qualidades e 1% defeitos, de que isso nos vale? A outra pessoa (amigo, namorado, familiar...) espera de nós alguém 100% perfeito. A longo prazo, nunca somos o que a outra pessoa espera.
Além do mais, cada um de nós imagina uma pessoa perfeita à sua maneira. E essas pessoas "impecavelmente perfeitas" que imaginamos são todas diferentes umas das outras. Porque cada um de nós tem a sua ideia de perfeição. Em poucas palavras, a perfeição não é a mesma para todos. Se cada um de nós fosse Deus e tivesse que criar o mundo em seis dias (porque o sétimo foi de descanso!), cada um de nós teria criado um mundo perfeito à sua maneira, que seria, ao menos, ligeiramente diferente ou particular.
Nem Deus, que é perfeito, é o mesmo em todas as religiões ou na cabeça de cada um de nós... Pois é! Se nem Deus corresponde à ideia de Perfeição de cada religião ou pessoa, isso quer dizer que até Deus decepciona... E olha que Ele é perfeito... Mas o que dizer de nós, seres humanos, criados à Sua imagem e semelhança, xérox d'Ele?
As xérox, como sabemos, não costumam ter a qualidade dos originais...
Talvez perfeita mesmo seja aquela pessoa capaz de conviver com nossos defeitos e, mais do que isso, saber lidar com os seus. Passar por maus momentos e superá-los, ainda que não sejamos 100% perfeitos, não nos aproximaria da Perfeição de algum modo? Se agimos de maneira perfeita diante de um problema, ainda que sejamos imperfeitos, isso não nos aproximaria da Perfeição de alguma maneira?
Exemplo: Numa certa batalha, Napoleão tremia de medo com o barulho das explosões. E olha que era Napoleão! Um soldado notou e disse: "Olha como ele treme!" E Napoleão respondeu: "Posso tremer, mas estou aqui. Se você sentisse ao menos metade do medo que sinto, já teria fugido."
Essa é a perfeição possível. Esse foi o homem perfeito apesar de suas imperfeições. As pessoas poderiam ser assim no dia-a-dia, no trato com os amigos, os namorados, os parentes...
E, se você for 99% defeitos e 1% qualidades, não se contente em esconder esses 99% de defeitos, deixando-os por "detrás das cortinas", porque mais cedo ou mais tarde esses defeitos se revelarão ou a cortina cairá. Procure vencê-los.
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